A Missao Solo do Horizonte Europa
A Missao "A Soil Deal for Europe" e uma das cinco missoes do programa Horizonte Europa, com o objetivo de ter 75% dos solos europeus em estado saudavel ate 2030. O solo e um dos recursos mais criticos e menos visiveis da cadeia alimentar e do equilíbrio climático: degrada-se a um ritmo preocupante em toda a Europa, com impactos directos na produção agrícola, no sequestro de carbono, na qualidade da água e na biodiversidade.
O topico CLIMA-SOIL, integrado na call MISS-2026-06, financia projectos de investigação e inovação (RIA) que desenvolvam solucoes práticas para restaurar e monitorizar a saúde dos solos no contexto das pressoes climáticas. A intersecao entre o nexo solo-clima e o foco central desta candidatura, distinguindo-a de topicos anteriores da missao mais centrados em agricultura ou biodiversidade isoladamente.
O que se pretende financiar
O topico CLIMA-SOIL dirige-se especificamente ao nexo solo-clima, isto e, a relacao bidirecional entre o estado dos solos e as alteracoes climáticas. Um solo saudavel e um aliado na mitigacao das alteracoes climáticas. Um solo degradado e, paradoxalmente, um amplificador.
- Sequestro de carbono organico no solo: metodos para aumentar e medir o armazenamento de carbono em diferentes tipos de solos e sistemas de uso do solo
- Gestão sustentavel do solo em condições climáticas extremas: práticas agricolas e florestais adaptadas a secas mais frequentes, chuvas intensas e ondas de calor
- Monitorização e indicadores de saúde do solo: sistemas de observacao e metricas harmonizadas para avaliar o estado dos solos a escala europeia, incluindo sensores remotos e tecnologias digitais
- Restauro de solos degradados: técnicas de reabilitação de solos contaminados, compactados ou salinizados como resultado das alteracoes climáticas
- Co-beneficios para biodiversidade e água: solucoes que simultaneamente melhorem a saúde do solo, a biodiversidade edafica e a gestão do ciclo hidrologico
Um desafio urgente no contexto nacional
Portugal e um dos paises europeus com maior exposicao a degradacao do solo. A combinacao de secas prolongadas, incendios florestais, agricultura intensiva em certas regioes e erosao costeira cria um quadro de vulnerabilidade que ultrapassa a media europeia. Ao mesmo tempo, o pais possui condições unicas para investigação neste dominio: diversidade de ecosistemas (mediterranico, atlantico, semi-arido no Alentejo interior), uma significativa extensão de montado e sistemas silvopastoris reconhecidos internacionalmente.
Universidades como a de Evora, institutos como o INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agraria e Veterinaria) e centros de investigação como o CEABN (Centro de Ecologia Aplicada) tem equipas com forte historial em ciencia do solo e agroecologia. Para estes actores, o topico CLIMA-SOIL representa uma oportunidade directa de financiamento europeu para trabalho que ja desenvolvem, com a vantagem adicional de que a paisagem portuguesa oferece laboratorios naturais de alto valor científico.
Quem pode candidatar-se
As RIA do Horizonte Europa estao abertas a consórcios com um mínimo de tres entidades de tres paises diferentes da UE ou paises associados. Para o topico CLIMA-SOIL, o consorcio ideal combina entidades com expertises complementares.
| Tipo de entidade | Papel tipico no consorcio |
|---|---|
| Universidades e centros de investigação | Liderança científica, metodologias, publicacoes |
| Institutos nacionais de investigação agraria | Dados de campo, ensaios, ligacao ao sector |
| Empresas de tecnologia agrícola | Sensores, plataformas digitais, escalonamento |
| Organizações de agricultores e cooperativas | Demonstracao em campo, validacao de solucoes |
| Autoridades regionais e agencias ambientais | Disseminacao, politica, replicabilidade |
O que recomendamos
O topico CLIMA-SOIL beneficia de uma janela de oportunidade clara: a regulamentacao europeia sobre monitorização e saúde do solo esta em aceleracao rapida (Lei do Solo europeia em discussao), o que cria uma procura imediata por dados, metodologias e ferramentas validas. Projectos que consigam alinhar resultados cientificos com necessidades regulatorias concretas terao uma narrativa de impacto muito mais forte na avaliação.
O conselho pratico para equipas portuguesas: nao tentar construir um consorcio demasiado vasto ou heterogeneo. Uma RIA com 6 a 8 parceiros bem articulados, com papeis claros e experiencia previa de colaboracao, tera sistematicamente melhor desempenho na avaliação do que um consorcio de 15 entidades com sobreposicao de competencias. A coesão e a clareza da narrativa contam mais do que o número de flags no consorcio.
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