O que é

Tornar industrialmente viável o terminal, não inventar a tecnologia

Esta call, com o identificador PPPA-2026-IRIS2-UT-IND-READINESS, é uma ação preparatória da União Europeia focada num problema muito concreto: a prontidão industrial e a acessibilidade de custo dos futuros terminais de utilizador Ka-band para o programa de conectividade segura IRIS² e para o GOVSATCOM. O alvo é o segmento de terminais que opera com constelações de satélites não geostacionários em órbita baixa (LEO) e média (MEO).

O ponto de partida não é a investigação fundamental. É a engenharia de produção. A Comissão quer apoiar tecnologias e subsistemas suficientemente maduros para sustentar a industrialização a curto prazo, com pelo menos TRL 5 no arranque da ação e consistentes com cenários de produção na ordem das 1.000 unidades por mês à escala, num horizonte de vários anos.

Resultados que contam
Os outputs esperados são tangíveis: processos de produção qualificados, subconjuntos calibrados, unidades de pilot-run, cadeias de equipamento de fabrico validadas ou modelos de custo de produção. Entregáveis puramente analíticos, como estudos e relatórios de design, não são suficientes como output principal, podendo apenas complementar os anteriores.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A call situa-se na fronteira entre a maturação tecnológica e a capacidade de produzir em série. É precisamente essa transição que financia.

  • I&D e ciência: a maturação de processos de fabrico, calibração e teste de subsistemas de antena, modem e banda base exige trabalho de engenharia avançada para subir o nível de prontidão tecnológica das soluções europeias.
  • Investimento produtivo: o objetivo último é a capacidade de produção a baixo custo, com processos validados, equipamento de fabrico qualificado e cadeias de fornecimento que reduzam as dependências críticas de fontes não europeias.
Âmbito técnico

O que as propostas podem endereçar

As atividades têm de demonstrar uma ligação clara e credível ao custo, à manufaturabilidade ou à prontidão de implantação de um terminal Ka-band completo, alinhado com os caminhos de desenvolvimento de terminais 5G NR NTN. As propostas devem abordar uma ou mais das seguintes áreas:

  • Prontidão industrial do subsistema de antena: montagem, calibração e processos de teste. A antena é o principal fator de custo na produção de terminais Ka-band.
  • Processos e equipamento de fabrico: que melhorem o throughput, a repetibilidade e a redução do custo unitário.
  • Medidas de cadeia de fornecimento: que reduzam dependências críticas de fontes não europeias e reforcem a capacidade industrial europeia em componentes.
  • Prontidão industrial de modem e banda base: para soluções compatíveis com 5G NR NTN, incluindo caminhos de migração para arquiteturas de produção em volume.

A call cobre toda a gama de frequências Ka, tanto a comercial como a militar. Incentiva ainda o aproveitamento da comunalidade entre variantes governamentais e comerciais para maximizar volumes de produção e reduzir custos.

Enquadramento e prazos

Base normativa e calendário

A ação assenta na decisão de 26 de maio de 2026 que autoriza o uso de lump sums para as ações no âmbito da ação preparatória Innovative user terminals for European secure satellite communication service e no programa de trabalho de 2025 para a área do espaço, adotado pela decisão C(2025) 3868. O modelo de financiamento é por montante fixo (Lump Sum MGA).

Estado da call
À data desta ficha, a call consta como prevista (forthcoming) no Funding & Tenders Portal, com prazo de submissão indicado para 26 de agosto de 2026. O orçamento e os critérios de avaliação detalhados constam do call document e dos seus anexos, que devem ser consultados antes de avançar.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Esta é uma call muito especializada, dirigida a empresas e centros tecnológicos com competências reais em hardware de comunicações por satélite. Não é um instrumento generalista. Quem a deve olhar com atenção é o segmento da indústria portuguesa ligado ao espaço, à eletrónica de radiofrequência, às antenas e ao fabrico de precisão, um ecossistema pequeno mas em crescimento e com ligações a programas da Agência Espacial Europeia.

O critério que separa propostas vencedoras de propostas fracas é evidente no texto da call: a Comissão quer industrialização, não papers. Uma proposta competitiva tem de partir de tecnologia já madura, com TRL 5 ou superior, apontando a resultados de produção mensuráveis como custo unitário, throughput e processos qualificados. A dimensão de soberania tecnológica europeia, reduzindo dependências de fornecedores não europeus, é um argumento forte a explicitar.

Para uma empresa portuguesa, o caminho mais realista costuma ser entrar num consórcio europeu como fornecedor especializado de um subsistema, em vez de liderar sozinha. Vale a pena começar já a mapear parceiros e a posicionar a competência específica que se traz à mesa.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]