Contexto e relevancia

A preparacao para catastrofes como problema de comportamento, nao so de tecnologia

Os incendios florestais no sul da Europa, as inundacoes no centro e norte, os sismos na regiao mediteranica. A Europa enfrenta uma frequencia e intensidade crescentes de catastrofes naturais, agravadas pelas alteracoes climáticas. O paradoxo e bem documentado: mesmo em zonas de risco elevado e bem mapeadas, a preparacao individual e comunitaria permanece inadequada.

Este topico do Cluster 3 da Horizonte Europa - enquadrado no programa Disaster-Resilient Societies - financia investigação que aborda este problema pela raiz: nao a tecnologia de resposta a catastrofes, mas os mecanismos de percepcao de risco, mudanca de comportamento e preparacao antecipada das populacoes. O foco e a ciencia comportamental aplicada a resiliencia, com suporte de plataformas digitais, tecnologias imersivas e sistemas de apoio a decisao.

Portugal tem um posicionamento natural neste topico, dado o histórico de grandes incendios florestais e sismos. Entidades como a ANEPC (Autoridade Nacional de Emergencia e Proteção Civil), municipios com planos de emergencia ativos e centros de investigação em ciencias sociais ou gestão de risco dispõem do contexto operacional e academico que os consorcios mais competitivos precisam.

O que financia este topico

Quatro eixos de investigação integrados

O regulamento define quatro objetivos de resultado que os projetos devem abordar de forma coerente e integrada:

  • Ferramentas de monitorizacao e melhoria da consciencia de risco: desenvolvimento de metodologias que integrem perspetivas comunitarias diversas com tecnologias avancadas de percepcao e comunicação de risco, incluindo plataformas digitais e tecnologias imersivas (realidade aumentada, gemeos digitais, simulacoes de cenario).
  • Reforco da cultura de seguranca e resiliencia social: solucoes concretas para fortalecer a resiliencia de populacoes, com atencao especifica a grupos marginalizados ou vulneraveis que habitualmente recebem menos informacao de risco acessivel.
  • Planos de preparacao abrangentes e inclusivos: envolvendo todos os níveis de governacao (europeu, nacional, regional e local) e todos os setores da sociedade, com capacidade de coordenacao efetiva em cenario de crise real.
  • Quadros de resposta adaptativos: sistemas que melhorem a colaboracao entre autoridades públicas, comunidades e setor privado, incorporando avaliação de risco proxima do tempo real e sistemas de apoio a decisao com inteligencia artificial.
6M
Dotacao total do topico
3+
Organizações minimas no consorcio
3
Paises minimos representados
5
TRL esperado no final
Composicao obrigatoria do consorcio

Quatro perfis de organização obrigatorios

Este topico tem um dos conjuntos de requisitos de consorcio mais detalhados da call. O regulamento exige que o consorcio inclua, de forma obrigatoria e nao negociavel, quatro tipos de organização:

  • Mínimo 3 organizações de 3 Estados-Membros ou Paises Associados diferentes: a dimensao transnacional e obrigatoria, com representacao geografica que reflita a diversidade de contextos de risco na Europa.
  • Pelo menos 1 organização da sociedade civil (CSO): a presenca de uma organização nao-governamental ou associacao civica com ligacao direta a comunidades em risco e um requisito formal, nao opcional.
  • Pelo menos 1 autoridade responsavel pela gestão do risco de catastrofes: com responsabilidades legalmente definidas na area, como proteção civil nacional ou regional.
  • Pelo menos 1 organização representando autoridades locais ou regionais: municipios, comunidades intermunicipais ou regioes com competencias em planeamento de emergencia.

Consorcios compostos exclusivamente por PMEs nao sao elegiveis para este topico. A presenca de instituicoes de investigação academica nao e obrigatoria pelo regulamento, mas e habitual nos consorcios mais competitivos dado o carater de investigação (RIA) da acao.

Requisitos técnicos adicionais
Os projetos devem cumprir conformidade FAIR (Findable, Accessible, Interoperable, Reusable) na gestão de dados, alinhar-se com a Estrategia da Uniao de Preparacao da UE e incluir uma análise de partes interessadas e um roteiro de adocao de metodologia. A abertura da call esta prevista para 1 de janeiro de 2027, com prazo de submissão a 1 de abril de 2027.
Tecnologias e abordagens valorizadas

O que a Comissão quer ver nas propostas

O regulamento detalha com incomum especificidade as tecnologias e abordagens que espera ver nas propostas. Esta especificidade e um guia valioso para a escrita da proposta. As tecnologias explicitamente mencionadas incluem:

  • Plataformas digitais de envolvimento participativo: ferramentas que permitam a cidadaos contribuir ativamente para o mapeamento de riscos e a validacao de planos de preparacao.
  • Tecnologias imersivas: realidade aumentada e virtual para simulacoes de cenarios de catastrofe que aumentem a percepcao de risco sem exposicao real ao perigo.
  • Gemeos digitais e análise preditiva: sistemas de modelacao para antecipar comportamentos de catastrofes e simular respostas operacionais antes de eventos reais.
  • Sistemas de apoio a decisao com IA: para gestão centralizada de informacao e coordenacao eficiente entre partes interessadas em contexto de crise.
  • Insights comportamentais: investigação em psicologia social e ciencias comportamentais aplicada a mudanca de atitudes e comportamentos face ao risco.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este topico tem o prazo mais longo desta call (abril de 2027) e o menor montante por topico (6M EUR sem indicacao do número de projetos financiados), o que sugere um número reduzido de projetos selecionados com dotacoes individuais nao fixas. A competitividade e tipicamente elevada em topicos RIA de seguranca civil com este perfil.

Para entidades portuguesas, a vantagem comparativa e real: Portugal tem um dos historicos mais documentados de incendios florestais na Europa, com experiencias de resposta operacional que oferecem material empirico rico para investigação em comportamento de risco. Consorcios que incluam a ANEPC ou municipios com planos de emergencia implementados e avaliados saem com vantagem na avaliação de implementação.

O principal ponto de atencao e a composicao do consorcio: os quatro perfis obrigatorios (CSO, autoridade de proteção civil, autoridade local, entidades de tres paises) tornam a formacao do consorcio mais complexa do que em topicos tipicos. Recomendamos iniciar os contactos com parceiros europeus com pelo menos seis meses de antecedencia face ao prazo de submissão.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]