Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas ja nao estao abertas.
Programa LIFE e Transição Energética

A Digitalização das Redes de Distribuição como Prioridade Europeia

O Programa LIFE é o instrumento financeiro da União Europeia dedicado ao ambiente, à natureza e à ação climática. No seu subprograma de Transição para Energia Limpa (CET), o LIFE financia projetos de capacitação e implementação que acelerem a adoção de tecnologias e práticas de energia limpa, com especial enfoque em atores que não dispõem de acesso direto a fundos de investigação mais volumosos como o Horizonte Europa.

O tópico LIFE-2026-CET-DIGITAL, designado Smart Grid Academy, responde a uma lacuna crítica na transição energética europeia: a maioria dos Operadores de Sistemas de Distribuição (DSOs) não possui as competências digitais internas necessárias para implementar as tecnologias que a transição energética exige. Redes inteligentes, veículos elétricos, produção distribuída de energia renovável e resposta à procura em tempo real requerem capacidades de gestão de dados e de inteligência artificial que muitos DSOs ainda não têm.

Âmbito e Objetivos

O que a Call Financia

A Smart Grid Academy não financia o desenvolvimento de novas tecnologias. O seu propósito é capacitar os DSOs existentes para utilizarem as tecnologias digitais já disponíveis, através de formação, transferência de conhecimento e desenvolvimento de roteiros de digitalização personalizados. Esta distinção é fundamental para a elegibilidade das atividades.

€10M
Dotação total
95%
Cofinanciamento
€2M
Máx. por proposta
3+
Países mínimos

As áreas prioritárias identificadas no regulamento são quatro e as propostas devem cobrir pelo menos parte deste espectro de forma integrada:

  • Intercâmbio e interoperabilidade de dados: Capacitação para gestão de dados provenientes de múltiplas fontes distribuídas, incluindo produção renovável, armazenamento e veículos elétricos.
  • Observabilidade da rede elétrica: Ferramentas e competências para monitorização em tempo real do estado da rede, identificação de anomalias e gestão de fluxos de energia variáveis.
  • Aplicações de inteligência artificial: Implementação de soluções de IA para previsão de procura, deteção de falhas, otimização de operações e resposta automática a eventos de rede.
  • Capacitação digital de DSOs: Desenvolvimento de competências técnicas internas, formação de equipas e criação de roteiros de digitalização integrados nos planos de desenvolvimento de rede.
O que não é elegível
O desenvolvimento e a demonstração de novas tecnologias está expressamente fora do âmbito desta call. O LIFE-2026-CET-DIGITAL financia a disseminação e a capacitação para tecnologias já disponíveis, não a sua criação. Propostas que incluam componentes de investigação tecnológica original deverão ser endereçadas a instrumentos como o Horizonte Europa ou o Programa Europa Digital.
Elegibilidade e Consórcio

Quem Pode Candidatar-se e Como

O regulamento define requisitos específicos de composição consorcial que tornam este instrumento distinto das candidaturas LIFE mais generalistas. O envolvimento documentado e o compromisso formal dos DSOs é obrigatório, não opcional. Isto significa que uma proposta que não inclua DSOs como parceiros ou como beneficiários comprometidos com os objetivos do projeto não será elegível.

O consórcio deve incluir entidades de pelo menos três países elegíveis diferentes. Para ser competitivo, o projeto deve demonstrar que os mecanismos de transferência de conhecimento propostos são escaláveis e que cobrem um número substancial de DSOs, não apenas os parceiros directos do consórcio. A dimensão e a diversidade geográfica da cobertura são critérios de avaliação explícitos.

Estão habilitados a participar como parceiros ou beneficiários: DSOs, associações setoriais de operadores de energia, universidades e centros de investigação com especialização em energia e digitalização, fornecedores de tecnologia com soluções para smart grids e entidades de formação profissional no setor energético. Em Portugal, entidades como a E-REDES, o LNEG, o INESC TEC ou fornecedores de tecnologia para o setor elétrico têm perfil para participação neste tipo de candidatura.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O LIFE-2026-CET-DIGITAL é um instrumento com uma lógica de impacto clara e bem delimitada. A taxa de cofinanciamento de 95% é excepcionalmente elevada para o programa LIFE e torna este tópico muito atrativo em termos financeiros. O limite de €2 milhões por proposta, porém, impõe uma escala de projeto que pode ser insuficiente para consórcios ambiciosos, exigindo uma escolha cuidada das atividades a incluir e das exclusões estratégicas a fazer.

O elemento diferenciador de uma proposta competitiva será a qualidade e o compromisso do lado dos DSOs. Uma proposta que demonstre que os DSOs participantes vão efetivamente implementar os roteiros de digitalização desenvolvidos, com indicadores de progresso verificáveis, tem vantagem clara sobre propostas academicamente sólidas mas sem interlocutores operacionais comprometidos. A ligação entre a capacitação e a integração nos planos de desenvolvimento de rede é o critério mais difícil de satisfazer e, por isso, o mais valorizado.

Para entidades portuguesas, a participação num consórcio liderado por um operador de distribuição ou por uma associação europeia do setor pode ser uma via de entrada eficaz, contribuindo com componentes técnicos especializados em IA aplicada à energia ou em gestão de dados de smart grids.

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