Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas ja nao estao abertas.
Contexto Estratégico

Adaptação Climática como Imperativo Político e Financeiro

A adaptação às alterações climáticas deixou de ser uma opção estratégica para se tornar uma necessidade operacional. O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) confirma que, independentemente dos esforços de mitigação, a Europa enfrenta impactos climáticos crescentes nas próximas décadas: ondas de calor mais frequentes e intensas, eventos de precipitação extrema, subida do nível do mar, secas prolongadas e degradação dos ecossistemas costeiros e terrestres.

A call LIFE-2026-SAP-CLIMA, integrada no subprograma de Ação Climática do Programa LIFE, financia projetos que ajudem a alcançar a visão europeia de uma sociedade plenamente adaptada aos impactos climáticos até 2050. Os projetos SAP (Standard Action Projects) são o formato LIFE mais versátil, permitindo uma ampla gama de atividades desde investigação aplicada e implementação de soluções até comunicação, envolvimento de stakeholders e replicabilidade.

Áreas Elegíveis

Nove Domínios de Intervenção Prioritários

A call identifica nove áreas temáticas em que os projetos podem operar, de forma individual ou combinada. A amplitude temática é um dos pontos fortes deste instrumento, permitindo candidaturas de entidades muito diversas:

  • Políticas de adaptação climática: Implementação de planos de adaptação a nível local, regional ou sectorial, com mecanismos de monitorização e avaliação.
  • Avaliação do risco climático: Ferramentas e metodologias para quantificar e mapear vulnerabilidades climáticas em contextos urbanos, rurais e costeiros.
  • Soluções baseadas na natureza: Infraestrutura verde e azul para gestão de cheias, mitigação da ilha de calor urbana, proteção costeira e regulação hídrica.
  • Resiliência de infraestruturas e edifícios: Adaptação de infraestruturas críticas (energia, transportes, saúde) e do parque edificado a condições climáticas extremas.
  • Adaptação da agricultura e florestas: Variedades resilientes, práticas de gestão adaptativa, prevenção de incêndios e gestão sustentável de solos.
  • Gestão da água: Eficiência hídrica, reutilização de água tratada, gestão de aquíferos e adaptação a ciclos hidrológicos alterados.
  • Soluções clima-saúde: Sistemas de alerta precoce para riscos de saúde associados ao clima, adaptação de sistemas de saúde e proteção de populações vulneráveis.
  • Riscos compostos e em cascata: Análise e gestão de cenários em que múltiplos riscos climáticos se combinam e amplificam mutuamente.
  • Instrumentos financeiros: Inovação em mecanismos de financiamento para a adaptação, incluindo colaboração com o setor segurador.
€28M
Dotação total
9
Áreas temáticas elegíveis
2050
Horizonte estratégico UE
Critérios de Avaliação

O que Diferencia uma Proposta Competitiva

O regulamento identifica quatro critérios de seleção que orientam a avaliação das propostas. A sua leitura conjunta permite perceber o tipo de projeto que o instrumento pretende financiar:

Critérios de Seleção
Impacto ambiental e climático demonstrável; replicabilidade e potencial de transferência para outros contextos; contribuição para as metas climáticas da UE para 2050; envolvimento de stakeholders relevantes. O segundo critério, a replicabilidade, é frequentemente subestimado pelos candidatos e pode ser determinante na avaliação comparativa entre propostas de mérito semelhante.

A ênfase na replicabilidade significa que os projetos devem ser concebidos com uma lógica de disseminação incorporada: as soluções desenvolvidas devem ser transferíveis para contextos geográficos ou sectoriais diferentes, com documentação de metodologias e lições aprendidas que permita a replicação por terceiros sem dependência do consórcio original.

Elegibilidade

Quem Pode Candidatar-se

O Programa LIFE tem uma política de elegibilidade ampla, aberta a entidades públicas e privadas dos países membros da UE e de países associados. Organizações sem fins lucrativos, autarquias locais, agências governamentais, universidades, empresas privadas e associações sectoriais podem candidatar-se individualmente ou em consórcio. Não há requisito mínimo de número de parceiros nos SAP, embora consórcios com parceiros de múltiplos países e de diferentes perfis (público, privado, sociedade civil) tendam a ser mais competitivos.

Em Portugal, o potencial é significativo. O país enfrenta vulnerabilidades climáticas acrescidas, nomeadamente em matéria de seca, incêndios rurais, erosão costeira e stress hídrico, que constituem contextos ideais para projetos de adaptação com forte impacto demonstrável. Entidades como autarquias com planos municipais de adaptação climática, agências de água, organizações do setor florestal e empresas de engenharia ambiental têm um perfil de elegibilidade natural para este instrumento.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O prazo de 5 de maio de 2026 é o elemento mais crítico desta call. Com menos de duas semanas de antecedência à data desta publicação, entidades que não tenham uma proposta já em desenvolvimento avançado dificilmente conseguirão preparar uma candidatura competitiva a tempo. O LIFE-SAP é um instrumento que requer proposta bem fundamentada, com logframe de impacto desenvolvido, parcerias confirmadas e orçamento detalhado.

Para quem já tem trabalho preparatório em curso, o instrumento é muito atrativo: sem tecto de financiamento definido por proposta nos SAP standard, as organizações com projetos de escala média a grande podem aceder a volumes de financiamento significativos. A amplitude temática das nove áreas elegíveis é uma vantagem, mas também um risco: propostas demasiado abrangentes que tentam cobrir várias áreas sem profundidade em nenhuma tendem a ser penalizadas na avaliação.

O critério de replicabilidade é o argumento que mais frequentemente faz a diferença entre uma proposta aprovada e uma rejeitada com pontuações semelhantes nos restantes critérios. Recomendamos que as entidades em fase de preparação articulem explicitamente como as soluções propostas podem ser adoptadas noutros municípios, regiões ou países, com identificação de potenciais utilizadores finais além do consórcio.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]