O que é

Um clube de business angels com modelo de pitch trimestral

O Lisbon Business Angels Club, conhecido pela sigla BADC (Business Angels Development Club), é uma associação privada sem fins lucrativos sediada em Lisboa. O seu propósito é mediar o encontro entre empreendedores em fase inicial e investidores individuais com capacidade e disponibilidade para entrar como business angels nos seus projetos.

O clube opera num modelo simples e tradicional. Realiza cerca de quatro sessões anuais, em que apresenta tipicamente seis oportunidades por sessão, num total aproximado de vinte e quatro projetos por ano. As sessões são presenciais, apenas para membros investidores e cada empreendedor convidado faz um pitch curto seguido de Q&A.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O BADC é um instrumento de capital de fase inicial dirigido a empresas portuguesas que ainda não têm escala para atrair fundos institucionais e que precisam de combinar capital com mentoria experiente.

  • Arranque e validação: o BADC posiciona-se na fase pré-seed e seed inicial, em que os fundos institucionais raramente entram. Empreendedores com produto numa fase de validação de mercado ou de tração inicial encontram aqui investidores dispostos a apoiar com cheques individuais e com tempo de mentoria, que é tão crítico como o capital propriamente dito.
  • Capitalização e crescimento: para projetos que já tenham passado a fase de validação e procurem reforço de capital próprio antes de uma ronda institucional, o clube oferece acesso a um conjunto agregado de membros investidores que podem co-investir em sindicato, ainda que de forma informal.
Como funciona

O modelo do clube

A estrutura do BADC distingue-se de fundos institucionais e de redes maiores como a APBA pela sua dimensão concentrada. A associação cobra uma quota anual de 100 euros aos membros investidores, valor que é simbólico mas que materializa o compromisso. Em troca, os membros têm acesso às sessões de pitch e aos seminários organizados pelo clube.

Os empreendedores submetem o seu projeto através do processo do clube. O clube faz uma seleção prévia e convida os promotores selecionados a apresentar em sessão presencial. Após o pitch, os membros decidem individualmente se avançam com proposta de investimento. Não há um veículo coletivo do clube: cada angel investe diretamente, ainda que possa formar sindicatos informais com outros membros para partilhar ticket e due diligence.

O que o BADC não é
O BADC não é um fundo de venture capital nem um veículo coletivo de investimento. Não há ticket fixo do clube nem volume mínimo de capital comprometido por sessão. Cada investimento decorre da decisão individual de cada membro. Para empreendedores acostumados a interagir com VCs ou aceleradoras, esta lógica exige adaptação: o pitch tem de funcionar para um público de pares heterogéneos, com tickets, expectativas e timelines diferentes.
4
Sessões anuais
~24
Projetos avaliados/ano
100€
Quota anual investidor
Posicionamento

Encaixe no ecossistema português

O ecossistema português de business angels conta hoje com várias estruturas, desde redes nacionais como a APBA, fundos cogeridos com participação pública através da FNABA ou IFD, plataformas de crowdfunding equity como a Seedrs ou a Raize, até clubes locais como o BADC, o Invicta Angels no Porto ou o Core Angels Atlantic. A particularidade do BADC é a concentração geográfica em Lisboa e a escala humana das suas sessões.

Para empreendedores baseados na Grande Lisboa e cujo perfil de financiamento se enquadra em tickets pequenos a médios típicos de business angels, o BADC oferece uma porta de entrada relativamente acessível. Para projetos cuja necessidade de capital seja superior, o BADC pode ainda funcionar como ponto de partida para construir uma cap table inicial que dá credibilidade a uma ronda institucional posterior.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O BADC tem a virtude e o limite das estruturas pequenas. A virtude é que permite uma relação direta entre empreendedor e investidor, sem intermediários institucionais. O limite é que o ticket agregado por sessão tende a ser modesto e que a heterogeneidade dos membros torna difícil prever o resultado de uma sessão antes do dia.

Para empreendedores em fase pré-seed que precisem entre cinquenta e duzentos e cinquenta mil euros para o primeiro ano de operação, o BADC vale a pena explorar, sobretudo se o projeto tiver natureza local ou setor onde os membros tenham experiência operacional. Para projetos deep tech, biotech ou saúde, que exigem cheques maiores e longos prazos, o canal mais eficaz tende a ser o venture capital especializado, com o BADC como complemento posterior.

A Open Capital trabalha frequentemente na estruturação de rondas de capital pré-seed e seed, incluindo preparação para apresentação a clubes de business angels, redes formais e fundos institucionais. Vale a pena uma sessão de enquadramento antes de submeter o projeto, para clarificar valuation, narrativa e perfil de investidor mais adequado.

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