Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas já não estão abertas.
Enquadramento

O que é o Prémio João Monjardino

O Prémio João Monjardino é uma distinção anual instituída pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia em cooperação com a Fundação Professor Francisco Pulido Valente. Foi criado pelo Regulamento n.º 736/2021, publicado no Diário da República a 6 de agosto de 2021 e destina-se a reconhecer o mérito de trabalho científico realizado no domínio das Ciências Biomédicas e da Saúde.

A mecânica é simples e distingue este instrumento da generalidade dos apoios que acompanhamos. Não se financia um projeto futuro nem se avalia um plano de trabalhos: premeia-se um artigo já publicado, ou já aceite para publicação, numa revista da especialidade. O objeto da candidatura é uma peça de investigação concluída e validada por revisão de pares.

O montante é de 10.000 euros, suportado em partes iguais pelas duas fundações e pago numa única prestação. Cada edição fixa um tema específico, definido no edital de abertura. A edição de 2026 centra-se em "Multimorbilidade e Fragilidade no Idoso: Desafios Clínicos e Terapêuticos", um domínio que cruza medicina interna, geriatria, neurociência e organização de cuidados de saúde.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O Prémio João Monjardino cobre duas necessidades que raramente aparecem juntas no ecossistema português de apoios. Reconhece produção científica já concluída, o que o coloca no eixo dos prémios e da visibilidade institucional. Premeia ao mesmo tempo investigação biomédica em sentido estrito, o que o liga ao eixo da I&D e da ciência. A combinação explica porque este instrumento surge nos dois filtros da nossa biblioteca.

  • Prémios e visibilidade: a distinção é entregue em sessão pública, com uma conferência proferida pelo próprio premiado sobre o tema do concurso. Para um investigador em início de carreira, o valor reputacional dessa exposição junto do júri e da comunidade biomédica nacional tende a superar o valor monetário do subsídio.
  • I&D e ciência: os critérios de avaliação incidem sobre a qualidade científica do artigo, a pertinência do estudo e a contribuição efetiva do candidato para o trabalho. O prémio recompensa investigação clínica e experimental de base, não atividades de divulgação, formação ou transferência de tecnologia.
Elegibilidade

Quem pode candidatar-se

O universo de candidatos é estreito e definido por três condições cumulativas. O candidato tem de ter menos de 35 anos à data de submissão da candidatura, tem de estar integrado numa instituição do sistema científico e tecnológico nacional e tem de ser primeiro autor do artigo, ou coautor com contribuição reconhecida na publicação como idêntica à do primeiro autor.

Esta última condição merece atenção. Em investigação biomédica é comum a coautoria partilhada, mas o regulamento exige que a paridade de contribuição esteja expressamente reconhecida na própria publicação. Não basta afirmá-la na candidatura: tem de constar do artigo. Quem não cumpra este requisito formal fica excluído independentemente da qualidade do trabalho.

Sem limite de ano de publicação
O aviso de 2026 dispensa expressamente qualquer restrição quanto ao ano de publicação do artigo. Um trabalho publicado há vários anos é admissível, desde que o candidato cumpra o limite de idade à data de submissão. Este ponto alarga o universo elegível de forma significativa face a prémios científicos com janelas de publicação fechadas.

É admitido um único trabalho original por candidato. Artigos ainda não publicados podem concorrer, mediante prova documental da aceitação por parte da revista. A candidatura exige ainda uma carta do responsável do grupo de investigação a confirmar que o trabalho foi realizado no seu laboratório ou instituição e a descrever a contribuição concreta do candidato.

Tema da edição

Multimorbilidade e fragilidade no idoso

O tema escolhido para 2026 não é neutro. A multimorbilidade designa a coexistência de várias doenças crónicas no mesmo doente. A fragilidade designa a perda de reserva fisiológica e a vulnerabilidade acrescida a eventos adversos. Juntas, constituem hoje o principal desafio clínico e organizacional dos sistemas de saúde europeus com populações envelhecidas.

A composição do júri sinaliza a leitura que a FCT e a Fundação Pulido Valente fazem do tema. Estão representadas a neurologia e o envelhecimento cerebral, a bioquímica e a biologia molecular do envelhecimento, a medicina interna e a geriatria clínica e ainda a eletrofisiologia cardíaca. É um júri deliberadamente transversal, o que sugere abertura a trabalhos de perfis muito distintos, desde a investigação fundamental sobre mecanismos de envelhecimento até estudos clínicos sobre gestão terapêutica de doentes complexos.

Para investigadores cujo trabalho toca este território sem estar formalmente rotulado como geriatria, vale a pena testar o enquadramento. Estudos sobre polimedicação, sobre trajetórias de doença crónica, sobre desfechos funcionais em doentes idosos ou sobre biomarcadores de fragilidade cabem razoavelmente no âmbito definido pelo edital.

Avaliação

Como são avaliadas as candidaturas

A avaliação assenta em três critérios fixados no regulamento e reproduzidos no aviso de 2026.

CritérioO que pesa na prática
Qualidade científica do artigoRobustez metodológica, solidez dos resultados e posicionamento da revista na especialidade.
Pertinência e relevânciaAlinhamento do estudo com o tema da edição e utilidade clínica ou científica dos resultados obtidos.
Contributo do candidatoPapel efetivo no trabalho publicado, aferido pela posição na autoria e pela carta do responsável do grupo.

O júri pode pedir esclarecimentos escritos aos candidatos e reserva-se o direito de propor a não atribuição do prémio se nenhum dos trabalhos satisfizer os requisitos de qualidade e inovação. Os membros em situação de conflito de interesses, entendido como laço familiar ou profissional direto com um candidato, devem abster-se de votar. O projeto de resultados é divulgado até 90 dias úteis após a data-limite de submissão.

Calendário

Prazos da edição de 2026

06jul
Abertura de candidaturas
30set
Encerramento, 17h00 Lisboa
90dias
Prazo úteis até resultados

As candidaturas são submetidas em formulário eletrónico próprio disponibilizado pela FCT. Candidaturas incompletas ou submetidas fora de prazo não são aceites, sem margem de recuperação. O prazo de 30 de setembro de 2026 fixa-se às 17h00 de Lisboa e não ao final do dia.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um instrumento de baixo custo de oportunidade e elevado retorno reputacional. A candidatura assenta em trabalho já feito e o esforço adicional resume-se à reunião de três documentos, sem elaboração de memória descritiva, orçamento ou plano de trabalhos. Para um investigador elegível cujo artigo se enquadre no tema, a decisão de concorrer raramente precisa de grande deliberação.

O erro mais comum em prémios desta natureza é de natureza formal e não científica. Duas condições eliminam candidaturas todos os anos: a idade aferida à data de submissão e não à data de publicação do artigo; o reconhecimento expresso da contribuição paritária no caso dos coautores. Vale a pena confirmar ambos os pontos antes de investir tempo na preparação do processo.

A carta do responsável do grupo de investigação é o elemento onde há margem real para diferenciação. O júri usa-a para aferir o terceiro critério de avaliação, o contributo do candidato. Uma carta genérica de confirmação institucional cumpre o requisito mas não acrescenta valor. Uma carta que descreva com precisão que partes do desenho experimental, da análise ou da redação couberam ao candidato responde diretamente àquilo que o júri procura medir.

Uma nota final de contexto para instituições. Para centros de investigação e unidades hospitalares com investigadores jovens em envelhecimento e doença crónica, este prémio funciona como um sinalizador anual de talento interno a custo zero. Vale a pena que os coordenadores de grupo identifiquem proativamente candidatos elegíveis em vez de esperar que a iniciativa parta de cada investigador.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]