O que é a Rede de Fornecedores Inovadores
A Rede de Fornecedores Inovadores nasce da Medida 27 do programa Acelerar a Economia e tem um propósito claro: aumentar a participação de PME e centros de investigação nacionais no fornecimento dos grandes polos industriais instalados em Portugal. A ideia parte de uma constatação simples. Em torno de uma ou de poucas empresas de dimensão relevante, fortemente exportadoras, formam-se ecossistemas de fornecedores locais que ganham escala, qualificam-se e criam emprego. O objetivo da medida é tornar essa dinâmica de clusterização mais profunda e mais nacional.
Este aviso é, em rigor, uma manifestação de interesse. Não distribui diretamente financiamento. Serve para identificar e selecionar as chamadas Empresas Nucleares, ou seja, as grandes empresas âncora cujas cadeias de valor justificam um esforço estruturado de capacitação de fornecedores nacionais. As empresas selecionadas veem depois o seu Plano Estratégico de Intervenção traduzido em avisos específicos do Portugal 2030, dirigidos ao financiamento das iniciativas contratualizadas.
Necessidades que este instrumento resolve
A Rede de Fornecedores Inovadores cruza três necessidades empresariais que raramente aparecem juntas no mesmo instrumento, o que explica o seu posicionamento singular no Portugal 2030.
- I&D e ciência: a medida pressupõe que a integração de PME nas cadeias exigentes das empresas âncora obriga a saltos tecnológicos, com cooperação reforçada com centros de I&D e transferência de conhecimento para o tecido produtivo.
- Internacionalização: ao ligar fornecedores nacionais a empresas de forte vocação exportadora e inseridas em cadeias de valor globais, a iniciativa abre às PME um caminho de acesso indireto a mercados externos exigentes.
- Investimento produtivo: a segunda fase mobiliza tipologias de investimento empresarial, qualificação e capacidade produtiva, para que os fornecedores selecionados consigam responder aos critérios de exigência das empresas nucleares.
Quem se pode candidatar a Empresa Nuclear
Esta manifestação de interesse dirige-se exclusivamente a grandes empresas com peso estruturante na economia. As candidaturas são apresentadas por uma única Empresa Nuclear, que tem de cumprir, em simultâneo, um conjunto de requisitos:
- Dimensão e perfil: grandes empresas inovadoras e internacionalmente competitivas, atuando como fornecedores Tier 1 ou OEM nas suas cadeias de produção.
- Volume de negócios: faturação anual superior a 50 milhões de euros, aferida pela média dos últimos três anos.
- Intensidade exportadora: exportações superiores a 50% da atividade, refletindo procura internacional efetiva.
- Estratégia coerente: apresentação de uma estratégia global que identifique as necessidades de reforço nacional da cadeia de produção visada.
A localização não constitui barreira. As Empresas Nucleares podem situar-se em qualquer região de Portugal continental, bastando ter um estabelecimento legalmente constituído numa das regiões apoiadas.
Um modelo em duas fases
A iniciativa está desenhada em duas fases articuladas. A primeira é a presente seleção, que avalia o Plano Estratégico de Intervenção de cada empresa âncora. A segunda materializa o apoio financeiro, já depois de selecionada a empresa, através de avisos específicos do Portugal 2030 dirigidos às Empresas Nucleares e à sua rede de fornecedores.
O Plano Estratégico é o documento central da candidatura. Nele, a empresa descreve o plano de investimento a dois anos e os investimentos âncora em execução, identifica a sua rede de fornecedores nacionais e propõe-se aumentar o número de fornecedores localizados em Portugal ou o volume de compras nacionais. Diagnostica ainda as necessidades de capacitação dessa rede e contratualiza metas de impacto, do valor acrescentado nacional às exportações, da criação de emprego qualificado à contribuição para a neutralidade carbónica.
Como é medido o mérito
A seleção assenta no indicador de Mérito do Projeto, calculado de forma simples mas reveladora das prioridades da medida. A coerência da estratégia pesa 30%, enquanto os resultados previstos pesam 70%. A fórmula é a seguinte:
| Componente | Peso | O que avalia |
|---|---|---|
| A. Coerência do Plano | 30% | Qualidade e relevância estratégica da proposta na cadeia global de produção visada |
| B. Resultados previstos | 70% | Compras a fornecedores nacionais, inovação dos bens incorporados, valor acrescentado, exportações e emprego qualificado |
As pontuações variam entre 1 e 5. A candidatura só é aceite com um Mérito do Projeto igual ou superior a 3,00. A decisão é comunicada no prazo de 30 dias úteis a contar da data limite de apresentação.
As tipologias de apoio da segunda fase
Selecionado o Plano Estratégico, o COMPETE 2030 lança os avisos necessários ao financiamento das iniciativas aprovadas. As tipologias de operação mobilizáveis no âmbito do Portugal 2030 cobrem praticamente todo o ciclo de desenvolvimento de um fornecedor industrial:
- I&D empresarial e em copromoção: projetos individuais ou em consórcio com centros de I&D.
- Investimento empresarial produtivo e qualificação PME: capacidade produtiva e competências de gestão.
- Internacionalização e formação: acesso a mercados e qualificação de recursos humanos.
- Eficiência energética, investimento verde e circularidade: descarbonização e produção mais sustentável.
O que recomendamos
Este não é um aviso de financiamento direto, distinção que é a primeira coisa a interiorizar. O que está em jogo nesta fase é uma posição de liderança num futuro programa de capacitação de fornecedores. Para uma grande empresa âncora, o valor estratégico está menos no apoio imediato e mais na capacidade de moldar, com fundos públicos, a robustez e a inovação da sua própria cadeia nacional.
A qualidade do Plano Estratégico é, por isso, decisiva. Dado que os resultados previstos pesam 70% do mérito, propostas vagas em metas concretas dificilmente passam o limiar. As candidaturas vencedoras tendem a quantificar com rigor o aumento de compras nacionais, a substituição de importações e a criação de emprego qualificado. Para as PME fornecedoras, o conselho é antecipar a conversa com as suas empresas âncora, porque é nesta fase que se desenha quem beneficiará dos avisos específicos que se seguirão.
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