O que é

Formação digital para quem está fora do mercado

O Programa Jovem + Digital é uma componente do ATIVAR.PT, o pacote alargado do IEFP que combina formação profissional, estágios e apoios à contratação. Especificamente, esta medida cobre formação em competências digitais para jovens entre os 18 e os 35 anos inscritos como desempregados, financiando totalmente a formação e atribuindo bolsa, alimentação e transporte enquanto dura.

A lógica do programa é fechar o défice de competências digitais entre o que o mercado de trabalho português procura (programação, dados, automação, ferramentas digitais de produtividade, segurança da informação) e o que jovens com 12.º ano ou habilitação superior conseguem oferecer ao saírem do sistema de ensino sem trajetória técnica clara.

A base regulamentar é a Portaria n.º 250-A/2020 e a formação é estruturada em Unidades de Formação de Curta Duração (UFCD) que, ao serem concluídas com aproveitamento, geram certificação reconhecida no Sistema Nacional de Qualificações.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O Jovem + Digital cobre a interseção de duas necessidades muito específicas: requalificação digital e ativação de jovens que perderam ligação ao mercado de trabalho.

  • Digitalização e IA: a formação foca-se em competências digitais aplicadas, com ações desenhadas para responder a procura efetiva de mercado em programação, dados, ferramentas de gestão, marketing digital e segurança. A certificação UFCD cumpre o standard nacional, o que facilita a posterior empregabilidade.
  • Formação e qualificação: ao contrário do Cheque-Formação, o Jovem + Digital é dirigido ao formando individualmente, é gratuito para quem frequenta e inclui bolsa que retira a barreira financeira à participação. Para muitos jovens, é a única forma viável de aceder a formação técnica fora do sistema de ensino formal.
Quem pode aceder

Perfil do formando

A elegibilidade combina três critérios cumulativos:

  • Idade: entre 18 e 35 anos no momento da inscrição.
  • Situação: inscritos no IEFP como desempregados, com qualquer tempo de inscrição (não há mínimo de meses, ao contrário de outras medidas).
  • Habilitações: 12.º ano completo, habilitação de nível superior, ou em fase de conclusão de processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) de nível secundário.

A combinação destas três condições cria um perfil específico: jovens com escolaridade média ou superior que, por trajetória ou contexto, não estão a trabalhar e querem reposicionar-se através de competências digitais. É um perfil distinto do que o Cheque-Formação cobre (qualquer ativo, qualquer idade).

Quanto vale

Custos e apoios

O programa é totalmente gratuito para o formando. As despesas elegíveis cobertas pelo IEFP incluem:

  • Custos da formação profissional: totalidade do custo da ação de formação, paga diretamente à entidade formadora pelo IEFP.
  • Bolsa de formação: atribuída ao formando enquanto frequenta a ação, nos termos da regulamentação aplicável.
  • Subsídio de alimentação: coberto durante o período da formação.
  • Despesas de transporte: reembolso de custos de deslocação para o local da formação.

Os montantes específicos da bolsa, subsídio e transporte são publicados em avisos próprios e podem variar entre ações e edições do programa, em função da carga horária e da dispersão geográfica das ações.

Como aprovar

Critério de seleção e candidatura

A aprovação é feita por ordem de inscrição até esgotar as vagas disponíveis em cada ação de formação. Não há júri qualitativo nem ranking de candidatos, o que torna o processo simples mas competitivo: vagas em ações populares (sobretudo programação e dados) tendem a esgotar rapidamente após a abertura.

A candidatura é submetida no portal iefponline ou diretamente nos centros de emprego locais e a verificação de elegibilidade incide sobre os três critérios cumulativos (idade, inscrição como desempregado, habilitações).

Para que tipo de empresa

Onde isto importa para um empregador

O Jovem + Digital não é diretamente candidatável por empresas, mas é instrumental para o lado da oferta de talento qualificado. Para PME que recrutam júniores em áreas digitais e enfrentam dificuldade em encontrar perfis com 12.º ano completo e competências técnicas mínimas, o universo de formandos do Jovem + Digital é uma fonte de candidatos motivados, certificados em UFCD e disponíveis para entrar no mercado de trabalho.

Há também uma articulação prática com a Medida +Emprego e a Emprego +Talento: jovens recém-formados pelo Jovem + Digital permanecem inscritos no IEFP e a sua contratação posterior pelo empregador pode beneficiar do apoio à contratação, sobretudo se o jovem tiver perfil para a Emprego +Talento (qualificação superior). É a conjugação dos dois instrumentos que multiplica o efeito para a empresa.

Articulação prática
Para empresas com necessidades de recrutamento júnior em áreas digitais, vale a pena estabelecer contacto com centros de emprego locais e perceber o calendário de conclusão de turmas Jovem + Digital relevantes para o vosso negócio. O timing entre conclusão da formação e abertura de vagas pode reduzir significativamente o tempo médio de recrutamento.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O Jovem + Digital é um dos programas mais relevantes do IEFP para empresas que dependem de talento júnior em áreas tecnológicas, embora o seu valor não seja imediatamente óbvio do lado do empregador. Para o jovem desempregado, é um instrumento direto e gratuito de requalificação. Para a empresa, é uma fonte estruturada de talento certificado, com idade alinhada com perfis de júnior e que se articula naturalmente com os apoios à contratação que já analisamos noutras fichas.

A nossa recomendação é dupla. Para jovens entre 18 e 35 anos com 12.º ano que estejam fora do mercado de trabalho ou em situação de subemprego, o programa é praticamente sempre racional, sobretudo em ações alinhadas com a procura de mercado (programação, dados, ferramentas digitais, segurança). Para empresas que recrutam júniores em massa, vale a pena tratar o Jovem + Digital como pipeline de candidatos: estabelecer relação com entidades formadoras e centros de emprego locais, antecipar o calendário de conclusão das turmas e cruzar com a candidatura à Emprego +Talento para o mesmo trabalhador. A sobreposição destes dois instrumentos cria uma estrutura de custo de contratação muito favorável que poucos empregadores estão a usar de forma sistemática.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]