Acesso competitivo a infraestrutura nacional de computação avançada
O Concurso de Projetos de Computação Avançada da FCT é o mecanismo formal pelo qual equipas de investigação, instituições de I&D e empresas em atividade pré-comercial acedem à Rede Nacional de Computação Avançada (RNCA). O acesso é gratuito: não há subsídio monetário, mas a alocação de recursos computacionais de alta performance representa um valor operacional significativo que, a preços de mercado, equivaleria a dezenas ou centenas de milhares de euros por projeto.
A 6ª edição do concurso abre o Lote E com as tipologias A0 (Acesso Experimental) e A1 (Acesso ao Desenvolvimento), destinadas a equipas que pretendem iniciar ou consolidar a utilização de supercomputação, IA computacional ou computação em nuvem científica. O concurso é gerido pela FCT em coordenação com a FCCN, que opera a infraestrutura da RNCA.
Necessidades que este instrumento resolve
Este concurso responde a duas necessidades concretas das organizações com atividade científica ou de inovação computacionalmente intensiva: acesso a infraestrutura de I&D sem custo direto, e capacidade de digitalizar ou escalar projetos de IA e simulação que excedem os recursos locais disponíveis.
- I&D e ciência: o concurso foi concebido para suportar investigação científica que requer capacidade computacional massiva, incluindo modelação climática, simulações moleculares, processamento de grandes datasets científicos e treino de modelos de aprendizagem automática para fins académicos ou de inovação.
- Digitalização e IA: empresas e Digital Innovation Hubs que desenvolvem soluções de IA em fase pré-comercial podem candidatar-se, desde que o projeto envolva investigação e não aplicação comercial direta. O acesso às plataformas GPU do Deucalion e do MareNostrum 5 elimina uma barreira crítica de investimento em infraestrutura.
A0 e A1: para quem é cada uma
As duas tipologias do Lote E destinam-se a perfis distintos, com limites de recursos e durações diferenciados.
| Tipologia | Objetivo | Duração | CPU (core.hours) | GPU (horas) |
|---|---|---|---|---|
| A0 — Experimental | Testar e explorar a RNCA pela primeira vez | 3 a 6 meses | Até 50.000 | Até 500 |
| A1 — Desenvolvimento | Otimizar código, testar escalabilidade, benchmarking | 3 a 12 meses | Até 100.000 | Até 5.000 |
A tipologia A0 é exclusivamente para equipas sem experiência prévia na RNCA: não é possível ter submetido candidaturas anteriores a esta tipologia na mesma instituição. A A1 é orientada para equipas que já têm código e pretendem otimizá-lo para ambientes de alta performance, incluindo paralelização, refatoração e testes de escalabilidade.
Três modelos computacionais, três plataformas
A RNCA disponibiliza acesso a três tipos de recursos computacionais, consoante o perfil do projeto:
- HPC (High Performance Computing): processamento paralelo massivo, acesso a nós GPU, máquinas de memória elevada. Plataformas: Deucalion (supercomputador petascale nacional, Universidade do Minho, membro do EuroHPC) e MareNostrum 5 (Barcelona Supercomputing Center, via acordos bilaterais RNCA).
- IA (Artificial Intelligence Computing): suporte a workloads de machine learning e deep learning, análise de dados em larga escala, treino de grandes modelos. Utiliza os nós GPU do Deucalion e do MareNostrum 5.
- SCC (Scientific Cloud Computing): aplicações complexas, web services, bases de dados, máquinas virtuais e containers, ambientes de investigação virtual. Plataforma Cirrus+.
Quem pode candidatar-se
O concurso tem uma base elegível ampla. Podem candidatar-se, individualmente ou em co-promoção:
- Instituições de investigação e desenvolvimento (I&D)
- Laboratórios colaborativos e centros de interface tecnológica
- Infraestruturas e redes de ciência e tecnologia
- Digital Innovation Hubs (DIHs)
- Organizações públicas e privadas sem fins lucrativos com atividade de I&D
- Empresas com projetos de investigação pré-comercial (com restrições de quota)
- Investigadores individuais a desenvolver atividade em Portugal
As candidaturas são submetidas em inglês, exclusivamente através do portal myFCT, com integração obrigatória do CienciaVitae para documentação curricular. O processo de avaliação no Lote E é simplificado: não há pontuação numérica final, apenas classificação binária (Aceite / Não Aceite) baseada em três critérios técnicos: adequação técnica aos recursos, razoabilidade dos recursos solicitados e plano de utilização.
O que recomendamos
O Concurso de Computação Avançada é frequentemente subestimado por organizações que não têm tradição em HPC. O valor estratégico do acesso gratuito ao Deucalion, que compete com as maiores máquinas europeias no âmbito do EuroHPC, vai bem além da capacidade computacional imediata: estabelece credenciais na RNCA que facilitam acesso às tipologias A2 e A3 em edições seguintes, onde os volumes de recursos sobem para dezenas de milhões de core.hours.
Para equipas que trabalham com modelos de IA de grande escala, a tipologia A1 é particularmente relevante: 5.000 horas de GPU representam capacidade de treino que, em infraestrutura comercial, custaria entre €50.000 e €150.000, dependendo das especificações. O investimento na candidatura é apenas o tempo de preparação.
Dois pontos críticos a ter em conta: o prazo de 15 de setembro não é extensível e o Lote E fecha assim que as quotas computacionais se esgotam, o que pode acontecer antes da data nominal. Equipas com projetos maduros devem submeter nas primeiras semanas de abertura. Projetos sem antecedentes na RNCA devem optar pela A0 como estratégia de entrada, mesmo que a ambição seja maior.
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