Contexto

Da escala experimental a grande computacao

Enquanto as tipologias A0 e A1 se destinam a projetos em fase inicial ou de desenvolvimento, as tipologias A2 e A3 do Concurso FCT de Computacao Avancada (6a edicao) visam equipas com experiencia consolidada que necessitam de volumes significativos de recursos computacionais. O Lote D deste concurso esta aberto entre 15 de marco e 15 de maio de 2026, com submissão via plataforma myFCT em lingua inglesa.

A diferenca entre A2 e A3 nao e apenas quantitativa: A3 implica projetos de grande envergadura com planeamento detalhado de utilização, habitualmente associados a simulacoes climáticas, modelacao molecular de larga escala, treino de grandes modelos de linguagem ou processamento de dados genomicos massivos.

Volumes de Acesso

A2 vs A3: escala e perfil de projeto

Tipologia Perfil CPU core.horas Duracao
A2 Acesso regular (equipa com experiencia) 100.000 a 3.000.000 ate 12 meses
A3 Acesso maior dimensao (grandes projetos) 3.000.000 a 30.000.000 ate 12 meses
3M
CPU core.h max (A2)
30M
CPU core.h max (A3)
12
Meses de duracao max

A candidatura A2 e adequada para grupos de investigação com histórico de utilização de HPC, que transitam de projetos menores para escala de produção. A A3 exige justificacao técnica mais robusta e e tipicamente submetida por consórcios ou grandes grupos com projetos multidisciplinares.

Elegibilidade

Quem pode aceder as tipologias A2 e A3

O universo de entidades elegíveis e identico ao das tipologias A0 e A1, mas a exigencia de experiencia consolidada na equipa e um fator de diferenciacao determinante na fase de validacao técnica.

  • Instituicoes de I&D e laboratorios: universidades, centros nacionais de investigação, laboratorios colaborativos e associados
  • Infraestruturas e redes de ciencia: consorcios tecnologicos, Polos de Inovação Digital, infraestruturas ESFRI reconhecidas
  • Empresas: elegíveis em projetos pre-concorrenciais, com limite de 50% da dotacao total do lote
  • Investigadores individuais: pessoas singulares a exercer atividade de investigação em Portugal
Criterio chave para A2 e A3
O regulamento exige que a equipa candidata demonstre experiencia previa consolidada no uso de recursos de computacao avancada. Candidaturas de equipas sem histórico de utilização HPC/GPU/SCC serao provavelmente rejeitadas na validacao técnica. Organizações sem esse histórico devem comecar pela tipologia A0 ou A1.
Modelos Computacionais

Recursos disponiveis na RNCA

Os tres modelos computacionais da Rede Nacional de Computacao Avancada sao acessiveis nas tipologias A2 e A3, com a mesma logica aplicada nas tipologias de menor escala. A escolha do modelo deve ser tecnicamente justificada na candidatura.

  • HPC (High Performance Computing): simulacao numerica, dinamica de fluidos, modelacao molecular, astronomia computacional, climatologia
  • IA (Inteligencia Artificial): treino de modelos de grande escala, redes neurais profundas, processamento de linguagem natural, visão computacional
  • SCC (Scientific Cloud Computing): análise de dados genomicos, bioinformatica, processamento de imagem médica, workloads hibridas
Avaliação

Validacao técnica simplificada, mas exigente em A3

Tal como nas tipologias A0 e A1, a avaliação de A2 e A3 segue um processo de validacao técnica simplificada, sem painel científico formal. O resultado e binario: "Aceite" ou "Nao Aceite". Os tres criterios de avaliação sao:

  • T1 - Adequacao técnica: os recursos computacionais solicitados sao adequados ao tipo de computacao descrito
  • T2 - Razoabilidade dos recursos: o volume pedido e proporcional ao projeto e ao histórico de utilização da equipa
  • T3 - Planeamento de utilização: existe um plano claro e credivel de utilização ao longo do período solicitado

Para a tipologia A3, o criterio T2 e T3 sao analisados com maior rigor: pedir 20 milhoes de CPU core.horas sem histórico de utilização A2 ou sem um plano de utilização detalhado constitui motivo suficiente de rejeicao. Candidaturas A3 bem estruturadas apresentam benchmark computacional do projeto, estimativas de scaling e plano de utilização mensal ou trimestral.

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O que recomendamos

As tipologias A2 e A3 sao adequadas para grupos de investigação maduros, com projetos computacionalmente intensivos que nao conseguem ser servidos pelas quotas das tipologias menores. Para equipas universitarias ou de I&D com projetos de IA generativa, simulacao de sistemas complexos ou análise genomica de grande escala, este acesso pode representar uma vantagem competitiva significativa face a dependencia de recursos cloud comerciais, cujos custos sao substancialmente mais elevados.

Dois alertas praticos para candidaturas A3: primeiro, o volume de recursos deve ser sustentado por evidencia previa de utilização (por exemplo, jobs submetidos em lotes anteriores da RNCA); segundo, o plano de utilização deve ser granular e credivel. Candidaturas A3 com planos vagos ou que subestimam os períodos de setup e debugging tendem a ser rejeitadas, mesmo quando o projeto científico e solido.

O mecanismo first-come-first-served aplica-se tambem a estas tipologias. Com prazo final a 15 de maio de 2026, a submissão antecipada e especialmente relevante para A3, onde a quota e mais limitada.

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