O nível seguinte na Rede Nacional de Computação Avançada
O Concurso de Projetos de Computação Avançada da FCT, 6ª edição, Lote E Via Rápida, destina-se a equipas com historial de utilização comprovado nos últimos três anos. Neste lote, o mecanismo de "Via Rápida" elimina a revisão científica completa: as candidaturas passam apenas por validação técnica e administrativa. O processo é mais ágil e mais rápido.
As tipologias A2 e A3 cobrem volumes de recursos radicalmente superiores às tipologias de entrada (A0 e A1). Uma candidatura A3 aprovada pode aceder a até 30 milhões de CPU core.hours e 100.000 horas de GPU, colocando a equipa portuguesa a par das infraestruturas de investigação dos maiores centros europeus de computação científica.
Necessidades que este instrumento resolve
Este concurso responde à necessidade de infraestrutura científica de alta performance para equipas que já demonstraram capacidade de utilização e precisam de escalar os seus projetos computacionalmente intensivos.
- I&D e ciência: projetos de investigação de longo curso que dependem de simulações em larga escala, análise de big data científico, treino de grandes modelos de IA ou processamento de dados de observação terrestre ou climática. A tipologia A3 destina-se especificamente a equipas com necessidades que excedem o que qualquer instituição portuguesa pode disponibilizar localmente.
A2 e A3: volumes e perfis
| Tipologia | Perfil | Duração | CPU (core.hours) | GPU (horas) | Plataformas |
|---|---|---|---|---|---|
| A2 — Regular | Equipas com experiência comprovada | 12 meses | 100K a 3M | Até 10.000 | Deucalion, MareNostrum 5, Cirrus+ |
| A3 — Grande Escala | Equipas consolidadas, cargas massivas | 12 meses | 3M a 30M | Até 100.000 | Deucalion ou MareNostrum 5 |
A tipologia A3 não admite acesso à plataforma Cirrus+ (cloud científica), ficando restrita ao Deucalion e ao MareNostrum 5. Esta limitação decorre da natureza das cargas: projetos de grande escala são tipicamente HPC ou IA pura, não adequados a ambientes cloud. A A2 mantém acesso às três plataformas.
O que representam 30 milhões de core.hours
Para contextualizar a magnitude dos recursos disponíveis na tipologia A3: 30 milhões de CPU core.hours equivalem, em termos brutos, a mais de 3.400 anos de computação num único núcleo moderno. Mesmo distribuídos por centenas de núcleos em paralelo, representam capacidade para simulações que demorariam décadas em infraestrutura convencional de laboratório.
Para referência de valor: 100.000 horas de GPU de alta performance em provedores cloud comerciais (A100 ou equivalente) representam um custo entre €2 milhões e €4 milhões, dependendo do modelo e da plataforma. O acesso via concurso FCT é gratuito para projetos aprovados.
Requisito central: experiência prévia verificável
O requisito de elegibilidade diferenciador das tipologias A2 e A3 no Lote E Via Rápida é a existência de avaliação científica prévia nos últimos três anos. Não basta ter utilizado a RNCA: é necessário que o projeto tenha passado por revisão científica formal, o que na prática significa ter sido aprovado em edições anteriores do concurso (tipologias A2 ou A3 em lotes anteriores) ou ter obtido avaliação equivalente noutros instrumentos reconhecidos.
As entidades elegíveis são as mesmas das tipologias A0 e A1: instituições de I&D, laboratórios colaborativos, centros de interface tecnológica, Digital Innovation Hubs, organizações sem fins lucrativos com atividade de I&D e empresas em atividade pré-comercial. A regra de quota de empresas (máximo 50% da alocação coletiva) mantém-se.
O que recomendamos
A Via Rápida representa uma oportunidade significativa para equipas que já passaram pelo ciclo completo de candidatura nas edições anteriores. O processo mais ágil reduz o custo de preparação e permite aceder a volumes de recursos que seriam inatingíveis por qualquer outra via sem investimento direto substancial.
A tipologia A3 tem procura elevada e as quotas esgotam por ordem de submissão. Equipas com projetos maduros e historial comprovado devem submeter nas primeiras semanas após a abertura (18 de maio). Candidaturas submetidas depois de as quotas se esgotarem não são avaliadas, independentemente do mérito.
Uma nota de estratégia: a A2 e a A3 partilham o Deucalion, o supercomputador nacional de referência. Equipas que pretendem maximizar o impacto nos indicadores de publicação e visibilidade europeia devem mencionar explicitamente o alinhamento com os objetivos do EuroHPC Joint Undertaking, de que Portugal é membro e Deucalion é um dos nós nacionais.
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