O Aviso

O que é o ALT2030-2026-14

O aviso ALT2030-2026-14 é a janela do Programa Regional do Alentejo 2030 dedicada à modernização, resiliência e descarbonização do ciclo urbano da água nos sistemas em baixa da Região. Disponibiliza 8,997 milhões de euros FEDER, com taxa máxima de cofinanciamento de 85%, no quadro do Regulamento Específico da Área Temática Ação Climática e Sustentabilidade (Portaria n.º 125/2024/1).

As candidaturas estão abertas em concurso por fases, com 10 datas de corte mensais entre 31 de março de 2026 e 31 de dezembro de 2026, sempre às 18h00. A entidade gestora é a Autoridade de Gestão do Programa Regional do Alentejo, sob a coordenação da CCDR do Alentejo. O aviso enquadra-se na Prioridade 2A do Alentejo 2030 e no Objetivo Específico RSO2.5, focado em acesso seguro à água, gestão sustentável e resiliência hídrica.

O instrumento responde a um dossiê estruturante. O Alentejo concentra a maior parte do território nacional sujeito a stress hídrico em ano seco, e os seus sistemas de abastecimento e saneamento, sobretudo na baixa municipal, têm défices conhecidos de eficiência energética, perdas, capacidade de tratamento e adaptação climática. Este aviso financia exatamente os investimentos previstos no Plano Estratégico para o Abastecimento de Água e Gestão de Águas Residuais e Pluviais 2030 (PENSAARP 2030).

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O aviso opera em duas frentes complementares: a sustentabilidade ambiental dos sistemas urbanos de água e o investimento produtivo em infraestrutura municipal. Ambas convergem na recuperação de eficiência hídrica e energética do parque construído.

  • Sustentabilidade, energia e clima: reutilização de água residual tratada para usos não potáveis, aproveitamento de águas pluviais, modernização energética de estações de tratamento e bombagem, descarbonização do funcionamento operacional dos sistemas. As medidas alinham-se com os objetivos do PENSAARP 2030 e da Diretiva Quadro da Água.
  • Investimento produtivo: obras de construção e renovação de redes de saneamento em baixa, estações elevatórias, reservatórios, tratamentos terciários, instalações de reutilização e infraestruturas de captação pluvial. Trata-se de investimento em ativos fixos tangíveis com vida útil longa e impacto direto na qualidade do serviço prestado às populações.
Ações elegíveis

Quatro tipologias de intervenção

O artigo 50.º do Regulamento Específico ACS define quatro categorias enquadráveis na alínea c) (Reutilização, resiliência, modernização e descarbonização do ciclo urbano da água). Operações fortes podem combinar várias destas categorias num projeto integrado por território municipal ou intermunicipal.

TipologiaDotação FundoFoco
2005 Sensibilização, informação e planeamento400 000 EURComunicação para o uso eficiente e ações de planeamento integrado
2031 Saneamento de águas residuais6 600 000 EURConstrução e renovação de redes em baixa, estações elevatórias, tratamento
2032 Reutilização de água residual1 997 000 EURReutilização de águas residuais tratadas, aproveitamento pluvial

A maior fatia da dotação está alocada ao saneamento de águas residuais, o que reflete a prioridade política dada ao reforço da rede em baixa em territórios onde a cobertura ou o estado das infraestruturas existentes ainda não cumpre integralmente as exigências da Diretiva Tratamento de Águas Residuais Urbanas.

Quem pode candidatar

Entidades elegíveis

O aviso destina-se a entidades promotoras de investimentos em baixa no âmbito do ciclo urbano da água, enquadradas nas alíneas b), c), e), f) e g) do artigo 51.º do RE ACS. O universo típico inclui:

  • Municípios da Região do Alentejo, individualmente ou em parceria, quando responsáveis pelos sistemas em baixa de água, saneamento ou drenagem pluvial.
  • Associações de municípios e comunidades intermunicipais, no quadro de sistemas intermunicipais ou de prestação conjunta do serviço.
  • Empresas municipais e intermunicipais com competências delegadas em água e saneamento.
  • Entidades gestoras de sistemas multimunicipais ou agregadores regionais com intervenção direta em baixa.
Maturidade técnica obrigatória
As candidaturas devem demonstrar grau de maturidade adequado, designadamente pela existência de projeto de execução, caderno de encargos aprovado para o procedimento mais relevante e licenciamentos prévios. Operações com projeto apenas em fase preliminar tendem a ser penalizadas no mérito, dado o risco de execução e a regra N+3 que se aplica ao Programa.
Estrutura financeira

Dotação, cofinanciamento e modalidade

A taxa máxima de cofinanciamento FEDER é de 85% para qualquer das três tipologias, sem contrapartida nacional pré-alocada no aviso. O apoio reveste a forma de subvenção não reembolsável, com pagamentos por reembolso de custos reais incorridos, podendo haver adiantamento contra fatura nos termos do Decreto-Lei n.º 20-A/2023.

8,997M €
Dotação FEDER
85%
Cofinanciamento
10
Fases mensais

Para operações com custo total elegível superior a 1,45 milhões de euros que gerem receita líquida na exploração e não constituam auxílio de Estado, é exigido estudo de viabilidade económico-financeira de acordo com a Norma de Gestão 1/2024 e os modelos EVF disponibilizados pela Autoridade de Gestão. Esta exigência não se aplica a operações sem componente comercial.

Calendário e fases

Como funciona o concurso por fases

A natureza do concurso é por fases sucessivas até esgotamento da dotação, com decisão hierárquica do mérito dentro de cada janela. As datas de corte mensais permitem submeter projetos ao longo de quase todo o ano de 2026, sem necessidade de esperar por uma única janela curta.

  • Fases 1 a 5: 31/03, 30/04, 29/05, 30/06, 31/07/2026 (todas às 18h00). Janela mais competitiva, projetos com maior maturidade e melhor preparação técnica.
  • Fases 6 a 10: 31/08, 30/09, 30/10, 30/11, 31/12/2026. Janela de absorção da dotação remanescente, dependente do nível de execução dos compromissos da Autoridade de Gestão.

A submissão precoce protege contra o risco de esgotamento da dotação. Não há vantagem em adiar a candidatura para fases finais se o projeto estiver pronto, pelo contrário, a previsibilidade de execução melhora com a aprovação na primeira janela elegível.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Para entidades gestoras dos sistemas em baixa do Alentejo, este aviso é um vetor estruturante. A combinação 85% de cofinanciamento, dotação de quase 9 milhões e dez janelas mensais de submissão cria condições raras para fechar dossiês de investimento que de outra forma ficariam dependentes de tarifa ou orçamento municipal.

O risco principal está no requisito de maturidade. A diferença entre candidaturas aprovadas na fase 1 e candidaturas que vão sendo penalizadas até esgotamento da dotação está quase sempre no estado de preparação do procedimento de contratação pública mais relevante. Quem chega com decisão de contratar tomada e caderno de encargos aprovado parte em vantagem clara.

A nossa recomendação para entidades elegíveis: começar pela arrumação documental, projeto de execução, licenciamentos, estudo de viabilidade quando aplicável e decisão de contratar. Só depois submeter, idealmente nas três primeiras fases. Adiar para 2027 ou para outro instrumento implica perder uma das janelas mais favoráveis do PT2030 para o ciclo urbano da água.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]