Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas ja nao estao abertas.
O instrumento

Capital europeu para construir interoperabilidade transfronteirica

A Comissão Europeia mantem ha varios anos um esforco continuado para que os servicos públicos digitais funcionem alem fronteiras. Um cidadao portugues que se mude para os Paises Baixos deveria poder usar a sua identidade digital, partilhar credenciais academicas e aceder a servicos públicos sem reconstruir contas e processos do zero. O instrumento Multi-Country Project (MCP) e o veiculo financeiro que sustenta esse trabalho, financiando consorcios de Estados-Membros que desenvolvem em conjunto solucoes de interoperabilidade.

O aviso DIGITAL-2026-BESTUSE-MCP-09-INNOV-ADMIN abre uma janela especifica do MCP, com dotacao de 6 milhoes de euros, dedicada a temas de administracao pública inovadora e conectada. As candidaturas estao abertas desde 20 de janeiro de 2026 e fecham a 19 de maio. A taxa de cofinanciamento da Uniao e de 50%, o que significa que os projetos vencedores tem de mobilizar capital nacional equivalente para chegar ao orcamento total da operação.

Números chave

A escala do convite

6M EUR
Dotacao da chamada
50%
Cofinanciamento UE
19/05
Data limite 2026
O modelo MCP

O que distingue um Multi-Country Project

O MCP nao e um Horizon Europa nem um simples grant a um consorcio científico. E uma figura juridica desenhada na regulamentacao do Digital Europe Programme para projetos de larga escala que so fazem sentido se varios Estados-Membros os executarem em paralelo. A logica de fundo e simples: nao e racional cada pais construir do zero a sua própria infraestrutura de identidade digital, certificação academica ou troca segura de dados de saúde. Em vez disso, o MCP financia que se construa uma vez, com criterios partilhados e se reaproveite em todos os paises participantes.

Para esta janela, o foco e a implementação do Interoperable Europe Act, regulamento aprovado em 2024 que cria o quadro juridico para a interoperabilidade dos servicos digitais públicos. O MCP financia o desenvolvimento e teste dos ativos técnicos e processuais necessarios para que esse Act seja operacional em ambiente real.

Beneficiarios

Quem pode candidatar-se

  • Estados-Membros da Uniao Europeia e paises associados ao Digital Europe Programme, agindo em coordenacao
  • Administracoes públicas centrais e regionais envolvidas em servicos digitais transfronteiricos
  • Entidades públicas e privadas com mandato para implementar interoperabilidade no setor público, em consorcio com administracoes
Logica de coordenacao
A submissão tem de ser apoiada formalmente pelos Estados-Membros participantes. Nao e suficiente um consorcio juntar entidades de paises diferentes; tem de haver alinhamento institucional ao nível de governo central, tipicamente atraves dos pontos focais nacionais para a interoperabilidade. Em Portugal, esse papel e assumido pela Agencia para a Modernização Administrativa (AMA).
Eixos elegiveis

Areas de interoperabilidade prioritarias

O escopo do convite e amplo, mas nao indefinido. As atividades elegiveis tem de contribuir para a Agenda Europeia de Interoperabilidade e prever entregas técnicas concretas, nao apenas estudos ou análises.

  • Identidade e autenticacao transfronteirica: esquemas de identificacao digital reciprocamente reconhecidos, integrados com a EUDI Wallet
  • Troca segura de dados sectoriais: registos academicos, registos de saúde, documentos administrativos com selo eletronico qualificado
  • Plataformas comuns de servicos públicos: infraestruturas partilhadas que reduzam o custo por pais de implementar servicos digitais avancados
  • Ferramentas de IA aplicadas a administracao pública: sempre dentro dos limites do AI Act e com forte componente de interoperabilidade
  • Frameworks de avaliação e qualidade: metricas e benchmarks que permitam comparar o desempenho dos servicos digitais entre paises
Comparacao

DIGITAL MCP face a outras vias de financiamento europeu para o setor público

InstrumentoVocacaoQuando faz sentido
DIGITAL MCPMulti-Country Project, interoperabilidade transfronteiricaProjetos que so fazem sentido se varios paises os executarem em paralelo
DIGITAL Best Use - ações nacionaisImplementação em escala num so paisRoll-out de tecnologia digital ja madura num ambiente nacional
Horizon Europe Cluster 4I&D e inovação em tecnologias digitaisInvestigação fundamental ou desenvolvimento de tecnologia ainda nao madura
CEF DigitalInfraestrutura de conectividade fisicaCabos submarinos, redes 5G, data centers cross-border
Para que tipo de projeto

Quando o MCP e a escolha certa

  • Solucoes que so funcionam em rede: identidade digital reciproca, partilha de credenciais, registos transfronteiricos. Um pais sozinho nao consegue resolver o problema
  • Standards e ativos comuns: APIs, protocolos, ontologias e ferramentas que serao reusados por varios paises sem repeticao de investimento
  • Pilotos a escala europeia: testar interoperabilidade real entre 5 a 10 administracoes públicas antes de roll-out generalizado
  • Implementação do Interoperable Europe Act: projetos diretamente alinhados com o quadro juridico aprovado em 2024
Riscos e armadilhas

Onde estes consorcios falham tipicamente

  • Suporte institucional fraco: consorcios montados a nível técnico sem o aval explicito dos governos centrais raramente passam a avaliação
  • Mocambique do digital: projetos que reproduzem patterns ja existentes em vez de construirem ativos efetivamente novos perdem pontos de inovação
  • Cofinanciamento mal pensado: a logica de 50% pressupoe orcamento público identificado e comprometido, nao promessas vagas
  • Plano de exploracao pos-projeto inexistente: a Comissão avalia explicitamente a sustentabilidade dos ativos depois de terminar o financiamento
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este e um convite estreito quanto a público-alvo mas estratégico para os intervenientes que cabem nele. Em Portugal, o universo de candidatos efetivos e composto pela AMA, INCM, IGAMAOT, autoridades de saúde com mandato digital e algumas autarquias com capacidade técnica avancada. Para empresas privadas, o MCP nao e tipicamente uma porta de entrada direta, mas pode ser uma oportunidade enquanto subcontratada ou parceira técnica de um consorcio liderado por um Estado-Membro.

Para entidades públicas portuguesas que avaliem candidatura, a recomendacao operacional e tripla. Primeiro, alinhar cedo com a AMA e com a representacao permanente em Bruxelas, porque o suporte institucional formal nao se constroi em duas semanas. Segundo, escolher um problema concreto de interoperabilidade que ja esteja a bloquear servicos reais (identidade, saúde, mobilidade educativa) e nao um tema generico de transformação digital. Terceiro, desenhar o consorcio com pelo menos cinco paises participantes e equilibrio geografico, porque um MCP centrado no eixo nordico ou no eixo central tem menor probabilidade de avaliação positiva do que um que cubra norte, sul, leste e centro da Uniao.

Para empresas privadas com tecnologia relevante para interoperabilidade pública, a abordagem util e proativa: identificar consorcios em formacao via redes da AMA, da Confederacao Empresarial e dos Pontos Nacionais de Contacto do Digital Europe Programme e oferecer-se como subcontratada ou linked third party.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]