Algarve 2030

O que é o aviso ALGARVE-2026-10

O ALGARVE-2026-10 é um aviso de concurso do Programa Regional do Algarve (Algarve 2030) dirigido ao desenvolvimento de territórios inteligentes na área da Comunidade Intermunicipal do Algarve (CIM AMAL). Dotado de 2 milhões de euros de fundo FEDER, apoia projetos que recorrem às Tecnologias de Informação e Comunicação para modernizar a administração local, otimizar a despesa pública e qualificar a gestão das infraestruturas e equipamentos coletivos.

O foco material do aviso está na água. Pretende-se a transição para um modelo de gestão Smart Water, assente na telemetria nas redes de distribuição, na gestão inteligente das perdas e na implementação de sistemas de rega inteligente em espaços verdes públicos. O objetivo é monitorizar consumos e fluxos em tempo real e transformar esses dados em decisões operacionais, num território particularmente exposto à escassez hídrica.

O enquadramento estratégico cruza a Estratégia Nacional de Territórios Inteligentes 2023-2030, o Plano de Ação para a Transição Digital e o PENSAARP 2030, o plano estratégico para o abastecimento de água e a gestão de águas residuais. O aviso integra o Plano de Ação dos Investimentos Territoriais Integrados (ITI) da CIM AMAL, aprovado pela Autoridade de Gestão.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Ao financiar tecnologia aplicada à gestão da água e dos serviços públicos, o aviso cruza um objetivo de modernização digital com um objetivo ambiental concreto: usar menos água e geri-la melhor numa região sob stress hídrico.

  • Digitalização e IA: o aviso cofinancia equipamento informático, software, sensores, contadores inteligentes e infraestrutura de comunicação, desde que ligados à disponibilização de serviços digitais aos cidadãos e à monitorização em tempo real das redes municipais.
  • Sustentabilidade, energia e clima: a telemetria e a rega inteligente reduzem perdas e consumos de água, dotando os municípios algarvios de ferramentas de decisão para enfrentar a escassez e a pressão das alterações climáticas sobre as massas de água.
Quem pode aceder

Entidades elegíveis

O aviso é dirigido às entidades públicas e parapúblicas que gerem os serviços locais. Podem candidatar-se municípios, associações de municípios, o setor empresarial local e as empresas concessionárias municipais, intermunicipais ou multimunicipais, incluindo em regime de parceria. As candidaturas podem ser individuais ou em copromoção.

Para o tecido empresarial privado, a relevância é indireta mas relevante. A execução destes projetos mobiliza fornecedores de soluções de telemetria e gestão de redes, empresas de software e plataformas de dados, integradores de sistemas de rega inteligente e instaladores de sensores e infraestrutura de comunicação. Estes contratos seguem procedimentos de contratação pública, pelo que o aviso sinaliza um pipeline de procura tecnológica no Algarve ao longo dos próximos dois anos.

Estrutura do concurso
O período de candidaturas abriu a 17 de junho de 2026 e organiza-se em três fases de decisão, com fecho a 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de 2026. As operações têm uma duração máxima de 24 meses. Os projetos são hierarquizados por mérito relativo dentro de cada fase, até ao limite da dotação disponível.
Números do aviso

Dimensão e condições

2M€
Dotação FEDER indicativa
65%
Taxa máxima de cofinanciamento
24
Meses de duração máxima

A taxa base de financiamento é de 60%, podendo ser atribuída uma bonificação de 5 pontos percentuais no encerramento da operação caso sejam superadas as metas contratualizadas nos indicadores de resultado. A dotação é indicativa e pode ser reforçada pela Autoridade de Gestão em função da procura. Aos custos diretos acresce uma taxa fixa de 7% para custos indiretos, ao abrigo das opções de custos simplificados.

Onde se aplica

Âmbito geográfico e despesa elegível

As operações localizam-se na região do Algarve (NUTS II), no quadro do ITI da CIM AMAL. São elegíveis a aquisição de equipamento informático e software, a subscrição de aplicações em modelo software as a service, a aquisição de sensores, contadores inteligentes e infraestrutura de comunicação, os serviços técnicos de desenvolvimento aplicacional e os trabalhos de construção civil estritamente associados à instalação dos equipamentos.

O regulamento é exigente quanto à substância digital. As ações devem ir além da simples compra de equipamento ou da substituição de hardware: só são apoiadas quando associadas a serviços digitais concretos dirigidos aos cidadãos e às empresas. Ficam de fora despesas de manutenção, aquisição de veículos, compra de imóveis e terrenos, e os equipamentos têm de cumprir requisitos de eficiência energética, durabilidade e reciclabilidade no respeito pelo princípio de não prejudicar significativamente.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este aviso é um bom exemplo de como os programas regionais estão a financiar a digitalização da gestão da água em territórios vulneráveis. Para os municípios e empresas públicas do Algarve, a janela é concreta e tem prazos curtos por fase, pelo que a maturidade técnica da candidatura, em particular as peças de procedimento já aprovadas, faz toda a diferença na hierarquização.

Para as empresas de tecnologia, telemetria e gestão de redes de água, recomendamos que acompanhem de perto os concursos públicos que estes projetos vão gerar e que avaliem cedo a sua capacidade de qualificação. A combinação de transição digital e eficiência hídrica é uma prioridade estável da política regional, e o Algarve será um mercado de referência neste domínio. A Open Capital apoia entidades públicas a estruturar candidaturas sólidas e empresas a posicionar-se na cadeia de fornecimento.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]