Instrumento Territorial

O que é este aviso

O aviso ALGARVE-2024-36, do Programa Regional do Algarve (Algarve 2030), apoiou intervenções para aumentar o conhecimento, a capacidade adaptativa e a resiliência da região aos impactes das alterações climáticas. O Algarve é particularmente sensível a estes fenómenos, com efeitos já sentidos e tendência a intensificar-se, dos eventos extremos de temperatura à subida do nível das águas do mar, num território onde a economia depende fortemente de um litoral exposto.

As medidas tinham de estar enquadradas em instrumentos de planeamento aprovados, com destaque para o Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas da AMAL. O aviso cobria intervenções físicas no território, mas também o aprofundamento do conhecimento e os sistemas de informação, monitorização e alerta, numa abordagem que combina obra e inteligência territorial.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A adaptação climática não se resume a construir defesas. É também planear, monitorizar e antecipar. Este aviso reconhecia essa dupla natureza, ao financiar tanto ações materiais de proteção do território como os estudos e sistemas que orientam onde e quando intervir.

  • Sustentabilidade, energia e clima: o cerne do instrumento era reduzir a vulnerabilidade do território e das populações aos riscos climáticos, com prioridade explícita às soluções baseadas na natureza, da renaturalização de espaços verdes multifuncionais ao controlo de espécies exóticas invasoras.
  • Investimento produtivo: traduzia-se em ações materiais de adaptação, mas também em sistemas de monitorização e alerta e na elaboração de estudos, projetos e instrumentos de planeamento que estruturam a resposta regional ao clima.
Elegibilidade

Quem se podia candidatar e o que financiava

Os beneficiários eram as entidades públicas regionais e municipais com competências de planeamento e gestão territorial no Algarve, no quadro do ITI da CIM-AMAL. A entidade gestora era a Autoridade de Gestão do Algarve 2030, com a CIM-AMAL a assumir funções de organismo intermédio a partir da sua designação. Não é um instrumento de candidatura empresarial direta.

As ações elegíveis abrangiam um leque amplo de intervenções de adaptação, sempre ancoradas em instrumentos de planeamento aprovados.

  • Redução de vulnerabilidades urbanas: medidas contra ondas de calor e aumento de temperatura máxima nas áreas urbanas e periurbanas.
  • Gestão de riscos hidrológicos: minimização dos riscos associados a secas, cheias e inundações.
  • Soluções baseadas na natureza: espaços verdes multifuncionais e biodiversos e prevenção da expansão de espécies invasoras e de pragas.
  • Conhecimento e alerta: estudos sobre os impactes climáticos, projetos e instrumentos de planeamento e plataformas de informação, monitorização e alerta.
Números

Dotação e parâmetros financeiros

5M €
Dotação FEDER do aviso
60%
Taxa máxima de cofinanciamento
3tipologias
Ações, monitorização e estudos

A dotação de 5 milhões de euros repartia-se por três tipologias de operação: 4 milhões para ações materiais de adaptação, 500 mil euros para sistemas de monitorização, planeamento e alerta e 500 mil euros para estudos, projetos, planos e outras ações imateriais. Note-se a taxa de cofinanciamento de 60%, inferior aos 85% habituais noutros instrumentos territoriais, o que exigia maior esforço de contrapartida nacional por parte dos promotores.

Concurso em contínuo
Ao contrário dos avisos com data única de fecho, este funcionava em regime de concurso em contínuo, com receção de candidaturas entre 31 de julho de 2024 e 15 de julho de 2025. O formato permitia submeter projetos ao longo do período, à medida que ficavam maduros, sem esperar por uma janela específica.
Onde se aplicava

Elegibilidade geográfica

A área abrangida era o Algarve (NUTS II), no quadro do Instrumento Territorial Integrado da CIM-AMAL. As intervenções deviam estar previstas em instrumentos regionais ou municipais aprovados, em especial o Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas da AMAL. O enquadramento incluía o objetivo de complementaridade à proteção e defesa das zonas costeiras, uma prioridade natural numa região tão marcada pelo litoral.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este instrumento ilustra bem a diferença entre adaptação reativa e adaptação planeada. Ao exigir enquadramento em planos aprovados e ao reservar verba específica para estudos e sistemas de alerta, o aviso premiava quem chega com a casa arrumada, com o diagnóstico de vulnerabilidades feito e as prioridades definidas. A taxa de 60%, mais baixa do que o habitual, reforça a importância de uma boa estruturação financeira da contrapartida nacional.

Para o setor privado, abre-se uma fileira de oportunidade pouco óbvia. A adaptação climática mobiliza não só empreitadas de engenharia natural, mas também gabinetes de estudos, consultoras ambientais e fornecedores de tecnologia de monitorização e alerta. À medida que mais regiões fecham os seus planos de adaptação e abrem avisos desta tipologia, cria-se procura estável por serviços técnicos especializados. Empresas com competências em soluções baseadas na natureza, sensorização ambiental e modelação de risco têm aqui espaço para crescer.

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