O que sao as Aliancas para a Educação e as Empresas
As Aliancas para a Educação e as Empresas sao uma acao estratégica do programa Erasmus+ (KA2 - Parcerias para a Inovação) que promove a cooperação estruturada entre o ensino superior, a formacao profissional e o tecido empresarial europeu. O objetivo central e simples: aproximar o que as empresas precisam das pessoas que as universidades e as escolas de formacao profissional estao a formar.
Na edicao de 2025, este instrumento integrou dois topicos distintos dentro da mesma convocatoria. O Topico 1 - Aliancas para a Educação e as Empresas - foi concebido para parcerias que desenvolvem curriculos novos, reformulam programas de ensino existentes e cultivam mentalidades empreendedoras nos estudantes. O Topico 2, conhecido como Blueprint, incidiu especificamente sobre as competencias sectoriais nos 14 ecossistemas industriais definidos na Estrategia Industrial Europeia.
O quadro tematico de ambos os topicos reflecte as prioridades da Comissão Europeia para esta decada: transformação digital, transição verde e empreendedorismo como competencia transversal. Os parceiros elegem os temas com base nas necessidades dos mercados de trabalho das suas regioes ou sectores, o que confere uma flexibilidade consideravel a estes projetos.
Dois topicos, um objetivo comum
A convocatoria ERASMUS-EDU-2025-PI-ALL-INNO abrangeu dois topicos complementares, com dotacoes e logicas de candidatura distintas:
| Topico | Designacao | Dotacao 2025 | Projetos aprovados |
|---|---|---|---|
| Topico 1 | Aliancas para a Educação e as Empresas | 30.000.000 EUR | 24 projetos |
| Topico 2 | Aliancas Blueprint - Cooperação Setorial em Competencias | 32.000.000 EUR | 7 projetos |
No Topico 1, os consorcios devem incluir obrigatoriamente organizações de ensino superior (universidades, institutos politecnicos) e de formacao profissional (escolas VET), acompanhadas por empresas ou associacoes empresariais. A exigencia de cruzar os dois sistemas de ensino e uma das caracteristicas distintivas desta acao: nao bastam parcerias entre universidades e empresas - e necessario integrar tambem a dimensao da formacao profissional.
Quem pode participar
As Aliancas sao, por natureza, projetos de consorcio transnacional. Uma candidatura individual esta fora de questao: e necessario reunir parceiros de diferentes paises do programa Erasmus+ e de diferentes tipos de organizações. Os tipos de entidades que tipicamente integram estes consorcios sao:
- Ensino superior: universidades, institutos politecnicos, faculdades - com acreditacao reconhecida nos paises participantes
- Formacao profissional: escolas VET, centros de formacao profissional, entidades de aprendizagem dual
- Empresas e setor economico: empresas de qualquer dimensao, associacoes empresariais, camaras de comércio, clusters setoriais
- Outros parceiros relevantes: autoridades públicas, organismos de qualificações, organizações de investigação - desde que a sua participacao acrescente valor mensuravel ao consorcio
A diversidade de parceiros e um criterio de avaliação em si mesmo. Consorcios com perfis muito homogeneos (por exemplo, so universidades e uma empresa) tendem a ser penalizados na avaliação da relevancia e do impacto potencial.
Uma acao muito competitiva
Os resultados da avaliação do Topico 1 revelam o nível de exigencia desta acao. Com 350 candidaturas submetidas e apenas 24 projetos financiados, a taxa de sucesso foi de cerca de 6,9%. O limiar de pontuacao para aceder a financiamento situou-se em 87 pontos em 100, o que indica que so os projetos verdadeiramente excelentes foram aprovados.
Importa notar que 193 propostas superaram o limiar mínimo de elegibilidade mas nao chegaram a ser financiadas - o chamado "acima do limiar mas sem financiamento". Este dado e relevante porque indica que muitos projetos de qualidade ficaram de fora simplesmente por insuficiencia de dotacao. A edicao de 2026 pode absorver parte dessas candidaturas que foram refinadas com base no feedback da avaliação.
O que recomendamos
As Aliancas para a Educação e as Empresas sao um dos instrumentos Erasmus+ mais exigentes - mas tambem dos mais transformadores para instituicoes de ensino que queiram reformular o seu posicionamento no ecossistema de inovação. A taxa de sucesso de 6,9% nao deve ser lida como um desincentivo: deve ser lida como um sinal de que a qualidade do consorcio e da proposta e determinante.
Para organizações portuguesas, as Aliancas representam uma oportunidade de co-criar curriculos que respondam a lacunas reais do mercado de trabalho nacional e europeu. O grande erro que observamos repetidamente e a formacao de consorcios por conveniencia geografica ou por relacoes existentes, sem uma análise rigorosa de que necessidades de competencias o projeto se propos realmente resolver.
A proxima edicao deste instrumento (2026) deverá seguir a mesma logica estrutural. Organizações que iniciem a construcao do consorcio com pelo menos 12 meses de antecedencia e que invistam em pre-candidaturas informais junto da EACEA estao em clara vantagem face a quem se precipita nos ultimos dois meses antes do prazo.
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