Enquadramento

O que e o Erasmus+ CBHE

O Capacity Building in Higher Education (CBHE) e uma das ações internacionais do programa Erasmus+, gerida pela EACEA (European Education and Culture Executive Agency). Ao contrario das ações internas do Erasmus+ (mobilidade entre paises europeus), o CBHE financia parcerias multilaterais entre instituicoes de ensino superior europeias e de paises terceiros nao associados ao programa, com o objetivo de modernizar e reforcar os sistemas de educação superior nesses paises.

A edicao de 2026 teve uma dotacao indicativa de EUR 113,1 milhoes, com expectativa de financiar cerca de 149 projetos com duracao tipica de 3 anos. O prazo de candidatura encerrou ainda durante o ciclo 2025-2026 da EACEA.

Geografias

As tres regioes-alvo

O CBHE organiza-se em torno de tres grandes regioes geograficas, com dotacoes e prioridades especificas para cada uma. Portugal, como pais Erasmus+, pode candidatar-se como coordenador ou parceiro em qualquer das tres regioes.

Africa Subsariana
Reforco de curriculos, governanca universitaria e acesso ao ensino superior
Medio Oriente e Asia
Modernização de programas, internacionalização e boas práticas de gestão
America Latina e Caribe
Recuperacao socioeconomica e alinhamento com o Espaco Europeu de Ensino Superior
Nota para universidades portuguesas
Portugal tem lacos historicos e linguisticos com paises de Africa Subsariana e com o Brasil, o que cria vantagem comparativa no CBHE. Universidades com experiencia em cooperação para o desenvolvimento ou com redes de alumni nessas regioes estao bem posicionadas para liderar consorcios.
Elegibilidade

Quem pode participar e em que papel

O CBHE assenta em consorcios transnacionais obrigatoriamente constituidos por entidades de paises Erasmus+ e de paises terceiros nao associados. A composicao mínima e a chave para perceber se a candidatura e elegivel.

  • Coordenador: obrigatoriamente uma Instituicao de Ensino Superior (IES) estabelecida num pais Erasmus+. Uma organização nao pode coordenar mais de 2 propostas na mesma edicao.
  • Parceiros europeus: IES de paises Erasmus+ e outros tipos de organizações em determinadas condições (autoridades públicas, empresas com atividade educativa)
  • Parceiros de paises terceiros: IES dos paises-alvo (Africa, Asia, America Latina) - sao o beneficiario principal das ações de capacity building
  • Entidades públicas: ministerios da educação, agencias nacionais, autoridades regionais com mandato em educação superior

A candidatura e submetida exclusivamente pelo contact person da organização coordenadora atraves do EU Funding and Tenders Portal. Toda a comunicação com a EACEA passa pela coordenadora - o que exige uma parceria com níveis claros de responsabilidade interna.

Tipos de projeto

O que os projetos devem fazer

O CBHE nao e um programa de mobilidade nem de investigação. E um instrumento de reformas institucionais e modernização dos sistemas de ensino superior nos paises terceiros. Os projetos devem focar-se em pelo menos uma destas dimensoes:

  • Desenvolvimento curricular: criação ou revisao de programas de licenciatura, mestrado ou formacao profissional, com alinhamento a standards europeus ou internacionais
  • Capacitacao institucional: reforco das estruturas de gestão, qualidade, governanca e internacionalização das universidades parceiras
  • Equidade e acesso: intervencoes que alarguem a participacao de grupos sub-representados no ensino superior
  • Transferencia de boas práticas: adocao de metodologias europeias de qualidade, investigação aplicada e empregabilidade
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O CBHE e uma oportunidade estratégica para universidades portuguesas com redes internacionais estabelecidas. O potencial de impacto e reconhecido - mas a taxa de sucesso e exigente e os consorcios requerem preparacao cuidadosa, especialmente na selecao de parceiros de paises terceiros com experiencia previa em projetos europeus.

A candidatura de 2026 ja encerrou, mas o CBHE tem um ciclo anual. A preparacao para 2027 deve comecar agora: identificar parceiros em Africa ou America Latina, mapear as necessidades de desenvolvimento curricular relevantes para a regiao-alvo e garantir que a equipa coordenadora tem experiencia em gestão de grants europeus.

Organismos de investigação nao academicos (centros de IDI, empresas com atividade de formacao avancada) podem tambem participar como parceiros em topicos especificos, em especial quando o projeto envolve dimensoes de empregabilidade ou inovação.

Comentarios, correcoes ou contrapontos sao bem-vindos: [email protected]