O instrumento

Um concurso para a sociedade civil do Benim, aberto a ONG europeias

A Delegação da União Europeia no Benim lançou um convite à apresentação de propostas restrito, financiado por dois programas temáticos do instrumento NDICI Europa Global: o programa Organizações da Sociedade Civil e o programa Direitos Humanos e Democracia. O objetivo geral é uma sociedade civil beninense credível, independente, inclusiva, profissionalizada e resiliente, capaz de promover direitos humanos, participação cidadã e desenvolvimento sustentável.

Antes de mais, convém dizer quem não se pode candidatar: empresas, organismos públicos, partidos políticos, sindicatos e organizações internacionais. O candidato principal tem de ser uma organização não governamental sem fins lucrativos. A boa notícia para o leitor português é que a ONG pode estar estabelecida em qualquer Estado-Membro da UE, o que coloca as ONGD portuguesas com trabalho em África Ocidental entre os potenciais líderes.

Por ser um concurso restrito, a primeira fase pede apenas uma nota sucinta de apresentação (concept note), com prazo a 17 de novembro de 2026 às 12h, hora do Benim. Só os pré-selecionados são convidados a apresentar a candidatura completa.

2,54M EUR
Dotação total
500mil
Subvenção máxima (lote 1)
48meses
Duração máxima
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O concurso financia projetos, não o funcionamento das organizações. Serve ONG que já têm uma intervenção pensada para o Benim e precisam de escala e de um parceiro local para a executar durante três a quatro anos.

  • Impacto social e inclusão: as cinco prioridades incidem sobre grupos vulneráveis concretos: pessoas com deficiência, jovens em situação de vulnerabilidade, populações afetadas pelos grandes investimentos em infraestruturas e pessoas reclusas.
  • Internacionalização: para uma ONGD portuguesa, liderar um consórcio financiado pela Delegação da UE no Benim é uma forma de consolidar presença num país da África Ocidental e de construir histórico de gestão de subvenções europeias.
Lotes e prioridades

Dois lotes, cinco prioridades, sem transferências entre si

Cada proposta concorre a um único lote e responde expressamente a uma prioridade, podendo tocar indiretamente noutras do mesmo lote. Como os dois lotes são financiados por linhas orçamentais distintas, a verba de um não passa para o outro.

LotePrioridadeFoco
Lote 1, OSC
2.147.000 EUR
250 mil a 500 mil EUR por subvenção
1Participação cultural inclusiva e papel da sociedade civil no desenvolvimento cultural, incluindo ferramentas digitais. Não cobre despesas de funcionamento nem obras.
2Direitos e inclusão das pessoas com deficiência, com papel central das organizações de pessoas com deficiência.
3Inclusão e autonomização de jovens vulneráveis: apoio psicossocial, educação, formação e inserção profissional.
4Acompanhamento pela sociedade civil dos investimentos Global Gateway nos corredores Cotonou-Niamey e Abidjan-Lagos: porto de Cotonou, estradas Djougou-Péhunco-Kérou e Allada-Dassa, digitalização aduaneira.
Lote 2, DHD
390.000 EUR
195 mil a 390 mil EUR
5Condições prisionais e reinserção de reclusos, com atenção à formação profissional e aos mais vulneráveis.
Prioridade 4, regra própria
Só para a prioridade 4, o candidato principal tem de estar efetivamente estabelecido num Estado-Membro da UE ou no Benim. Nas restantes prioridades a elegibilidade estende-se aos outros países previstos no artigo 9.º do Regulamento de Execução Comum. É também a prioridade com maior ligação ao setor privado, porque as ações devem promover o diálogo entre poderes públicos, comunidades locais, organizações ligadas à logística e ao transporte e empresas.
Elegibilidade

Consórcio obrigatório com parceiro beninense

  • Candidato principal: pessoa coletiva, ONG sem fins lucrativos, efetivamente estabelecida (por estatutos, não por mero registo local) na UE, no Benim ou noutro país elegível. Tem de ser diretamente responsável pela ação, sem atuar como intermediário.
  • Codemandante obrigatório: todos os candidatos principais têm de ter pelo menos um codemandante. Uma ONG internacional tem de incluir pelo menos uma organização da sociedade civil beninense que não tenha sido criada, patrocinada ou afiliada por ela.
  • Reforço do parceiro local: as diretrizes pedem que o líder posicione o parceiro beninense de forma a que ganhe capacidade para liderar concursos futuros.
  • Uma proposta por líder: cada candidato principal só pode submeter uma candidatura.

A subvenção cobre entre 50% e 85% dos custos elegíveis, subindo para 95% quando o candidato principal é uma organização de direito beninense. O restante tem de vir de fontes que não o orçamento da UE. O registo no PADOR e a submissão no PROSPECT são obrigatórios. A candidatura é apresentada em francês.

Calendário

Da nota sucinta ao contrato

EtapaData indicativa
Sessão de informação online15 de outubro de 2026, 10h30 (inscrição até 13 de outubro)
Pedidos de esclarecimentoaté 27 de outubro de 2026
Notas sucintas17 de novembro de 2026, 12h
Convite à candidatura completa23 de dezembro de 2026
Candidaturas completas9 de fevereiro de 2027
Decisão e contratomarço e abril de 2027

Só as datas de esclarecimentos e de submissão das notas sucintas são firmes. As restantes são provisórias e podem ser atualizadas pela Delegação.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Para uma ONGD portuguesa, o obstáculo raramente é a elegibilidade formal. É a parceria. O concurso exige um codemandante beninense genuinamente independente e valoriza a transferência de capacidade para ele, o que significa que as candidaturas mais fortes vêm de relações que já existem no terreno, não de parcerias montadas em outubro para cumprir o requisito.

Também pesa a língua. A candidatura é em francês e a Delegação prefere que a apresentação do projeto chegue às comunidades em língua local. Uma organização sem equipa francófona deve ponderar se consegue gerir um projeto de quatro anos nestas condições.

Empresas portuguesas não podem candidatar-se, mas a prioridade 4 abre uma janela indireta: as ONG selecionadas vão contratar serviços e envolver o setor privado ligado ao porto de Cotonou e aos corredores rodoviários. Quem já trabalha nesses setores na região tem interesse em acompanhar quem lidera as propostas.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]