Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas ja nao estao abertas.
O que é

Tempo de supercomputador, não dinheiro

O Concurso de Projetos de Computação Avançada da FCT, na sua 6.ª edição, aloca recursos da Rede Nacional de Computação Avançada (RNCA) através de um procedimento concursal. O que está em jogo não é financiamento monetário, mas horas de processamento em supercomputadores nacionais e europeus como o Deucalion, o Cirrus, o Stratus e o MareNostrum5.

O concurso funciona ao abrigo do Regulamento n.º 10/2022 e organiza-se em lotes, que são janelas sucessivas de submissão ao longo do ano. Este artigo cobre o Lote E nas tipologias de acesso A0 e A1. O Lote D, com as mesmas tipologias, já encerrou. O Lote E está aberto entre 18 de maio e 15 de setembro de 2026, em modalidade de via rápida.

A0 e A1, em uma frase
A0 é acesso experimental, pensado para equipas sem histórico de utilização da RNCA que querem testar o terreno. A1 é acesso de desenvolvimento, para quem já sabe o que quer fazer e precisa de afinar performance e escalabilidade do código.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O concurso responde a equipas cujo trabalho exige poder de cálculo muito acima do que um servidor próprio oferece, seja em investigação científica, seja em desenvolvimento de soluções de inteligência artificial.

  • I&D e ciência: o acesso A0 e A1 alimenta projetos de investigação que dependem de simulação numérica, modelação e processamento intensivo de dados, dando a grupos académicos e empresariais a infraestrutura que de outra forma seria proibitiva.
  • Digitalização e IA: os modelos disponíveis incluem computação para inteligência artificial e cloud científica, permitindo treinar e testar modelos em GPU, validar arquiteturas e medir escalabilidade antes de comprometer recursos próprios.
Recursos e limites

Quanto se pode pedir em cada tipologia

Cada Instituição de Investigação pode submeter no máximo uma candidatura por tipologia. Os limites de recursos diferenciam o acesso experimental do acesso de desenvolvimento:

TipologiaCPUGPUDuração
A0 Experimentalaté 50.000 core.horasaté 500 horas3 a 6 meses
A1 Desenvolvimentoaté 100.000 core.horasaté 5.000 horas3 a 12 meses

Os modelos computacionais disponíveis cobrem High Performance Computing (HPC), computação para inteligência artificial e Scientific Cloud Computing, além de recursos de visualização. As candidaturas devem ser apresentadas em língua inglesa, em formulário próprio na plataforma myFCT.

Quem pode aceder

Beneficiários e a regra para empresas

São elegíveis, individualmente ou em copromoção, instituições de I&D, laboratórios colaborativos, centros de interface tecnológicos, infraestruturas de ciência e tecnologia, polos de inovação digital, instituições privadas sem fins lucrativos com objeto principal de I&D, empresas que desenvolvam atividades de investigação, desenvolvimento ou inovação e pessoas singulares que exerçam atividade em Portugal.

Atenção às empresas
Os projetos empresariais têm de ocorrer no âmbito da investigação e inovação pré-concorrencial, ou seja, sobre bens ou serviços que ainda não tenham valor comercial atribuído. Acresce um teto: nenhum projeto empresarial pode ultrapassar 50% da dotação computacional total do concurso.
Como é avaliado

Validação simplificada, por ordem de chegada

As tipologias A0 e A1 seguem uma validação simplificada, sem painel científico externo. A avaliação assenta em três critérios técnicos: adequação técnica aos recursos de computação avançada (T1), razoabilidade dos recursos solicitados (T2) e planeamento da utilização desses recursos (T3). A classificação é qualitativa, aceite ou não aceite.

As candidaturas aceites são processadas por lotes e por ordem de chegada, até esgotar a quota. A FCT é clara num ponto importante: não se abrem novos lotes em caso de esgotamento dos recursos no lote anterior. Submeter cedo dentro da janela é, por isso, uma vantagem competitiva real.

Calendário

A janela do Lote E

  • Abertura: 18 de maio de 2026, às 17h00.
  • Encerramento: 15 de setembro de 2026, às 17h00.
  • Modalidade: via rápida, com validação técnica e administrativa.

A via rápida aplica-se a projetos com avaliação científica prévia nos últimos três anos. A via integral, usada noutros lotes, inclui painéis de avaliação científica externos além da validação técnica e administrativa. O concurso é cofinanciado pelo PRR, pela União Europeia através do NextGenerationEU e por vários programas do Portugal 2030.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Para uma empresa com uma frente séria de investigação, este concurso é um recurso subaproveitado. Comprar ou alugar capacidade equivalente de HPC e GPU teria um custo significativo e aqui o acesso é atribuído por mérito técnico, não por capacidade financeira. O A0 é o ponto de entrada ideal para quem nunca usou a RNCA e quer validar se a infraestrutura serve o seu caso, sem compromisso de grande escala.

Há três cuidados que fazem a diferença. Primeiro, a regra da pré-concorrencialidade: o projeto empresarial tem de estar genuinamente na fase de investigação, antes de existir um produto comercializável. Segundo, o rigor no planeamento de recursos, porque a razoabilidade do pedido é critério de aceitação e pedir a mais ou a menos prejudica. Terceiro, o timing: como não há reabertura por esgotamento, submeter no início da janela protege contra a quota esgotar.

Quem pretende escalar para volumes muito superiores deve olhar para as tipologias A2 e A3, de acesso regular e de grande dimensão, que seguem avaliação científica mais exigente.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]