O que é

A camada operacional da espinha digital da energia europeia

A Estratégia Apply AI da Comissão Europeia identifica como ação emblemática uma espinha digital com IA para o sistema energético. O tópico HORIZON-BRIDGING-2027-01-12 financia a sua camada de implementação: um piloto transfronteiriço de grande escala que demonstre, em infraestrutura real, plataformas digitais de nova geração capazes de otimizar a operação da rede elétrica e gerir flexibilidade entre vários sistemas energéticos europeus.

É uma Innovation Action da call Bridging actions 2027, inserida nas Atividades Horizontais do Horizonte Europa. A Comissão prevê financiar um único projeto, com cerca de 15 milhões de euros e duração aproximada de 36 meses. A ideia de partida é aproveitar resultados de investigação já existentes em IA e IoT e levá-los até TRL 7 a 8, ou seja, sistemas demonstrados em ambiente operacional.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O tópico junta duas agendas que raramente se financiam no mesmo projeto: a transformação digital dos operadores de energia e a integração de renováveis, armazenamento e mobilidade elétrica na rede.

  • Digitalização e IA: plataformas com IA generativa, agêntica ou embebida para flexibilidade transfronteiriça, carregamento inteligente e serviços de rede, assentes em espaços de dados europeus, fábricas de IA, gémeos digitais e infraestruturas cloud-to-edge.
  • Sustentabilidade, energia e clima: o piloto tem de demonstrar ganhos quantificados em emissões evitadas, poupança de energia, redução do custo da eletricidade e flexibilidade da rede, incluindo a integração de centros de dados e outras infraestruturas críticas intensivas em energia.
15M€
Dotação, 1 projeto
6
Países mínimos
20
Comunidades de energia
36
Meses previstos
Composição do consórcio

Um consórcio com quotas mínimas por tipo de ator

O programa de trabalho fixa a composição mínima dos pilotos com invulgar detalhe. A execução tem de decorrer em pelo menos seis Estados-Membros ou países associados, com variedade geográfica, envolvendo:

Tipo de atorMínimoExemplos
Atores do setor energético6Operadores de rede de transporte e de distribuição, comercializadores, agregadores
Fornecedores de tecnologia digital8IA, cloud, edge, IoT
Atores da mobilidade4Fabricantes de veículos elétricos, operadores de frotas, operadores de carregamento
Comunidades de energia20Comunidades de energia renovável e de cidadãos
OutrosSem mínimoOrganizações de investigação e autoridades públicas

O piloto deve correr o tempo suficiente para mostrar desempenho em condições reais, com variação sazonal, variabilidade da produção renovável e padrões de carregamento de veículos elétricos. Inclui também atividades preparatórias para implementações em larga escala depois do projeto.

O que se financia

O que o programa de trabalho exige

  • Plataformas e infraestrutura: desenvolver e pilotar à escala plataformas digitais com IA e as infraestruturas críticas de troca de dados, considerando a dimensão intersetorial (mobilidade, edifícios).
  • Continuidade com projetos anteriores: partir de iniciativas como os clusters MetaOS e swarm, os pilotos de larga escala Edge-IoT na energia, as plataformas digitais operacionais do CEF e a espinha digital da energia com IA.
  • Soluções dos clusters 4 e 5: combinar resultados já existentes do Horizonte Europa em digital e indústria e em clima, energia e mobilidade, ligando tecnologia e adoção de mercado.
  • Abertura tecnológica: APIs abertas, normas de interoperabilidade abertas e componentes de código aberto, para evitar dependência de fornecedor.
  • Rede BRIDGE: participação ativa na iniciativa colaborativa BRIDGE, que agrega os projetos europeus de redes inteligentes.
Elegibilidade geográfica restrita
A participação está limitada a entidades estabelecidas nos Estados-Membros, Islândia, Noruega e países associados. Entidades estabelecidas nesses países mas controladas, direta ou indiretamente, por um país ou entidade não elegível não podem participar. Uma filial portuguesa de um grupo tecnológico extracomunitário fica, em regra, de fora.
Calendário e financiamento

Uma fase, uma proposta vencedora

A call HORIZON-BRIDGING-2027-01 abre a 20 de outubro de 2026 e fecha a 16 de fevereiro de 2027, às 17h00 de Bruxelas, numa única fase. O Diretor-Geral responsável pode antecipar ou adiar a abertura até um mês e prolongar o prazo até dois meses, pelo que as datas devem ser confirmadas no portal Funding & Tenders.

ElementoRegra
Tipo de açãoInnovation Action (IA)
Taxa de financiamento70% dos custos elegíveis para entidades com fins lucrativos, 100% para entidades sem fins lucrativos (regra geral das IA)
Contribuição indicativaCerca de 15 M€, podendo a proposta pedir montante diferente
Condições geraisAnexo B geral do programa de trabalho, com a restrição geográfica descrita acima
Para que tipo de entidade

Onde cabem as entidades portuguesas

Com um só projeto financiado, a liderança vai quase certamente para um consórcio já formado em torno de iniciativas anteriores de redes inteligentes. As entidades portuguesas têm mais hipóteses como parceiras de piloto do que como coordenadoras. Os perfis com maior encaixe são operadores de rede e comercializadores, agregadores de flexibilidade, empresas de software para gestão de energia, operadores de pontos de carregamento e comunidades de energia renovável já constituídas.

Portugal tem um número crescente de comunidades de energia e de autoconsumo coletivo. O mínimo de 20 comunidades no piloto é uma porta de entrada concreta. Para uma comunidade ou para a entidade que a gere, participar significa acesso a tecnologia de ponta financiada, com um papel definido e um orçamento à medida.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Não vale a pena montar uma proposta de raiz. O caminho realista é identificar, até ao fim de 2026, os consórcios em formação (a rede BRIDGE e os projetos dos clusters MetaOS, swarm e Edge-IoT são os pontos de partida) e oferecer-lhes aquilo que é escasso: um piloto num país ainda não coberto, comunidades de energia prontas a participar ou uma plataforma de flexibilidade já em operação.

Antes de qualquer contacto, confirmar a estrutura acionista. A cláusula de controlo exclui participantes que pertençam a grupos de fora do espaço elegível, o que apanha muitas empresas de tecnologia instaladas em Portugal. Para entidades com fins lucrativos, a taxa de 70% obriga ainda a prever o cofinanciamento dos restantes 30% ao longo de três anos.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]