O que é

Da tecnologia madura à operação comercial nas cidades

A condução autónoma já atingiu elevada maturidade técnica, mas continua longe da operação comercial em escala nas cidades europeias. O tópico HORIZON-BRIDGING-2027-01-10 materializa a ação emblemática Autonomous Drive Ambition Cities (ADACities) da Estratégia Apply AI: financiar um grande demonstrador que leve tecnologias quase prontas para o mercado a operações reais de mobilidade urbana.

É uma Innovation Action da call Bridging actions 2027, com 15 milhões de euros para um único projeto. O demonstrador integra cinco a sete pilotos urbanos coordenados, em cinco ou mais Estados-Membros ou países associados, com veículos elétricos autónomos de nível 4 (SAE) em serviços como shuttles, ride-hailing, partilha de automóveis e navegação ponto a ponto. No fim, a tecnologia deve estar em TRL 8.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O tópico financia, ao mesmo tempo, a componente digital que torna os veículos autónomos e o investimento físico que os põe a circular numa cidade.

  • Digitalização e IA: partilha obrigatória de dados, modelos de IA e experiências entre todos os pilotos, quadros federados de treino de IA, infraestrutura que aumente a perceção dos veículos em cenários urbanos complexos e operação cibersegura desde a conceção.
  • Investimento produtivo: prototipagem de equipamento (veículo, software, hardware), integração dos veículos na infraestrutura de transporte e no sistema de mobilidade, demonstrações iniciais em trânsito real e roteiros de escala e financiamento.
15M€
Dotação, 1 projeto
5-7
Pilotos urbanos
L4
Nível de automação
1
Piloto transfronteiriço
Âmbito

O que os pilotos têm de demonstrar

  • Piloto transfronteiriço: pelo menos um piloto entre cidades ou aglomerações vizinhas de países diferentes, para demonstrar interoperabilidade entre regulamentações e infraestruturas físicas e digitais distintas.
  • Partilha de dados: um esquema acordado entre os participantes, por exemplo através de uma entidade europeia neutra e de confiança, que salvaguarde os interesses industriais e defina requisitos de interoperabilidade e cibersegurança.
  • Simplificação regulamentar: ter em conta a ação de testbeds de larga escala do Plano de Ação Industrial para o setor automóvel (março de 2025) e a Declaração Conjunta de Intenções para um testbed transfronteiriço, produzindo orientações sobre aprovações, certificação, contratação pública e integração de infraestrutura (conectividade, governação de dados, carregamento).
  • Modelos de negócio: identificar modelos viáveis e caminhos de replicação na UE, com financiamento público complementar e investimento industrial para a implementação à escala.

O consórcio terá de interagir de perto com a European Connected and Autonomous Vehicle Alliance (ECAVA), em particular com o seu grupo de trabalho sobre implementação. Terá também de demonstrar complementaridade com a parceria CCAM e com os projetos dos tópicos de plataforma federada de dados CCAM e de demonstração de larga escala do cluster 5. Os projetos devem aplicar a metodologia comum europeia de avaliação (EU-CEM) para CCAM.

Elegibilidade

Quem pode entrar e que cidades contam

As cidades participantes devem pertencer a países que assinaram ou tencionam assinar a Declaração Conjunta de Intenções sobre o testbed transfronteiriço para veículos autónomos, ou demonstrar um nível equivalente de prontidão tecnológica, operacional e regulamentar. Os proponentes são encorajados a escolher as cidades entre as que responderam à manifestação de interesse ADACities lançada a 23 de junho de 2026.

CondiçãoRegra
Países elegíveisEstados-Membros, Islândia, Noruega e países associados
ControloEntidades controladas por país ou entidade não elegível não podem participar
Parceiros esperadosCidades, operadores e prestadores de serviços de mobilidade, fabricantes de veículos e fornecedores, fornecedores de tecnologia, I&D, operadores de transporte público
Taxa de financiamento70% para entidades com fins lucrativos, 100% para entidades sem fins lucrativos (regra geral das IA)
CalendárioAbre a 20/10/2026, fecha a 16/02/2027 às 17h00 de Bruxelas, fase única
A cláusula de controlo pesa neste setor
Na cadeia de valor da condução autónoma há muitos fornecedores de sensores, software e veículos com capital de fora do espaço elegível. Neste tópico não há mecanismo de garantias: a entidade controlada por um país não elegível fica simplesmente excluída, o que obriga a verificar cada parceiro antes de o incluir.
Para que tipo de entidade

Municípios, operadores e fornecedores tecnológicos

O tópico serve sobretudo três perfis. Municípios e áreas metropolitanas que queiram ser cidade-piloto e tenham respondido à manifestação de interesse ADACities ou consigam demonstrar prontidão equivalente. Operadores de transporte público e de mobilidade partilhada com vontade de testar serviços autónomos em operação real. E empresas tecnológicas de infraestrutura, conectividade, gestão de frotas ou cibersegurança que possam integrar a camada digital comum aos pilotos.

Para cidades portuguesas, o piloto transfronteiriço é uma oportunidade evidente: aglomerações na fronteira com Espanha cumprem por natureza o requisito de cidades vizinhas em países diferentes.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Com um único demonstrador, o consórcio vencedor vai formar-se em torno das cidades que já se posicionaram na iniciativa ADACities e dos atores da ECAVA e da parceria CCAM. Uma entidade portuguesa que não esteja nessas redes deve procurá-las desde já, com uma proposta concreta: uma cidade com regulamentação local favorável, um corredor transfronteiriço ou uma tecnologia diferenciadora.

Para municípios, a participação exige preparação administrativa que vai além da candidatura: licenciamento de operações em via pública, articulação com a autoridade de transportes e regras de contratação pública. Recomendamos mapear estes requisitos antes de assumir compromissos com o consórcio.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]