O que é

O maior concurso CCAM da história do Horizonte Europa

Cinco anos depois do arranque da parceria CCAM em 2021 e dezenas de projetos de R&I depois, a Comissão Europeia pública o concurso que fecha o ciclo. O HORIZON-CL5-2026-10-D6-01 é um flagship pilot único com dotação de €100 milhões, integrando os resultados de toda a parceria num projeto que demonstra simultaneamente os casos de uso mais promissores em três domínios: mobilidade individual, mobilidade partilhada e transporte público e transporte de mercadorias.

É um Innovation Action (HORIZON-IA) com modelo de pagamento Action Grant Budget-Based, ou seja, baseado em custos reais e não em lump sum. Esta diferença face aos restantes tópicos do D6 é importante: a Comissão admite que um projeto desta dimensão exige flexibilidade orçamental durante a execução. O TRL alvo é 7-8, ou seja, demonstração em ambiente operacional próximo do real e prontidão para implementação. O critério principal já não é provar que a tecnologia funciona em laboratório, é provar que funciona em estrada com utilizadores reais durante pelo menos 12 meses.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este flagship é um caso atípico no ecossistema Horizonte: combina escala de demonstração de uma cidade industrial com complexidade técnica de um RIA avançado. Quem candidata mobiliza o maior consórcio CCAM montado até hoje na Europa.

  • I&D e ciência: validação de tecnologias capacitadoras (perceção em condições adversas, V2X, cibersegurança, posicionamento preciso) que estendem os Operational Design Domains, identificação de necessidades tecnológicas e societais para acelerar deployment e uso dos dados das demonstrações para enriquecer bases de cenários de validação.
  • Investimento produtivo: demonstração em multiple test sites e corredores, com viaturas elétricas adquiridas para o projeto, infraestrutura digital e física necessária à operação CCAM e aquisição de equipamento que sustenta operação real durante e após o projeto.
  • Internacionalização: coordenação europeia em corredores transfronteiriços TEN-T para freight, articulação com OEMs europeus, Tier-1, operadores de mobilidade e de transporte público e construção de bases para escala europeia em mercados pós-piloto.
Dimensão e modelo

Um único consórcio para €100 milhões

€100M
Dotação total 2026
1
Único consórcio adjudicado
12M+
Demonstrações em operação
7-8
TRL alvo no fim do projeto

A escolha de adjudicar um único consórcio com €100 milhões é deliberada. A Comissão quer concentrar massa crítica num projeto integrador, capaz de demonstrar simultaneamente CCAM em múltiplos domínios, geografias e modos. Não há prémio de consolação para o segundo melhor consórcio.

Diferença face aos outros tópicos D6
Este é o único tópico do D6 com modelo Action Grant Budget-Based (não lump sum) e o único Innovation Action com adjudicação a um só projeto. O orçamento é gerido com prestação de contas detalhada e pagamento por custos reais elegíveis. Quem só conhece o regime lump sum precisa de adaptar a abordagem financeira.
Três domínios obrigatórios

O âmbito da demonstração

A proposta tem de demonstrar CCAM nos três domínios em simultâneo, não pode escolher dois. Esta exigência define o tipo de consórcio que pode candidatar.

DomínioCasos de uso
Mobilidade individualTráfego misto, urbano, suburbano, autoestrada e ambiente rural. Integração de viaturas automatizadas e convencionais. AI, V2X, cibersegurança, posicionamento preciso.
Mobilidade partilhada e transporte públicoOperação em zonas urbanas, regionais e rurais. Viagens porta-a-porta com hubs, ridesharing, parques. Foco em segurança, acessibilidade, equidade e sustentabilidade.
Transporte de mercadoriasHub-to-hub, corredores e logística em estrada pública e áreas confinadas. Integração com operadores logísticos, fleet e terminais. Casos em aeroportos, portos, terminais transfronteiriços, ligação a corredores TEN-T.
Atividades transversais

O que tem de atravessar todos os domínios

Para além dos três domínios, a proposta tem de integrar várias atividades comuns que cortam transversalmente o projeto.

  • Coordenação com ECAVA: articulação com a European Connected and Autonomous Vehicle Alliance e o Autonomous driving technology roadmap do Plano de Ação Automóvel.
  • Continuidade do trabalho prévio: alavancar o CSA HORIZON-CL5-2025-01-D6-02 (Preparing for large-scale CCAM demonstrations) e o HORIZON-CL5-2024-D6-01-05 (transferência de conhecimento e implementação do EU-CEM).
  • Articulação com telco-edge-cloud: coordenação com o futuro HORIZON-CL4-2027-04-DATA-08 sobre demonstradores 3C convergidos para o ecossistema de mobilidade.
  • Engajamento de stakeholders: stakeholders privados (operadores partilhados, TP, logística, infraestrutura, OEMs, Tier-1, SMEs, startups) e públicos (municípios, regiões, autoridades de TP, operadores de autoestrada, serviços de emergência) com representação ampla.
  • Avaliação de tecnologias capacitadoras: transferibilidade, adaptabilidade e escalabilidade de fotónica, IA generativa e outras tecnologias-chave para extensão dos ODD.
  • Engajamento público: campanhas de awareness, programas de educação e formação CCAM e avaliação da maturidade societal.
  • Avaliação regulatória: análise da conformidade com requisitos regulamentares atuais e recomendações para conformidade plena.
Restrição crítica

Exclusão de entidades controladas pela China

Atenção
Em linha com a "restriction on control in innovation actions in critical technology areas" do General Annex B, entidades estabelecidas em país elegível mas direta ou indiretamente controladas pela China ou por entidade legal estabelecida na China não são elegíveis para participar nesta ação. Esta restrição é específica deste flagship e não se aplica aos restantes tópicos D6 do mesmo call.

Para qualquer empresa portuguesa com participação chinesa indireta na sua estrutura acionista, vale a pena fazer due diligence detalhada antes de assumir elegibilidade. A regra é mais restritiva do que parece à primeira leitura.

Quem deve concorrer

O perfil do consórcio vencedor

Há um único consórcio que vai vencer este flagship e ele já está em construção. Combina três OEMs europeus de peso, vários Tier-1, operadores de transporte público das principais áreas metropolitanas europeias, operadores logísticos com presença em corredores TEN-T, fornecedores de infraestrutura V2X, autoridades regulatórias nacionais, centros de teste e laboratórios europeus de validação CCAM. A coordenação científica está em duas ou três entidades de peso na investigação em mobilidade.

Para entidades portuguesas, a candidatura como líder não é realista. As três posições onde Portugal pode entrar com valor são: operação em corredor de mobilidade urbana (Lisboa, Porto, Coimbra), validação em ambiente rural com diversidade orográfica e climática (relevante para o subdomínio rural da mobilidade individual) e contributo industrial em sensorização, software, infraestrutura digital ou serviços de teste especializados.

Calendário

Janela de candidatura

  • Abertura: 6 de maio de 2026
  • Submissão: 8 de outubro de 2026, 17h00 hora de Bruxelas
  • Avaliação: outubro 2026 a início 2027
  • Grant Agreement: tipicamente até 8 meses após submissão. Início efetivo do projeto provavelmente em segundo semestre de 2027.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é o concurso CCAM mais ambicioso e mais competitivo de toda a história do Horizonte Europa. Os consórcios que vão concorrer estão a ser desenhados desde 2024 ou 2025, em coordenação direta com a Comissão e com o secretariado da parceria CCAM. Quem não tem visibilidade nestas redes em maio de 2026 não chega a tempo.

Para empresas e entidades portuguesas, a recomendação prática é diferente da dos outros D6 deste call. Aqui não vale a pena esperar por uma chamada para parceiros. O caminho é identificar quem está a coordenar candidaturas (informação tipicamente disponível através do Ponto Nacional de Contacto Horizonte Europa, da CCAM Association ou de eventos da DG MOVE) e oferecer competências específicas em pacotes de trabalho concretos: corredor de teste, dataset urbano, expertise em cibersegurança automotiva, capacidade de validação ou demonstração em ambiente rural com características distintivas.

O risco operacional principal é a integração: gerir um consórcio com €100 milhões e múltiplos operadores transporte, OEMs e cidades implica governance complexa e resolução constante de conflitos. Não é projeto para entidades sem experiência prévia de coordenação europeia. O risco financeiro é o budget-based: ao contrário dos outros D6, exige reporte detalhado de custos elegíveis, com auditoria final. Empresas e centros sem capacidade administrativa para esta exigência devem candidatar como subcontratados, não como beneficiários diretos.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]