RIA para validar CCAM contra um conjunto realista de comportamentos humanos
O HORIZON-CL5-2026-01-D6-04 e uma Research and Innovation Action do Horizonte Europa Cluster 5 que financia o desenvolvimento de modelos validados do comportamento humano na condução, para uso em homologação, testes de consumidor e processos industriais de desenvolvimento de sistemas CCAM. A premissa simples: para validar virtualmente um veículo automatizado em tráfego real e preciso simular não só o ego-vehicle, mas também todos os outros condutores humanos com fidelidade comportamental.
Este tópico continua e estende o trabalho dos projetos i4Driving e BERTHA, que produziram bibliotecas iniciais de modelos comportamentais e métodos probabilísticos. A nova RIA empurra os modelos para TRL 5, alargando o conjunto de cenários cobertos e calibrando-os face a fatores como infraestrutura rodoviária, tipo de veículo, regras de trânsito locais e variáveis demográficas (género, idade, experiência).
Necessidades que este instrumento resolve
Este tópico opera no cruzamento entre engenharia automotive, ciências do comportamento e infraestrutura digital de validação. E adequado a quem combina capacidade técnica em simulação com investigação aplicada em ciências cognitivas e fatores humanos.
- I&D e ciência: e investigação aplicada com forte componente experimental, integrando recolha de dados em simuladores e em tráfego real, calibração estatística de modelos e validação cruzada com cenários previamente padronizados pela Parceria CCAM.
- Digitalização e IA: exige integração com plataformas de validação virtual existentes (HEADSTART, SUNRISE) e com a federated data exchange platform que está a ser construída no quadro do CCAM. Implica trabalho substancial em engenharia de software e infraestrutura de dados FAIR.
Porque os modelos atuais são insuficientes
Os sistemas CCAM serão homologados e testados largamente em ambiente virtual. A simulação reduz custo e risco e permite cobrir cenários raros e perigosos. Mas a fidelidade da simulação depende crucialmente da fidelidade dos modelos comportamentais dos outros utilizadores da estrada. Se o ego-vehicle automatizado interage com um modelo de condutor humano simplificado, qualquer conclusão sobre segurança em tráfego real e frágil.
Os projetos predecessores (i4Driving, BERTHA) entregaram avanços importantes mas ficaram limitados a um conjunto pequeno de cenários. Esta RIA expande o âmbito para situações de risco crítico (atravessamento de peões, ciclistas, manobras de emergência, tarefas paralelas como uso de telemóvel), considerando a variação estatística de comportamentos e os fatores que os influenciam, da infraestrutura à demografia.
As entregas obrigatórias
A proposta vencedora terá de cumprir cumulativamente os seguintes pontos:
- Modelos validados de comportamento humano: representando a variedade de comportamentos em cenários de segurança crítica, partilhados num repositório comum.
- Critérios de pass/fail: que possam ser usados em type approval, em consumer testing e em processos industriais de desenvolvimento.
- Comportamento human-like dos sistemas CCAM: design de comportamentos antecipáveis para outros utilizadores e aceitáveis para ocupantes do veículo automatizado.
- Aplicação em closed-loop simulation: dos modelos em tráfego misto, refletindo a variedade comportamental incluindo emergências.
- Calibração detalhada: face a fatores como infraestrutura, tipo de veículo, regras locais e variáveis demográficas (género, idade, experiência).
- Recolha de dados: em simuladores e/ou tráfego real, monitorizando o que se passa dentro e fora do veículo.
- Integração SSH: contributo de ciências sociais e humanidades como requisito explícito da proposta.
RIA Lump Sum: regras e implicações
Como nas outras RIAs Lump Sum do CCAM Partnership, o cofinanciamento e tipicamente até 100% dos custos elegíveis. O orçamento e contratado contra entregáveis, sem auditoria custo a custo. Implica detalhamento robusto do plano de trabalho na proposta e capacidade de execução credível. Aplicam-se as regras-padrão de elegibilidade (3+ entidades de Estados-Membros ou países associados) e as exceções ligadas a proteção de redes de comunicação europeias.
Quem se candidata em consórcio
Consórcio típico nesta família de RIAs combina: OEMs e Tier 1 com unidades de validação virtual, fabricantes e operadores de simuladores de condução, centros de investigação em fatores humanos e ergonomia, grupos de psicologia experimental e ciências cognitivas em universidades, organizações de consumer testing (Euro NCAP), autoridades de homologação e investigação rodoviária.
Para entidades portuguesas, há entradas naturais via Faculdades de Psicologia (Coimbra, Porto, Lisboa) com competência em fatores humanos, via centros como o IMT (mobilidade) ou o LNEC (rodoviária) e via empresas de tecnologia que trabalhem em validação virtual para automotive. Tal como nas outras RIAs CCAM, a entrada como lead exige presença prévia na Parceria CCAM, mas a entrada como parceiro de pacote de trabalho científico (validação comportamental, recolha de dados em simuladores) e mais acessível.
O que recomendamos
A janela deste tópico fechou em 20 de janeiro de 2026. O artigo serve como referência para os próximos ciclos da Parceria CCAM e para Work Programmes futuros, onde tópicos sobre validação virtual, type approval automatizado e comportamento humano continuarão a aparecer com regularidade. A pressão regulatória (UNECE, AI Act, Type Approval Framework Regulation) garante a continuidade do tema.
Para entidades portuguesas com competência em fatores humanos ou em validação automotive, três conclusões. Primeira, alinhar com a roadmap da CCAM Partnership e identificar os tópicos previstos para 2027 e 2028 e essencial. Segunda, posicionar-se como detentor de dados específicos (corredor experimental português, condutores em zonas rurais, comportamento em rotundas, comportamento mediterrânico em cruzamentos sem semáforos) cria diferenciação real, porque o universo de modelos comportamentais europeu sub-representa Portugal. Terceira, parcerias com Euro NCAP, com IDIADA, ou com TÜV oferecem a credibilidade institucional que avaliadores procuram em propostas relacionadas com homologação.
Sobre armadilhas: o equilíbrio entre rigor científico (modelos estatísticos validados) e usabilidade industrial (critérios pass/fail aplicáveis em homologação) e o ponto crítico da avaliação. Propostas excessivamente académicas ou excessivamente engenhariais tendem a falhar. E a integração SSH não pode ser nominal e exigida com tarefas, pessoal e entregáveis claros.
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