Contexto e Objetivos

Infraestruturas de transporte para uma Europa mais verde e resiliente

As infraestruturas de transporte europeias - estradas, pontes, ferrovias, vias fluviais - representam um legado construído ao longo de décadas, frequentemente com materiais e técnicas que hoje reconhecemos como insustentáveis. A construção e manutenção deste parque infraestrutural são responsáveis por emissões significativas de CO2, consomem recursos naturais a um ritmo que coloca pressão nos sistemas planetários e enfrentam vulnerabilidades crescentes face às alterações climáticas - cheias, ondas de calor, eventos extremos com frequência e intensidade crescentes.

O tópico HORIZON-CL5-2026-01-D6-07 financia uma Research and Innovation Action que confronta estes três desafios em simultâneo. O objetivo é desenvolver e demonstrar soluções combinadas de construção que sejam simultaneamente menos emissoras, mais resilientes ao clima e mais circulares - com metas quantitativas ambiciosas definidas pelo programa de trabalho.

50%
Materiais reciclados (meta)
-30%
Emissões ciclo de vida
RIA
Tipo de ação
Metas Quantitativas Obrigatórias
O programa de trabalho define resultados mínimos mensuráveis para os projetos financiados: pelo menos 50% dos materiais de construção utilizados devem ser reciclados ou provenientes de fontes recicladas; as emissões poluentes devem ser reduzidas em pelo menos 30% considerando o ciclo de vida completo da infraestrutura; e a resiliência climática a eventos extremos deve ser demonstrada de forma quantificável. Estas são metas de demonstração, não de aspiração.
Âmbito Técnico

O triple challenge que o projeto deve resolver

O programa de trabalho descreve explicitamente um "triple challenge" que a investigação deve abordar de forma integrada - não como três problemas separados, mas como dimensões interdependentes de uma mesma solução:

  • Limitação de emissões: redução das emissões de gases com efeito de estufa e poluentes ao longo de todo o ciclo de vida da infraestrutura - desde a extração de matérias-primas, passando pela construção e manutenção, até à descomissionação e reciclagem.
  • Resiliência climática: adaptação das infraestruturas de transporte a eventos extremos com frequência e intensidade crescentes - inundações, ondas de calor, deslizamentos, sismos - com foco em técnicas de construção e materiais que aumentem a vida útil e reduzam danos.
  • Biodiversidade e ambiente: integração de considerações ambientais e de biodiversidade no projeto e manutenção das infraestruturas, minimizando fragmentação de habitats, impermeabilização do solo e contaminação de recursos hídricos.

A abordagem deve cobrir o ciclo de vida completo - desde o sourcing dos materiais até à descomissionação - e as soluções devem ser demonstradas em contexto real ou em ambiente próximo do real, não apenas em laboratório.

Elegibilidade e Consórcio

Para que tipo de organização?

Este tópico é especialmente adequado para consórcios que combinem competências de engenharia civil, ciência de materiais, gestão ambiental e operação de infraestruturas. O perfil típico inclui:

  • Gestoras de infraestruturas de transporte - concessionárias de autoestradas, gestores de rede ferroviária, autoridades rodoviárias nacionais - com capacidade de disponibilizar troços de demonstração em contexto real.
  • Empresas de construção e manutenção de infraestruturas com experiência em materiais sustentáveis ou técnicas de construção de baixo impacto ambiental.
  • Fabricantes de materiais de construção (betão, asfalto, aço, geossintéticos) com capacidade de desenvolver formulações com maior teor de materiais reciclados.
  • Universidades e centros de investigação em engenharia civil, geotecnia, ciência de materiais ou modelação climática aplicada a infraestruturas.
  • Empresas de tecnologia de monitorização com sensores e sistemas de gestão de ativos para monitorização contínua de infraestruturas.

Em Portugal, entidades como a IP - Infraestruturas de Portugal, a EP - Estradas de Portugal, a Infraestruturas de Portugal no segmento ferroviário, o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) e empresas de construção como a Mota-Engil ou a Teixeira Duarte têm perfil direto para este tipo de consórcio. O LNEC, em particular, tem tradição de participação em projetos europeus de investigação em infraestruturas.

Alinhamento com a Estratégia Europeia de Mobilidade Sustentável e Inteligente
Este tópico implementa diretamente a Estratégia Europeia de Mobilidade Sustentável e Inteligente, que estabelece que as infraestruturas de transporte devem ser adaptadas às alterações climáticas e tornadas resilientes a catástrofes. O alinhamento com políticas europeias vinculativas - como o European Green Deal e o Pacote Fit for 55 - reforça a relevância estratégica e a probabilidade de continuidade do financiamento em ciclos futuros.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Portugal tem uma combinação pouco comum de ativos relevantes para este tópico: uma rede extensa de autoestradas concessionadas, exposição geográfica a riscos climáticos diversificados (inundações no interior, erosão costeira, ondas de calor no sul), um laboratório nacional de engenharia civil de referência europeia e um setor de construção com capacidade de inovação crescente.

A oportunidade mais imediata é construir consórcios em torno do LNEC como parceiro de investigação de referência, com gestoras de infraestruturas portuguesas como parceiros de demonstração em contexto real. Este modelo - investigação europeia validada em infraestrutura portuguesa - tem taxa de sucesso historicamente acima da média para países de média dimensão. Para as próximas edições do tópico, recomendamos iniciar o mapeamento de consórcios com 12 a 18 meses de antecedência, com foco particular na identificação de troços de estrada ou ferrovia onde a demonstração de novas técnicas seja operacionalmente viável.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]