Contexto e Objetivos

Inteligência artificial como acelerador da competitividade aeronáutica

O ciclo de desenvolvimento de uma aeronave - da conceção à certificação - pode demorar décadas e custar milhares de milhões de euros. A introdução de ferramentas de inteligência artificial em cada fase deste ciclo representa uma oportunidade concreta de comprimir prazos, reduzir custos e aumentar a fiabilidade dos sistemas. A Europa, com a Airbus, os seus fornecedores e uma rede densa de MROs (Maintenance, Repair and Overhaul), tem tudo a ganhar com a liderança nesta transformação digital.

O tópico HORIZON-CL5-2026-05-D5-07 financia até dois projetos de Research and Innovation Action (RIA), com cerca de €5 milhões cada, para desenvolver capacidades de IA assistida no design, redesign, certificação e manutenção de aeronaves. O conceito de "aeronave" neste tópico é abrangente - inclui propulsão, aeroestrutura, sistemas e a sua integração.

€10M
Dotação total
2
Projetos máximo
€5M
Por projeto
RIA
Tipo de ação
Resultados Esperados

O que os projetos devem produzir

O programa de trabalho do Horizonte Europa define resultados esperados específicos para este tópico, articulados em três domínios de aplicação da IA na aeronáutica:

  • Design e certificação assistidos por IA: ferramentas que acelerem o design de aeronaves com gémeos digitais e produtos virtuais, incluindo IA para definição de requisitos, validação e verificação de sistemas.
  • Fabrico digital inteligente: soluções de IA para planeamento e monitorização da produção, controlo de qualidade automatizado e gestão de cadeia de fornecimento, reduzindo tempo de ciclo e desperdício.
  • Operação e MRO preditivo: sistemas de monitorização de condição com IA para prever necessidades de manutenção, otimizar intervalos de inspeção e detetar degradações antes de se tornarem falhas.

A abordagem esperada é robusta - as ferramentas de IA devem funcionar em combinação com gémeos digitais existentes ou melhorados e não como soluções isoladas. A integração com processos de certificação reconhecidos pelas autoridades aeronáuticas (EASA) é um requisito implícito.

MRO - Manutenção, Reparação e Revisão
O setor MRO da aviação representa cerca de €80 mil milhões anuais na Europa. A manutenção não planeada - avarias inesperadas que imobilizam aeronaves - é um dos maiores custos operacionais das companhias aéreas. A IA preditiva pode reduzir significativamente estas ocorrências, aumentar a disponibilidade das frotas e reduzir o tempo médio de imobilização (AOG - Aircraft on Ground).
Elegibilidade e Consórcio

Perfil do consórcio ideal

As RIA aeronáuticas do Horizonte Europa exigem consórcios com combinação de competências industriais e académicas. Para este tópico específico, o consórcio deve demonstrar capacidade de desenvolver ferramentas de IA operacionalmente relevantes e validá-las em contexto aeronáutico real:

  • OEMs aeronáuticos ou fornecedores Tier-1/Tier-2 com sistemas de desenvolvimento de aeronaves e processos de certificação estabelecidos.
  • Operadores MRO certificados pela EASA com capacidade de validação em ambiente operacional real.
  • Empresas especializadas em IA e gémeos digitais aplicados a sistemas complexos de engenharia.
  • Universidades e institutos de investigação com competências em aprendizagem automática, dinâmica de voo, ou sistemas embarcados de aviação.

Em Portugal, a OGMA (manutenção aeronáutica, parcialmente detida pela Embraer), a Caetano Aeronautic, os centros de I&D do Instituto Superior Técnico em engenharia aeroespacial e empresas de software com especialização em sistemas críticos têm perfil relevante. O cluster aeroespacial nacional, ainda que de dimensão modesta comparado com centros como Toulouse ou Hamburg, tem crescido nos últimos anos e integrado cadeias de valor de grandes OEMs europeus.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este tópico é tecnicamente sofisticado e competitivo - com apenas dois projetos financiados, a taxa de sucesso esperada é muito baixa. Para organizações portuguesas, a estratégia mais inteligente é posicionar-se como parceiros especializados em componentes críticos: algoritmos de IA para diagnóstico de condição, ferramentas de verificação de requisitos, ou infraestrutura de dados de manutenção.

O ponto de entrada mais eficaz é através de redes sectoriais como a AEREA (associação do cluster aeroespacial português) e de parcerias com centros de investigação europeus que regularmente coordenam propostas nesta área. A participação numa proposta desta natureza - mesmo que não financiada - cria posicionamento e contactos que valem para múltiplas candidaturas seguintes.

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