RIA para resolver os pontos cegos de perceção em CCAM nível 4
O HORIZON-CL5-2026-01-D6-03 e uma Research and Innovation Action do Horizonte Europa Cluster 5 que financia investigação aplicada em sistemas de perceção do ambiente para Connected, Cooperative and Automated Mobility (CCAM). E uma das peças críticas da Parceria Europeia CCAM e responde diretamente aos problemas reais de implementação observados em pilotos de robo-taxi em cidades europeias e norte-americanas.
A questão prática e simples: veículos automatizados de nível 4 estão a falhar em situações que humanos resolvem com facilidade. Atravessamento de peões, zonas de obras, interação com ambulâncias e bombeiros, condições meteorológicas adversas. Esta RIA financia o desenvolvimento e validação de tecnologias de perceção que combinem sensores no veículo, sensores de infraestrutura, edge computing e machine learning, com o objetivo simultâneo de melhorar fiabilidade e reduzir consumo energético. O TRL alvo e 5 ao fim do projeto.
Necessidades que este instrumento resolve
Este tópico cruza I&D em sensoring e IA com requisitos industriais de cost-effectiveness, modularidade e eco-design. E adequado a quem está em fronteiras entre hardware automotive, software perceção e arquitetura de sistemas embebidos. A presença de stakeholders societais (ética, inclusão, regulação) e um requisito explícito do tópico.
- I&D e ciência: e o eixo central. Investigação em sensores avançados, AI at-the-edge, arquiteturas modulares, plataformas de software abertas e validação em condições reais. Projetos previstos atingem TRL 5.
- Digitalização e IA: o tópico exige integração de IA confiável, explicável e segura, em linha com a Estratégia Europeia de IA, em arquiteturas eletrónicas e middleware abertos.
- Sustentabilidade, energia e clima: a eficiência energética dos sistemas sense-control-act e parte do âmbito, com objetivo de reduzir o footprint ambiental dos veículos automatizados, incluindo eco-design, reutilização e reparabilidade.
Porque este tópico existe
A penetração comercial de veículos automatizados nível 4 em ambiente urbano tem revelado três problemas estruturais. Primeiro, perceção limitada em interações complexas com utilizadores vulneráveis e situações de emergência, levando a pedidos frequentes de remote assistance e a incidentes mediáticos. Segundo, consumo energético elevado dos sistemas de computação de bordo, em conflito direto com objetivos de descarbonização. Terceiro, custos elevados de hardware e software que tornam a tecnologia financeiramente inviável para deployment em massa.
A RIA aborda os três em simultâneo: investigação em fiabilidade, eficiência energética e standardização de hardware/software para reduzir custos via modularidade e escala.
Os eixos de trabalho obrigatórios
A proposta tem de cobrir todos os pontos seguintes:
- Sense-control-act completo: avanços em todos os passos do ciclo de perceção e ação, em sensores e atuadores no veículo e na infraestrutura, para garantir fiabilidade e gestão eficaz de disrupções.
- Tecnologias digitais habilitadoras: AI at-the-edge, machine learning, data spaces com cenários de referência, arquiteturas de software adequadas.
- Plataformas modulares e abertas: com transparência operacional, verificação e avaliação de segurança, com explicabilidade direta para autoridades e utilizadores.
- Eficiência energética e eco-design: redução de consumo em produção e operação, com facilidade de reuso, reparação e upgrade.
- Redução de custos: via escalabilidade, modularidade e padronização, tornando a tecnologia financeiramente viável.
- Apoio a remote assistance: como passo intermédio para automação superior em Operational Design Domains alargados.
- Articulação com SDVoF: uso de building blocks da iniciativa Software-Defined Vehicle of the Future do Chips JU, em particular hardware abstraction layer e SDV middleware.
- SSH e ética: consideração de aspetos societais, éticos, socioeconómicos e legais nos requisitos técnicos, com possível envolvimento via citizen science e projetos como CulturalRoad e Diversify-CCAM.
RIA Lump Sum: cofinanciamento e formato
A RIA Lump Sum cofinancia tipicamente até 100% dos custos elegíveis, com o orçamento contratado a priori contra entregáveis. Não ha auditoria custo a custo, há verificação técnica de cumprimento. Implica que o detalhamento do plano de trabalho na proposta tem de ser preciso e o consórcio deve ter capacidade de execução demonstrada.
As regras de elegibilidade aplicam-se: pelo menos três entidades de Estados-Membros ou países associados, com restrições específicas relativas à proteção de redes de comunicação europeias.
Quem se candidata em consórcio
Consórcio típico para esta RIA inclui: OEMs automotive (Volkswagen, Stellantis, Renault), Tier 1 suppliers de eletrónica (Bosch, Continental, Valeo), fabricantes de sensores (lidar, radar, câmaras), centros de I&D em IA aplicada e visão computacional, universidades técnicas com unidades de robótica e veículos autónomos e autoridades de mobilidade que possam atuar como utilizadores de validação.
Para entidades portuguesas, a entrada natural e via parcerias com consórcios estabelecidos no CCAM Partnership. Centros como o INESC TEC (visão computacional, robótica), Instituto Superior Técnico, Universidade do Minho (eletrónica e sistemas embebidos) e startups portuguesas em automotive AI são candidatos plausíveis a parceiros. Liderar este tipo de RIA a partir de Portugal exige presença prévia em fora da CCAM Association e relações com OEMs europeus.
O que recomendamos
A janela deste tópico fechou em 20 de janeiro de 2026. O artigo serve como referência para preparar candidaturas em ciclos seguintes da Parceria CCAM, que continuará a ter tópicos de perceção, AI safety e validação durante todo o Horizonte Europa.
Para empresas portuguesas com capacidade técnica em automotive AI, visão computacional ou eletrónica embebida, três conclusões. Primeira, integração em consórcios CCAM exige estatuto formal, inscrição na CCAM Association e participação em reuniões da Parceria. Sem isso, candidaturas oportunistas são tipicamente filtradas na avaliação. Segunda, o requisito de articulação com SDVoF (Chips JU) e relevante: empresas que já tenham presença em consórcios IPCEI Microelectronics ou em projetos do Chips JU partem com vantagem. Terceira, o eixo eco-design e eficiência energética e cada vez mais decisivo nos critérios de avaliação e ha know-how português neste cruzamento (caso INEGI, INESC TEC, INL Braga) que pode ser acionado.
Sobre armadilhas: TRL 5 num tópico que exige pilotos em condições reais e tecnicamente exigente. Propostas que sobreestimam o nível de maturidade tendem a falhar em demonstrar viabilidade no painel de avaliação. E a componente SSH não pode ser delegada num parceiro decorativo, tem de estar integrada no plano de trabalho, com tarefas, recursos e entregáveis claros.
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