O instrumento

O que é este topic do Horizonte Europa

O HORIZON-CL5-2026-01-D6-06 é um topic Innovation Action em regime Lump Sum do Cluster 5 do Horizonte Europa, dedicado à criação de uma plataforma federada de troca de dados para o ecossistema CCAM, ou seja, mobilidade conectada, cooperativa e automatizada. Está enquadrado na Parceria Europeia Co-Programada CCAM, que coordena estratégia europeia em condução automatizada e mobilidade cooperativa.

A premissa é simples e a execução é tudo. A Europa tem hoje vários data spaces para mobilidade (EMDS, FAME Test Data Space, deployEMDS, projetos como SUNRISE, AIthena, AWARE2ALL) com arquiteturas e ontologias diferentes. Para a indústria automóvel desenvolver, treinar, validar e homologar sistemas de condução automatizada com a velocidade exigida pela transformação setorial, é necessário um Federated CCAM Data Exchange Platform que ligue estes silos, garanta interoperabilidade e ofereça governance sustentável a longo prazo.

Não é construir um data space novo, é federar e operacionalizar os existentes. O perímetro técnico e estratégico está focado em torno do FAME Data Sharing Framework 2.0 e da CCAM Test Data Space, com alinhamento explícito com o Data Spaces Support Centre, o EMDS, o Simpl middleware e a futura European Digital Infrastructure Consortium (EDIC) para Mobility and Logistics Data.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

É um topic onde a investigação aplicada se cruza com infraestrutura digital crítica. Cada projeto financiado contribui para tornar possíveis aplicações de CCAM que não existem hoje porque não há acesso estruturado aos dados necessários para as desenvolver, treinar e validar.

  • I&D e ciência: a plataforma serve diretamente investigação em condução automatizada, perception systems, driver monitoring, decision-making algorithms, modelos de comportamento humano e sensores (GNSS, radar, câmaras, lidar). Permite reutilização de datasets de projetos como AIthena e AWARE2ALL e geração de digital twins via dados sintéticos. É infraestrutura científica com efeito multiplicador.
  • Digitalização e IA: o topic financia desenvolvimento de conectores, APIs, ontologias harmonizadas, gestão de perfis de utilizador, frameworks contratuais para acesso e uso de dados, integração de princípios FAIR e interfaces com Simpl middleware. É um projeto de engenharia de dados de larga escala, com IA aplicada a treino de modelos automotivos e validação por cenário sintético.
Âmbito técnico

Os blocos a cobrir na proposta

O regulamento define seis aspetos a tratar de forma articulada e integrada. Cada projeto vencedor entrega plataforma operacional, governance e modelo de negócio sustentável.

01
Avaliação de limitações dos data spaces atuais
Mapeamento de interfaces, ontologias, taxonomias, normas, formatos e modelos de monetização ou compensação aplicáveis a CCAM. Diagnóstico que serve de input à arquitetura.
02
Necessidades de informação e dados de referência para KPI
Cruzamento com o que Estados-Membros e Países Associados recolhem (estatísticas socioeconómicas, acidentes, infraestrutura, frota), de forma a garantir que a plataforma serve monitorização de impactos.
03
Construção da Federated CCAM Data Exchange Platform
Plataforma com tools, governance e modelo de negócio sustentável. Suporta demonstrações de larga escala, digital twins, validação de segurança, ADS regulation monitoring, comportamento de condutor, treino de modelos IA, KPI nacionais e UE.
04
Métodos, algoritmos e processos de refinamento
Como os dados são tratados e usados em cada caso de uso específico que a plataforma suporta. Pipelines verificados, não promessas genéricas.
05
Efeito do GDPR em workflows de IA e mitigações
Identificação de constrangimentos da regulação europeia de proteção de dados em treino de modelos automotivos e propostas de mitigação tecnicamente sustentáveis.
06
Governance e modelo de negócio
Estrutura de governance proposta para a plataforma, com plano de sustentabilidade e modelo de negócio viável. Sem isto, a plataforma morre quando o projeto termina.
Articulação obrigatória com o ecossistema
A proposta tem de demonstrar alinhamento explícito com EMDS, Data Spaces Support Centre, FAME Test Data Space, deployEMDS, futuro EDIC para Mobility and Logistics Data e CCAM Partnership SRG. Adicionalmente, deve usar o middleware Simpl sempre que possível e adotar princípios FAIR em todos os datasets. Cooperação internacional com Japão e EUA é encorajada.
Quem se candidata

Perfil de consórcio competitivo

Este topic é tecnicamente exigente e politicamente sensível. As propostas vencedoras combinam expertise em data engineering, conhecimento profundo do ecossistema CCAM europeu e capacidade de articular com o setor automóvel europeu.

PerfilContributo essencial
Centros de investigação CCAMFraunhofer, IDIADA, AIT, VTT e equivalentes que já operam datasets e bancos de cenários para validação de ADS. Sem esta presença, a plataforma fica desligada da realidade científica.
OEM e Tier 1 automóveisStellantis, Volkswagen, BMW, Renault, Bosch, ZF, Continental como utilizadores finais que validam casos de uso e oferecem governance industrial.
Operadores de data spaces existentesEquipas FAME, SUNRISE, AIthena, deployEMDS, AWARE2ALL. A continuidade técnica entre projetos é vital e a Comissão favorece propostas que asseguram esse legacy.
Empresas de data engineering e cloudConstroem APIs, conectores, ontology engines, data governance tools. Aqui Portugal tem competência clara em SaaS B2B e em cloud-native engineering.
Autoridades públicas e SRG da CCAM PartnershipCooperação com States Representative Group para garantir alinhamento com KPIs nacionais e regulação ADS.
Dimensão portuguesa

Onde Portugal pode entrar

Portugal não tem indústria automóvel CCAM-driver mas tem três ativos relevantes para participar em consórcios desta natureza. Primeiro, competência forte em software de gestão de dados, cloud-native engineering e data engineering, com empresas portuguesas a fornecerem soluções a OEMs europeus em áreas adjacentes. Segundo, centros académicos com track record em IA aplicada a transportes e visão computacional (IST, FEUP, CMU Portugal, INESC TEC). Terceiro, posicionamento natural em testes de campo para CCAM em corredores ibéricos, com a A1, A6 e A22 como rotas de demonstração potencial.

A entrada portuguesa mais credível é como integrador técnico: empresas que constroem conectores, gestão de identidade e autenticação, ou interfaces com data spaces de logística. A presença numa proposta liderada por Fraunhofer, IDIADA ou consórcio dirigido pela CCAM Partnership é o caminho realista. Tentar liderar consórcio CCAM a partir de Portugal é improvável. Trazer expertise pontual indispensável é viável e tem precedentes em projetos anteriores.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A primeira chamada deste topic encerrou em 20 de janeiro de 2026 e os projetos selecionados estão em avaliação. Para empresas e centros portugueses interessados em CCAM e data engineering, três recomendações para a próxima janela.

Primeira, mapear o universo CCAM Partnership e estabelecer contacto regular com o consórcio FAME e os projetos da família CCAM2 em curso. Os ciclos de projetos da CCAM Partnership têm continuidade explícita e as propostas vencedoras tipicamente são lideradas por consórcios que já participaram em iterações anteriores. Quem chega novo terá de demonstrar mais valor incremental do que quem já está dentro.

Segunda, focar em data engineering e cloud-native como porta de entrada. Os projetos CCAM precisam de pipelines escaláveis, de gestão de identidade federada, de monitorização contínua e de DevOps para data products. Empresas portuguesas com competência neste eixo (cloud, microservices, data mesh, streaming) têm vantagem competitiva sobre players de pura academia automóvel. O argumento a apresentar não é "sabemos de carros", é "construímos infraestrutura digital de larga escala".

Terceira, usar este topic como oportunidade de posicionamento para Horizon Europe Cluster 5 e Digital Europe combinados. CCAM data sharing está na intersecção de mobilidade e infraestrutura digital, com calls em ambos os pilares. Quem consegue desenhar uma proposta CCAM credível pode também candidatar-se a calls Digital Europe data spaces, multiplicando potencial de financiamento e visibilidade. Para projetos selecionados em avaliação, vale a pena começar já a preparar a próxima ronda, dado que CCAM Partnership tem ciclos previsíveis e janelas de candidatura subsequentes em 2027 e 2028.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]