O que é este topic do Horizonte Europa
O HORIZON-CL5-2026-01-D6-13 é um topic Research and Innovation Action em regime Lump Sum do Cluster 5 do Horizonte Europa, dedicado à segurança rodoviária de peões, ciclistas e utilizadores de dispositivos de micromobilidade. O foco está no novo paradigma de tráfego urbano onde e-bikes, e-cargo bikes, e-scooters, vehículos partilhados e dispositivos de assistência à mobilidade convivem com automóveis cada vez maiores e mais pesados e onde o conhecimento de segurança operacional ainda apresenta lacunas significativas.
A iniciativa contribui para a Vision Zero Strategy da União Europeia, para o Strategic Action Plan on Road Safety e para o EU Road Safety Policy Framework 2021-2030. Ao final do projeto deve ser atingido TRL 5-6, com piloto operacional em pelo menos dois ambientes urbanos reais. O regime Lump Sum simplifica o reporting financeiro mas exige rigor extremo na definição de pacotes de trabalho e milestones, dado que cada parcela é paga por entregáveis verificados, não por custos elegíveis.
Necessidades que este instrumento resolve
É um topic interdisciplinar onde a investigação científica se cruza com a sustentabilidade urbana. Contribui para que a transição modal para meios ativos e partilhados ocorra sem custo humano excessivo e que cidades europeias conseguem manter o ritmo de adoção de micromobilidade sem disparo de hospitalizações.
- I&D e ciência: o topic exige análise de exposição, modelação de fatores contribuintes para acidentes, avaliação de eficácia de tecnologias V2X e investigação em design de infraestrutura. Inclui colaboração estruturada com Social Sciences and Humanities, integrando psicologia comportamental, sociologia urbana e economia da saúde, requisito explícito do regulamento.
- Sustentabilidade, energia e clima: o crescimento da quota de viagens em modos ativos e micromobilidade é critico para a descarbonização urbana, mas só é sustentável se for seguro. O objetivo declarado é aumentar em 20% a adoção destes modos por todos os grupos etários e socioeconómicos nos pilotos, sempre acompanhada de redução do risco real e percebido.
Os blocos a cobrir
O topic obriga a uma abordagem multifatorial que integra dados, vehículos, infraestrutura, regulação e tecnologia. Sete elementos a tratar de forma articulada.
- Dados de exposição e fatores contribuintes: recolha estruturada para analisar segurança de peões, ciclistas e utilizadores de micromobilidade, identificando interações de risco entre modos de massa e velocidade diferentes.
- Análise diferenciada de necessidades de segurança: medidas adaptadas por modo (e-scooters partilhados versus e-bikes próprios), por finalidade da viagem (recreativa, comuting, entrega de mercadorias) e por perfil sociodemográfico.
- Risco para peões e ciclistas: quantificação do impacto que a micromobilidade de maior velocidade e massa tem na segurança real e percebida de peões e ciclistas.
- Infraestrutura ciclável: impacto do design geométrico, qualidade e continuidade da infraestrutura na segurança, considerando o aumento de procura, velocidade e dimensão dos veículos.
- Tecnologias V2X: avaliação de potencial de soluções vehicle-to-everything para reduzir conflitos e quase-acidentes entre peões, ciclistas, micromobilidade e tráfego motorizado.
- Design de bicicletas e dispositivos: melhores práticas em estabilidade e prevenção de quedas, contribuindo para um quadro regulatório europeu de homologação ou auto-certificação.
- Pilotos urbanos reais: mínimo de dois ambientes urbanos com novas geometrias de infraestrutura, tecnologias inteligentes V2X, regras locais que aumentem em 20% a quota destes modos com manutenção da segurança e plataforma de informação em tempo real para ciclistas com foco em utilizadores com vulnerabilidades particulares.
O que muda no orçamento e gestão
A escolha do regime Lump Sum nesta call não é uma simplificação cosmética, é um sinal de que a Comissão quer projetos com perímetro técnico claro, milestones bem definidas e baixa fricção administrativa. Quem propõe ao abrigo deste regime tem de internalizar três consequências práticas.
| Característica | Implicação prática |
|---|---|
| Pagamento por entregáveis | Cada work package é pago integralmente quando os entregáveis acordados forem aceites. Não há reembolso de custos elegíveis após auditoria, o orçamento é fixo e definido na proposta. |
| Detailed budget table específica | É obrigatório preencher a tabela detalhada de orçamento Horizon Europe Lump Sum, que estabelece a divisão por work package e parceiro. Erros aqui são corrigíveis até à fase de avaliação, mas comprometem credibilidade. |
| Milestones técnicas explícitas | Cada parcela exige condição objetiva de aceitação. Entregáveis qualitativos vagos ("relatório de boas práticas") são substituídos por critérios mensuráveis ("métricas de adesão a um piloto, baseline e variação ano-a-ano"). |
Onde estamos no mapa europeu
Lisboa e Porto têm vivido nos últimos anos uma adoção rápida de e-scooters e e-bikes partilhadas, com operadores como Bolt, Bird, Lime e operadores municipais. Esta realidade colocou-nos no centro do problema que o topic quer resolver: aumento exponencial de utilização sem dados estruturados de segurança nem quadro regulatório consolidado. O Plano de Mobilidade Sustentável Urbana (SUMP) de Lisboa e o Porto Mobilidade contemplam micromobilidade, mas ainda há terreno a percorrer em recolha de dados de acidentes e análise de impacto sociodemográfico.
A consequência prática é que cidades portuguesas, universidades com competência em ciências do comportamento e engenharia de transportes e centros de competência em IoT urbano são candidatos a integrar consórcios europeus deste topic. Áreas onde podemos contribuir de forma diferenciadora: análise de uso de micromobilidade em climas mediterrânicos, padrões de uso turístico (relevantes em cidades como Lisboa, Porto e Funchal) e sistemas hospitalares com dados de admissões por acidente que permitem cruzar epidemiologia com engenharia de transportes.
O que recomendamos
A primeira chamada do D6-13 encerrou em 20 de janeiro de 2026 e os projetos selecionados estão em avaliação. Para empresas e instituições portuguesas que ficaram fora desta janela, três recomendações concretas para preparar a próxima ronda no eixo de segurança urbana e mobilidade ativa.
Primeira, identificar uma combinação universidade-município-operador com tese clara. Os topics SSH-intensivos requerem credibilidade científica, dados reais de uso em ambiente urbano e disponibilidade política para implementar regras experimentais. Universidades com centros de transportes (IST, FEUP, UMinho), municípios como Lisboa, Porto, Cascais ou Aveiro e operadores de micromobilidade ativos no terreno formam um triângulo natural. Iniciar conversas formais agora vale mais do que tentar montá-las nos três meses anteriores à publicação da próxima call.
Segunda, capitalizar dados existentes. Hospitais públicos e a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária produzem informação de acidentes que, anonimizada e estruturada, é input direto para análise de exposição. Empresas portuguesas com competência em data engineering, anonimização e visualização ganham vantagem ao chegarem a um consórcio europeu com dados pré-trabalhados, em vez de prometerem recolha do zero durante o projeto.
Terceira, alinhar com instrumentos nacionais complementares. Pilotos urbanos têm custos de capital (sensores, infraestrutura V2X, comunicação) que extravasam o budget Horizon. PRR (Mobilidade Verde, Bairros Resilientes), Portugal 2030 (linhas urbanas) e fundo ambiental podem entrar como cofinanciamento da componente municipal, sem competir com a parcela europeia. Esta engenharia de financiamento reforça credibilidade do consórcio e demonstra commitment local da administração pública.
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