O que é este topic do Horizonte Europa
O HORIZON-CL5-2026-01-D6-10 é um topic Innovation Action do Cluster 5 do Horizonte Europa, dedicado a integrar o transporte por navegação interior, conhecido como Inland Waterway Transport (IWT), nas cadeias logísticas multimodais europeias. O propósito é destrancar uma quota modal que se mantém abaixo das expectativas há décadas, apesar dos seus benefícios ambientais óbvios face ao transporte rodoviário pesado.
A iniciativa enquadra-se na estratégia NAIADES III da Comissão Europeia para o transporte fluvial e na Sustainable and Smart Mobility Strategy. O topic não financia infraestrutura nem renovação de frota, financia investigação aplicada e demonstração em ambiente real de soluções de smart shipping, partilha de dados e modelos de operação que liguem fisicamente e digitalmente o IWT às restantes modalidades. Innovation Actions chegam a TRL 7-8 ao fim do projeto, ou seja, são protótipos a operar em ambiente operacional efetivo.
Necessidades que este instrumento resolve
É um topic onde a tecnologia digital se cruza com a transição climática do setor de transportes. Um projeto bem dimensionado tem de servir as duas necessidades simultaneamente e não apenas como prova de conceito tecnológica isolada.
- Digitalização e IA: o topic exige soluções concretas para conectar digitalmente o IWT a sistemas logísticos existentes, partilha de dados B2B em quadro multimodal, plataformas para shippers e freight forwarders e o uso explícito de IA generativa onde acelere a interoperabilidade. Não admite criar plataformas novas, obriga a integrar nas que já existem.
- Sustentabilidade, energia e clima: o objetivo final é aumentar a quota modal do IWT em corredores TEN-T, deslocando carga do rodoviário pesado, com efeitos diretos em emissões de gases com efeito de estufa, ruído e congestionamento. Os pilotos têm de quantificar o impacto ambiental e social face ao baseline definido no início do projeto.
Os blocos que o consórcio tem de cobrir
O topic é programaticamente exigente. Define cinco aspetos a abordar e todos têm de constar da proposta de forma concreta e mensurável, com pilotos a operar em ambientes reais.
Onde Portugal tem (e não tem) algo a dizer
Portugal tem uma tradição limitada em transporte fluvial de mercadorias. As bacias do Douro e do Tejo são essencialmente turísticas e a navegação interior comercial é marginal face aos grandes corredores Reno, Danúbio, Sena ou Elba. Esta é uma realidade objetiva e pesa na avaliação de propostas onde o consórcio liderante seja português.
Onde o tecido nacional pode entrar de forma competitiva é nas componentes transversais do topic: empresas de software de logística, integradores de sistemas portuários, centros de competência em ciência de dados de transportes, operadores que já articulam camiões e via marítima. A nossa expertise em smart ports (Sines, Leixões, Lisboa) e em sistemas de informação portuária é um argumento credível para entrar como parceiro técnico em consórcios liderados por operadores belgas, neerlandeses, alemães ou franceses.
O que diferencia uma proposta forte
| Critério | Fator-chave para pontuação |
|---|---|
| Excelência | Capacidade de demonstrar como as soluções propostas saem do estado da arte de smart shipping e como se diferenciam de Horizon 2020/Horizon Europe anteriores no mesmo eixo. |
| Impacto | Quantificação rigorosa dos ganhos ambientais e operacionais nos pilotos. Métricas de redução de emissões, transferência modal e custos administrativos comparáveis com baseline. |
| Implementação | Liderança industrial credível dos pilotos. Envolvimento de operadores reais (freight forwarders, intermodal operators, shippers) e administração pública. |
| Cobertura geográfica | Diversidade de bacias IWT, foco em aplicações cross-border, ligação a corredores TEN-T. Concentração num só país ou bacia é penalizada. |
O que recomendamos
A primeira chamada do topic encerrou em 20 de janeiro de 2026 e os projetos selecionados estão em fase de avaliação. Para a próxima janela do mesmo eixo de trabalho, três pontos críticos para empresas portuguesas que queiram entrar no jogo.
Primeiro, perceber que este topic não recompensa quem entra como subcontratado de comunicação ou disseminação. Em IAs com pilotos a TRL 7-8, a avaliação favorece consórcios onde cada parceiro traz capacidade técnica indispensável. A pergunta a responder é simples: que componente da proposta morre sem a participação portuguesa? Se a resposta não for clara, a participação será marginal.
Segundo, identificar agora os consortia leads naturais. Operadores como o Port of Rotterdam, Port of Antwerp-Bruges, EICB ou centros como Fraunhofer IML são os candidatos esperados a coordenar futuros projetos no eixo NAIADES III. Estabelecer canal de diálogo com estes atores antes da publicação da próxima call é mais valioso do que tentar entrar à última hora num consórcio formado.
Terceiro, a integração com eFTI é o terreno mais permeável a parceiros portugueses, sobretudo software e gestão documental aduaneira. A regulação eFTI exige plataformas autenticadas que muitas empresas portuguesas já constroem para clientes ibéricos e norte-africanos. Esta é a porta de entrada mais credível, mais do que tentar trazer expertise em navegação interior que não temos. Para empresas que avaliem este caminho, sugerimos enquadrar a candidatura europeia com cofinanciamento de digitalização logística (PRR, vouchers IAPMEI, COMPETE 2030 SIAC), que pode reforçar capacidade interna antes da call.
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