O que é o tópico D6-04
O HORIZON-CL5-2027-06-D6-04, "Holistic solutions for CCAM integration in critical scenarios", é uma ação de investigação e inovação do Cluster 5 do Horizonte Europa, o cluster dedicado ao clima, à energia e à mobilidade. O tópico foca-se na mobilidade conectada, cooperativa e automatizada, conhecida pela sigla CCAM, mas não na condução automatizada em condições normais. O alvo são os cenários críticos: situações menos regulares e de risco mais elevado em que o sistema de mobilidade automatizada pode ser perturbado.
Estes cenários incluem condições meteorológicas extremas, incidentes na estrada, ciberataques, disrupções de tráfego e a perda súbita de cobertura do domínio operacional do veículo. O tópico parte de uma premissa importante: a gestão destas situações não pode ser apenas técnica ou centrada no veículo. Tem de envolver o utilizador, o operador, o prestador de serviços, a cidade e as autoridades, numa lógica de sistema de sistemas. Implementa a parceria europeia CCAM e exige o contributo efetivo das ciências sociais e humanas.
Necessidades que este instrumento resolve
É uma ação de investigação aplicada com forte componente tecnológica e de dados, o que justifica o cruzamento de duas necessidades na biblioteca.
- I&D e ciência: o financiamento cobre a investigação aplicada que constrói sobre projetos anteriores como HEADSTART, SUNRISE, EVENTS, ROADVIEW e SYNERGIES, desde a recolha de casos de uso críticos até à validação de soluções em ambiente relevante, com a meta de atingir nível de maturidade tecnológica TRL 5 a 6 no fim do projeto.
- Digitalização e IA: as soluções a desenvolver incluem serviços de interpretação holística da situação em tempo real, arquiteturas locais de desconflituação de casos extremos e ferramentas de apoio à decisão, recorrendo a inteligência artificial, infraestrutura digital e técnicas de operação remota integradas em plataformas de mobilidade e sistemas de controlo de tráfego.
O que o projeto tem de fazer
A ação deve abordar um conjunto integrado de tarefas. Em primeiro lugar, desenvolver uma lista estruturada de cenários críticos, identificando as entidades afetadas, o papel e a relação de todas as partes interessadas, o impacto estimado e o tipo ótimo de contramedida baseada em CCAM. Depois, desenvolver e testar ferramentas e serviços para detetar situações críticas e casos extremos, bem como soluções de contramedida, com recurso a métodos de inteligência artificial e a protocolos comuns de resposta de emergência da UE.
Um eixo central é a confiança do utilizador. A adoção de um novo serviço de mobilidade automatizada depende da forma como os casos críticos são geridos e percecionados, pelo que a perspetiva do utilizador deve estar presente no desenho das soluções. As soluções têm ainda de ser validadas e avaliadas em termos de redução de risco e de impactos negativos e integradas em plataformas existentes em ambiente relevante. Os resultados devem alimentar futuras demonstrações CCAM e reportar para a monitorização dos indicadores da parceria.
Quem deve olhar para este tópico
O tópico dirige-se a consórcios que combinem competências de engenharia de mobilidade automatizada, ciência de dados e inteligência artificial, simulação, fatores humanos e articulação com autoridades rodoviárias e serviços de emergência. Por ser uma ação que cruza tecnologia, governação e aceitação social, valoriza-se a capacidade de juntar fabricantes, centros de investigação, operadores de infraestrutura, autoridades locais e nacionais e peritos em ciências sociais.
Para entidades portuguesas, há encaixe em vários papéis. Centros de investigação e empresas de tecnologia com trabalho em sistemas inteligentes de transporte, perceção do ambiente, comunicações veículo-infraestrutura ou simulação podem integrar consórcios europeus. Municípios e operadores de infraestrutura rodoviária podem contribuir como locais de teste e como fonte de requisitos das autoridades públicas, um dos resultados explicitamente procurados pelo tópico.
O que recomendamos
Com um único projeto previsto e 5,5 milhões de euros de dotação, este é um tópico de elevada concorrência, em que vence um consórcio amplo, credível e tecnicamente sólido. A diferenciação não estará apenas na qualidade da tecnologia, mas na abordagem holística que o tópico exige de forma explícita: integrar a perspetiva do utilizador, a articulação com autoridades e serviços de emergência e o contributo das ciências sociais. Propostas puramente técnicas, centradas no veículo, tendem a ficar aquém do que o avaliador procura.
A construção sobre projetos anteriores e a aplicação da metodologia europeia comum de avaliação para CCAM são vantagens competitivas para quem já participou neste domínio. A abertura está prevista para 3 de junho de 2027 e o prazo é 7 de outubro de 2027, com submissão em fase única. A Open Capital pode ajudar a avaliar o enquadramento, a identificar o papel mais adequado no consórcio e a estruturar a participação.
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