O instrumento

O que é a call HORIZON-CL5-2027-01

A call HORIZON-CL5-2027-01 integra o Cluster 5 do Horizonte Europa, dedicado ao Clima, Energia e Mobilidade. O seu destino é o avanço da ciência para uma transição justa rumo a uma sociedade neutra em carbono e resiliente. Financia investigação que fecha lacunas de conhecimento sobre as alterações climáticas e que produz ferramentas para apoiar decisores na conceção de políticas de mitigação e adaptação.

É uma call de investigação por excelência. Os projetos contribuem para grandes avaliações internacionais como o IPCC e o IPBES, e reforçam o Espaço Europeu de Investigação no domínio do clima. A submissão é de fase única, com abertura a 17 de novembro de 2026 e prazo a 4 de março de 2027, e o financiamento processa-se em regime de montante fixo.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A call serve sobretudo a comunidade científica e os centros de investigação que trabalham em ciência do clima e em modelação de cenários. As duas necessidades que cobre estão profundamente ligadas neste destino.

  • I&D e ciência: os projetos desenvolvem modelos de avaliação integrada, novas abordagens de cenários e melhor representação de políticas, com inclusão obrigatória de competências em ciências sociais e humanas.
  • Sustentabilidade, energia e clima: o objetivo último é informar trajetórias de baixas emissões e resilientes ao clima, articulando mitigação, adaptação e outras prioridades como a biodiversidade e a transição justa.
Tópico em foco

Cenários de nova geração para a transição climática

O tópico HORIZON-CL5-2027-01-D1-13 procura cenários de nova geração para informar as transições climática e de sustentabilidade. Os cenários têm sido instrumentais para moldar respostas globais, nacionais e locais às alterações climáticas, e este tópico pretende avançá-los face a um contexto de mudanças ambientais rápidas, instabilidade social e elevada incerteza.

As propostas devem abordar apenas uma de três áreas prioritárias, indicada com clareza:

  • Área A, impactos e adaptação: integrar melhor os impactos físicos do clima, a adaptação e os seus custos e limites nas trajetórias de mitigação.
  • Área B, quadros de cenários: atualizar cenários de base e alargar as narrativas, estendendo ou substituindo o quadro SSP e RCP para maior aplicabilidade regional e local.
  • Área C, representação de políticas: aumentar a granularidade e a diversidade da representação de políticas de mitigação e adaptação, aproximando os modelos da ação no mundo real.
€4M
Contribuição por projeto
6
Projetos previstos
3
Áreas prioritárias (A, B, C)
Estrutura

Os tópicos do destino de ciência do clima

O destino financia uma carteira de tópicos de investigação, com uma ação de cofinanciamento de maior dimensão. A tabela resume os tópicos com orçamento atribuído.

TópicoTipo de açãoDotaçãoProjetos
D1-11 CofinanciamentoCOFUND€15M1
D1-12Investigação€25M5
D1-13 Cenários de nova geraçãoInvestigação€24M6
D1-10Investigação€18M3
D1-07Investigação€18M3
D1-08Investigação€14M2
D1-09Investigação€9M3

No total, o destino mobiliza cerca de €123 milhões. Para garantir uma carteira equilibrada, no tópico de cenários os apoios serão atribuídos não apenas por ordem de classificação, mas também às duas melhores propostas em cada área prioritária.

Elegibilidade

Quem pode candidatar-se e em que condições

A participação faz-se em consórcio transnacional. Este destino acrescenta, contudo, exigências próprias da sua natureza global, que importa conhecer antes de avançar.

  • Cooperação internacional obrigatória: no tópico de cenários, o consórcio deve incluir pelo menos três entidades independentes estabelecidas em três países de rendimento baixo ou médio diferentes.
  • Ciência aberta: módulos, modelos e ferramentas desenvolvidos com financiamento europeu devem ficar em acesso aberto, com documentação, código e dados disponíveis.
  • Montante fixo: os custos elegíveis assumem a forma de lump sum, o que simplifica a justificação financeira mas exige um plano de trabalho bem definido à partida.
Uma call para a academia
Ao contrário das calls de inovação industrial, este destino dirige-se a universidades, laboratórios e centros de modelação. As empresas participam quando trazem competências de dados, software ou ciências sociais, raramente como promotor central.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Para o sistema científico português, esta call é uma oportunidade clara nas áreas da modelação climática, das ciências do sistema terrestre e da economia da transição. Os grupos de investigação nacionais com tradição em modelos integrados e cenários têm aqui um encaixe natural, sobretudo se já participam em redes europeias como a plataforma de modelação do clima e energia.

A exigência de parceiros de países de rendimento baixo ou médio é um requisito que muitas equipas subestimam e deve ser tratada cedo na construção do consórcio. Para empresas, o caminho passa por entrar como fornecedor de competências específicas, em dados, software de modelação ou comunicação de ciência, e não por liderar a proposta. O regime de montante fixo recompensa quem chega com um plano de trabalho maduro e penaliza a improvisação.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]