A cultura como motor da economia circular
Este é um tópico do Cluster 2 do Horizonte Europa, dedicado à Cultura, Criatividade e Sociedade Inclusiva. A chamada parte de uma ideia exigente: a transição de uma economia linear para uma economia circular não se resolve apenas com novos materiais e produtos, exige uma mudança de paradigma em que os fatores culturais são tão determinantes como os económicos ou os técnicos.
O foco está em compreender melhor a dimensão cultural da circularidade e em mobilizar o potencial dos setores e indústrias culturais e criativos para a fomentar. As candidaturas são Ações de Investigação e Inovação (RIA) e devem produzir resultados concretos: modelos de negócio escaláveis, sustentáveis e inclusivos, desenvolvidos com utilizadores e partes interessadas, que aproveitem práticas circulares oriundas dos setores criativos.
Entre os resultados esperados está um conjunto de ferramentas práticas que permita a empresas de vários setores aplicar princípios de inovação frugal inspirados nas indústrias criativas, recomendações baseadas em evidência para decisores políticos e módulos de formação em design circular e práticas de economia circular inspiradas no artesanato e no património local.
Necessidades que este instrumento resolve
Este tópico cruza investigação aplicada com uma agenda ambiental. Fá-lo a partir de um ângulo pouco habitual, o da cultura. É aí que reside a sua especificidade.
- I&D e ciência: financia investigação e inovação que estuda como os setores culturais e criativos podem reformular atitudes de consumo e acelerar a adoção de princípios circulares, gerando conhecimento, ferramentas e evidência transferível para outras indústrias.
- Sustentabilidade, energia e clima: o objetivo último é a economia circular, com a redução de resíduos, o aumento da eficiência de recursos e a promoção de padrões de consumo e reutilização sustentáveis, em linha com a Nova Agenda Europeia de Inovação.
Dotação, dimensão e calendário
A contribuição da UE situa-se entre 3 milhões e 3,5 milhões de euros por projeto, num modelo de fase única. A abertura prevista da chamada é 13 de maio de 2027 e o prazo de submissão é 23 de setembro de 2027. Como em todas as Ações de Investigação e Inovação do Horizonte Europa, exige-se um consórcio internacional.
Quem deve acompanhar este tópico
A chamada dirige-se a consórcios de investigação que combinem competências em economia circular, ciências sociais e setores culturais e criativos. Universidades, centros de investigação, organizações culturais, empresas das indústrias criativas e atores do design e do artesanato encontram aqui um enquadramento natural para participar, normalmente em parceria internacional.
Para entidades portuguesas com presença na economia criativa, no design ou na valorização do património, este é um tópico onde a especificidade cultural conta a favor. O desafio não é tecnológico no sentido tradicional, é a capacidade de traduzir práticas culturais e criativas em modelos de circularidade replicáveis noutros setores.
O que recomendamos
Este tópico vive numa intersecção que muitas organizações culturais ainda não associam ao financiamento europeu de investigação. Aí está a oportunidade. A concorrência tende a ser menos saturada do que nos tópicos puramente tecnológicos. Uma proposta que demonstre de forma credível como os setores criativos geram circularidade tem espaço para se destacar.
O ponto de atenção é a natureza RIA da ação. Não se trata de financiar uma atividade cultural, trata-se de produzir conhecimento, ferramentas e evidência com impacto além do projeto. Quem se candidatar deve estruturar a proposta em torno de resultados transferíveis e de um consórcio que junte rigor científico a prática criativa real. Com abertura prevista para maio de 2027, há tempo para construir a parceria certa. Recomendamos começar cedo a identificar o coordenador e os parceiros complementares, porque é a qualidade do consórcio que decide este tipo de candidatura.
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