Instrumento

O que é o tópico TRANSFO-06

O HORIZON-CL2-2027-01-TRANSFO-06, "Closing the learning gap: uncovering causes and effective policy interventions for declining youth skills in mathematics, reading, and science", é uma ação de investigação do Cluster 2 do Horizonte Europa. Parte de um dado incómodo: ao longo dos últimos quinze anos, as competências dos jovens europeus em matemática, leitura e ciências, medidas por avaliações internacionais como o PISA da OCDE, caíram de forma significativa, tanto nos níveis mais baixos como nos mais altos de desempenho.

A literatura analisou bem o efeito de curto prazo da crise da COVID-19, mas as causas estruturais deste declínio continuam mal compreendidas. Reverter esta tendência é um dos objetivos centrais da União das Competências. O tópico procura precisamente a investigação aprofundada que falta, com recurso a várias fontes de dados nacionais e internacionais, para perceber o que está realmente a empurrar os resultados para baixo.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

É um tópico de investigação em educação com forte ligação à equidade dos sistemas de ensino, o que justifica o cruzamento de duas necessidades na biblioteca.

  • I&D e ciência: o financiamento cobre investigação que identifica as causas estruturais do declínio e, a partir daí, mede o impacto causal de medidas corretivas, com métodos experimentais e quase-experimentais complementados por abordagens qualitativas e pela avaliação dos custos das políticas analisadas.
  • Impacto social e inclusão: a investigação cruza o efeito combinado da origem socioeconómica e do género nas desigualdades de desempenho, o papel da heterogeneidade crescente das turmas e o impacto do investimento público e das condições de trabalho dos professores, alimentando políticas mais justas no acesso às competências de base.
Âmbito e dotação

O que os projetos têm de fazer

O resultado esperado tem três camadas. Primeiro, dar aos decisores uma compreensão sólida das causas estruturais da queda das competências em matemática, leitura e ciências. Segundo, produzir evidência rigorosa sobre que práticas de ensino, programas e ações de política conseguem inverter essa queda, incluindo o papel dos currículos, dos ambientes de aprendizagem físicos e digitais e dos métodos inovadores. Terceiro, traduzir tudo isso em conselhos acionáveis para futuras avaliações e medidas dos sistemas de educação e formação.

As perguntas em aberto são muitas e concretas: como mudaram os métodos de ensino, o desenho curricular e as práticas de avaliação ao longo do tempo, que papel jogam as distrações digitais e a passagem da leitura em papel para o ecrã, qual a importância da escrita à mão para o desenvolvimento cognitivo, como afeta o envolvimento dos pais o desempenho escolar e qual o papel de instituições culturais como museus e bibliotecas. As propostas devem incluir a perspetiva dos próprios jovens na recolha de dados e assegurar cooperação estreita com as autoridades que detêm esses dados. São incentivadas abordagens interdisciplinares que combinem economia, sociologia, psicologia, neurociências e ciências da educação.

12M€
Dotação do tópico
3
Projetos previstos
3 a 4M€
Por projeto
Tipo de ação e financiamento
Ação de investigação e inovação do Horizonte Europa, financiada por montante fixo (lump sum), em regra a 100% dos custos elegíveis. O acesso a microdados educativos comparáveis e a colaboração com as autoridades que os detêm são condições práticas para uma candidatura credível.
Para que tipo de organização

Quem deve olhar para este tópico

O tópico dirige-se a universidades, centros de investigação em educação e economia, observatórios educativos e equipas com competências em econometria, psicometria e análise de dados de larga escala. A capacidade de articular dados PISA com microdados nacionais e de trabalhar com ministérios e autoridades educativas é determinante.

Para entidades portuguesas, o ângulo é relevante. Portugal acompanhou de perto a evolução nos rankings internacionais e dispõe de séries de dados e de instituições com experiência na avaliação de aprendizagens, o que dá às equipas nacionais matéria sólida para contribuir num consórcio europeu. A participação faz sentido sobretudo integrada numa parceria que compare vários sistemas educativos.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um tópico de investigação a fundo perdido com financiamento integral, mas o avaliador vai exigir rigor causal. Não basta documentar a queda das competências, é preciso isolar as causas e demonstrar que medidas concretas a conseguem inverter, com desenhos de investigação que suportem inferência causal e acesso real aos dados. As propostas mais fortes articulam uma pergunta central nítida com acesso assegurado a microdados e com o envolvimento das autoridades educativas desde o início.

Com três projetos previstos e doze milhões de euros de dotação, a seletividade é alta e premeia consórcios com dados próprios e ligação às infraestruturas europeias de investigação social. A abertura está prevista para 13 de maio de 2027 e o prazo é 23 de setembro de 2027. A Open Capital pode ajudar a avaliar o enquadramento e a estruturar a participação.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]