O que e

Uma alternativa europeia na pesquisa online

O HORIZON-CL4-2021-HUMAN-01-05 foi um tópico de Research and Innovation Actions (RIA) do Cluster 4 do Horizonte Europa, com candidaturas abertas entre 22 de junho e 21 de outubro de 2021. O objetivo era desenvolver tecnologias e soluções que permitam novas formas, fiáveis, de pesquisar e descobrir informação na Internet, através de recursos tão variados como dados pessoais, científicos, industriais e ambientais, dispositivos conetados, serviços e conteúdos multimédia.

A motivação de fundo era a soberania. A pesquisa online europeia depende fortemente de fornecedores externos. O tópico procurava capacitar cidadãos e empresas para pesquisar com mais segurança, exatidão, diversidade e transparência nos resultados, preservando a privacidade. Em vez de aceitar o modelo dominante, a União apostava num ecossistema de inovadores capaz de definir o rumo da evolução da pesquisa segundo uma abordagem centrada no ser humano.

A dotação foi de 17 milhões de euros, distribuída por dois projetos, financiados a 100% dos custos elegíveis. O tópico contribuía também para o Plano de Ação para os Media.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este tópico combina investigação de fronteira com a mobilização de inovadores da Internet e dos media sociais. Não financia a digitalização de uma empresa concreta, mas a tecnologia de base de um ecossistema europeu de pesquisa mais aberto e fiável.

  • I&D e ciência: o projeto avançava o estado da arte em pesquisa por voz, pesquisa cognitiva, processamento de linguagem natural, análise semântica e visualização de dados, com uma compreensão científica da inteligência coletiva subjacente aos sistemas de recomendação.
  • Digitalização e IA: ao canalizar fundos para startups, PME e inovadores de código aberto, o tópico fomentava serviços de pesquisa e descoberta centrados no utilizador e novos modelos de negócio assentes em melhor acesso a dados e em código aberto.
As duas áreas

Métodos avançados e infraestruturas

As propostas tinham de identificar claramente qual das duas áreas de investigação abordavam. A diferença entre elas estava não só no foco técnico, mas também no peso do financiamento a terceiros.

Área de investigaçãoFocoApoio a terceiros
Métodos de pesquisa e descobertaPesquisa por voz, pesquisa cognitiva, linguagem natural, análise de redes e visualização, de forma energeticamente eficiente.Min. 80% da verba
Infraestruturas de pesquisaConceção e piloto de infraestruturas de pesquisa distribuídas, com foco em sustentabilidade, segurança, fiabilidade, interoperabilidade e confiança.Min. 15% da verba

Em ambos os casos, os terceiros eram financiados através de concursos abertos, com projetos tipicamente entre 50 mil e 150 mil euros e duração de 9 a 12 meses. Na primeira área, com pelo menos cinco concursos ao longo da vida do projeto. Os projetos deviam apoiar software de código aberto, hardware aberto e acesso aberto aos dados.

Atenção ao âmbito
Tal como em outros tópicos desta chamada, as aplicações e serviços que inovam sem componente de investigação não eram elegíveis. O foco era a investigação avançada, não o desenvolvimento comercial puro de um motor de pesquisa.
Para que tipo de organização

Quem beneficiava

O perfil de coordenador era o de uma entidade ou consórcio com capacidade científica e de gestão de concursos abertos. Mas o público mais alargado eram os inovadores de código aberto, grupos de investigação académica, startups de alta tecnologia, PME e inovadores sociais que se candidatavam aos concursos lançados pelo projeto.

Para uma equipa portuguesa que trabalhe em motores de pesquisa, recomendação, linguagem natural ou tecnologias de descoberta, este modelo abria uma via de financiamento europeu sem a complexidade de uma candidatura RIA completa. O retorno não era apenas financeiro: a participação associava a equipa a um esforço europeu de soberania tecnológica com visibilidade.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O HUMAN-01-05 está encerrado, mas a ambição que o sustenta continua atual: reduzir a dependência europeia de tecnologias de pesquisa estrangeiras. Para as empresas do setor, o sinal a reter é que a União está disposta a financiar alternativas e fá-lo sobretudo através de mecanismos de cascata acessíveis a pequenas equipas.

A nossa orientação é pragmática. Uma startup ou PME que trabalhe em pesquisa, descoberta ou recomendação ganha mais em vigiar os concursos abertos lançados pelos projetos financiados do que em tentar liderar uma candidatura europeia de raiz. O ticket adequa-se a dimensão de uma equipa pequena e o prazo curto permite testar uma ideia com risco controlado. Ajudamos a mapear estes concursos no programa de trabalho em vigor e a estruturar candidaturas que demonstrem componente de investigação real, que é o critério que separa as propostas elegíveis das que ficam de fora.

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