O que e

Uma ponte de talento entre dois continentes

O HORIZON-CL4-2021-HUMAN-01-08 foi um tópico de Coordination and Support Actions (CSA) do Cluster 4 do Horizonte Europa, com candidaturas abertas entre 22 de junho e 21 de outubro de 2021. O objetivo era reforçar a cooperação entre a União Europeia e os Estados Unidos e entre a União e o Canadá no domínio da Next Generation Internet (NGI), através de um programa de bolsas de mobilidade.

A ideia central era simples e ambiciosa. Apoiar inovadores europeus da Internet a deslocar-se para trabalhar com pares norte-americanos e canadianos, partilhando a visão e os valores europeus e estabelecendo colaborações duradouras em torno de tecnologias, serviços e normas. O foco temático recaía sobre a confiança e a soberania de dados, a renovação da arquitetura da Internet e as tecnologias descentralizadas.

A dotação foi de 2 milhões de euros para um único projeto, com duração indicativa de 36 meses. O projeto financiado não gastava a verba em si próprio: organizava o programa de bolsas e redistribuía o apoio pelos investigadores selecionados.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este tópico mostra como o financiamento europeu pode servir a internacionalização do conhecimento, não através de exportação comercial, mas de mobilidade de talento e de construção de relações transatlânticas de longo prazo.

  • Internacionalização: o programa abria a investigadores europeus a possibilidade de trabalhar nos Estados Unidos ou no Canadá durante três a seis meses, criando laços e colaborações que reforçam a presença europeia na evolução global da Internet.
  • I&D e ciência: os bolseiros, sobretudo programadores de código aberto, investigadores académicos, startups de alta tecnologia e PME, levavam consigo e traziam de volta conhecimento sobre confiança, soberania de dados e arquiteturas descentralizadas.
Como funcionava

Bolsas de mobilidade financiadas em cascata

O mecanismo assentava em apoio financeiro a terceiros, selecionados através de concursos abertos. A maior parte da verba destinava-se diretamente aos bolseiros, não ao consórcio coordenador.

  • Quem podia ir: apenas cidadãos da União Europeia e dos países associados eram elegíveis para financiamento, num leque que incluía investigadores da Internet, programadores de código aberto, académicos, startups e PME.
  • O que cobria: o apoio destinava-se exclusivamente a despesas de viagem e estadia, durante bolsas de 3 a 6 meses, num modelo focado na mobilidade e não no financiamento de investigação propriamente dita.
  • Quanto ia para terceiros: um mínimo de 70% da contribuição europeia tinha de ser canalizado para o apoio aos bolseiros, reforçando a lógica de programa de mobilidade aberto.
Diálogo contínuo
Mais do que financiar deslocações pontuais, o tópico pretendia estabelecer um diálogo contínuo entre inovadores dos três espaços e um ecossistema transatlântico estável de investigadores, startups e comunidades ligadas à evolução da Internet.
Para que tipo de organização

Quem beneficiava

O coordenador típico era uma entidade com experiência em gestão de programas de mobilidade e de concursos abertos, capaz de operar relações institucionais com parceiros nos Estados Unidos e no Canadá. O verdadeiro público-alvo, contudo, eram os bolseiros individuais e as pequenas equipas que se candidatavam à mobilidade.

Para um programador português de código aberto, um investigador de tecnologias descentralizadas ou uma startup de Internet focada em privacidade, este modelo abria uma porta de acesso a ecossistemas de inovação norte-americanos sem a necessidade de financiar a deslocação por meios próprios. O retorno era de rede e de conhecimento, com risco reduzido para o participante.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O HUMAN-01-08 está encerrado, mas o modelo que representa continua a ser replicado pela União: usar bolsas de mobilidade para reforçar a posição europeia em tecnologias estratégicas, em vez de competir apenas com dotações de investigação. Para o ecossistema português, o sinal é que existe financiamento europeu acessível a indivíduos e a pequenas equipas, não só a grandes consórcios.

A nossa orientação é prática. Quem trabalha em tecnologias de Internet com vocação internacional ganha em acompanhar os programas de mobilidade lançados por projetos NGI e iniciativas equivalentes, porque oferecem ligações a ecossistemas externos com custo e risco controlados. Ajudamos investigadores e startups a identificar estes concursos e a preparar candidaturas que demonstrem o valor da colaboração proposta.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]