O instrumento

O que é o tópico HUMAN-01-26

O tópico HORIZON-CL4-2021-HUMAN-01-26 financiou uma ação de investigação e inovação (RIA) do Horizonte Europa dedicada às competências da força de trabalho na Indústria 5.0. Inserido no Cluster 4, Digital, Indústria e Espaço, partia de uma constatação simples. A quarta revolução industrial transformou a forma como se trabalha. Ainda não existe um mapa rigoroso de como o emprego, as profissões e as competências vão evoluir.

O resultado esperado era duplo. Por um lado, uma avaliação quantitativa e qualitativa da natureza das transformações no trabalho, estimando e mapeando as ocupações emergentes. Por outro, a criação de uma "plataforma Indústria 5.0" para as necessidades de competências do futuro, com orientações e recomendações dirigidas a decisores políticos, empresas e indivíduos, capazes de reduzir os défices de competências, atenuar eventuais efeitos de desemprego e reforçar a competitividade industrial sem perder a inclusão.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Não é um instrumento de financiamento direto a empresas, mas um projeto de conhecimento aplicado cujos resultados alimentam decisões de formação, contratação e política pública. Responde a duas necessidades ligadas.

  • I&D e ciência: trata-se de uma RIA que parte do nível de maturidade TRL 4 e procura atingir o TRL 6, mobilizando as ciências sociais e humanas para investigar os impactos da inteligência artificial, da robotização e da digitalização nos mercados de trabalho e nos modelos de negócio.
  • Formação e qualificação: o projeto identifica trajetórias de aprendizagem e percursos de formação para competências técnicas e transversais, incluindo ecossistemas de aprendizagem público-privados. Desenvolve ainda taxonomias de competências que permitem monitorizar a procura à medida que a tecnologia a vai alterando.
Âmbito

O que os projetos deviam investigar

A ação investigava os impactos sociais e económicos gerados pelas tecnologias disruptivas emergentes, da inteligência artificial e da aprendizagem automática à cadeia de blocos, aos grandes volumes de dados, à internet das coisas e ao 5G. O método combinava as ferramentas das ciências sociais e humanas com a experiência de líderes industriais, grandes empresas, PME, ecossistemas regionais e parceiros sociais, recorrendo também a uma comparação histórica com as revoluções industriais anteriores. Eram esperados contributos em várias dimensões.

  • Natureza do trabalho e competências, incluindo o impacto gerado pela pandemia de COVID-19 sobre a produtividade, o emprego e a mobilidade laboral.
  • Qualidade e novas formas de trabalho, cadeias de valor das empresas e modelos de gestão e organização.
  • Aspetos de género, características do local de trabalho, fatores sociodemográficos e estruturas territoriais.
  • Previsão da tendência dominante do emprego por setor, com mapeamento das ocupações emergentes e antecipação das competências que cada indústria vai exigir.
  • Compreensão das competências que não podem ser automatizadas, como a criatividade, a inteligência social e a resolução de problemas.
Da investigação à taxonomia de competências
Um dos produtos centrais era o desenvolvimento de taxonomias de competências, pensadas para acompanhar continuamente as mudanças na procura provocadas pelo progresso tecnológico. O objetivo era fechar os défices de competências antes que se traduzissem em desemprego, mantendo coerência com exercícios paralelos de referência, como os da OCDE e do Cedefop, bem como com as iniciativas nacionais de Indústria 5.0.
Elegibilidade

Quem se podia candidatar

Sendo uma ação de investigação e inovação, o tópico dirigia-se a consórcios de natureza académica e científica, com forte presença das ciências sociais e humanas, em articulação com empresas, associações industriais e parceiros sociais. O envolvimento efetivo de disciplinas e de peritos das ciências sociais e humanas era condição expressa, por ser a única forma de produzir efeitos significativos e socialmente relevantes a partir da investigação.

As condições de admissibilidade, os países elegíveis e as restantes regras seguiam os anexos gerais do programa de trabalho do Horizonte Europa. Como em qualquer RIA, o financiamento europeu cobria a totalidade dos custos elegíveis dos participantes. A inovação social era recomendada sempre que a solução exigia mudança social, novas práticas ou apropriação coletiva.

Estado e contexto

Uma chamada encerrada, um problema que se agravou

A chamada abriu a 22 de junho de 2021 e encerrou a 21 de outubro de 2021. Está fechada. O tema, esse, ficou mais urgente. A adoção acelerada da inteligência artificial generativa desde então tornou a antecipação de competências e a requalificação da força de trabalho num dos eixos centrais da política industrial e de emprego europeia. Os instrumentos sucessores no Cluster 4 continuam a trabalhar este domínio.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este tópico ilustra bem uma categoria de financiamento europeu que as empresas tendem a ignorar. Não entrega capital para investir em equipamento nem para contratar, entrega conhecimento estruturado sobre o futuro do trabalho. Para uma indústria que enfrenta escassez de talento qualificado, esse conhecimento vale tanto como o investimento produtivo, porque orienta onde formar, quem contratar e que perfis vão escassear.

Para empresas e centros tecnológicos portugueses, a leitura prática é dupla. A participação em consórcios de investigação aplicada sobre competências dá acesso antecipado a dados e taxonomias que informam o planeamento de recursos humanos. E os resultados destes projetos, públicos por natureza, são uma base útil para desenhar planos de requalificação alinhados com instrumentos como o Pessoas 2030. Recomendamos acompanhar as chamadas ativas do Cluster 4 dedicadas a competências e ao futuro do trabalho e cruzar essa leitura com os apoios nacionais à formação.

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