O instrumento

O que é o tópico HUMAN-01-25

O tópico HORIZON-CL4-2021-HUMAN-01-25 financiou ações de inovação (IA) do Horizonte Europa para o desenvolvimento de soluções de telepresença colaborativa estendida. O objetivo era estabelecer a liderança industrial europeia neste domínio, garantindo ética, privacidade, segurança e proteção, e combinando ambientes reais e virtuais para melhorar a interação humana à distância através de wearables e tecnologias mediadas por computador.

A pandemia de COVID-19 acelerou a necessidade destas tecnologias para sustentar a produtividade do trabalho remoto e manter os laços sociais. Ao mesmo tempo, expôs as limitações das ferramentas existentes em funcionalidade, interoperabilidade, eficiência, abertura, acessibilidade, segurança e privacidade dos dados pessoais.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

É uma ação de inovação próxima do mercado, que parte de tecnologia de realidade estendida para criar produto europeu competitivo. Responde a duas necessidades ligadas.

  • Digitalização e IA: as propostas alavancavam normas e tecnologias abertas no domínio da realidade estendida, combinando interação homem-máquina e todos os ambientes reais, mistos, aumentados e virtuais, para fornecer soluções de telepresença de baixo custo e amplamente disponíveis.
  • I&D e ciência: partindo do nível de maturidade TRL 4 e procurando atingir o TRL 6-7, os projetos resolviam desafios concretos de largura de banda, número de utilizadores simultâneos, modalidades de entrada e saída, e segurança e privacidade por desenho.
Âmbito

O que os projetos deviam resolver

Para garantir adoção alargada, as propostas deviam demonstrar capacidade de escalar, envolvendo um elevado número de utilizadores em testes em ambientes reais. Eram esperados contributos para vários dos pontos seguintes.

  • Suporte a uma ampla gama de larguras de banda, com compressão adequada para otimizar a qualidade de serviço ponta a ponta.
  • Superação das limitações no número de utilizadores simultâneos e suporte a várias modalidades, como texto, voz, áudio, vídeo, realidade aumentada e virtual, 3D e holografia.
  • Integração de serviços adicionais via normas abertas, como gravação, transcrição, tradução, anonimização e pesquisa instantânea sensível ao contexto.
  • Segurança e proteção da privacidade, através de encriptação, processamento na periferia e normalização, e interfaces abertas que evitem a dependência de fornecedor.
  • Aplicação de tecnologias de realidade estendida e de dispositivos hápticos para tornar as soluções mais intuitivas e acessíveis.
Apoio financeiro a terceiros
Para alargar os domínios de aplicação, esperava-se que os projetos organizassem chamadas competitivas com apoio financeiro a terceiros (FSTP). Pelo menos 50% do financiamento devia ser dedicado a este apoio, com um máximo de 200 mil euros por terceiro durante toda a ação.
Elegibilidade

Quem se podia candidatar

Como ação de inovação, o tópico dirigia-se a consórcios capazes de levar tecnologia madura ao mercado, reunindo empresas tecnológicas, integradores, centros de investigação e parceiros com acesso a utilizadores reais para teste à escala. As condições de admissibilidade e os países elegíveis seguiam os anexos gerais do programa de trabalho.

A componente de apoio a terceiros tornava o tópico especialmente interessante para PME e equipas mais pequenas, que podiam aceder a financiamento sem integrar o consórcio principal, através das chamadas competitivas abertas pelos projetos financiados.

Estado e contexto

Uma chamada encerrada, um mercado que cresceu

A chamada abriu a 22 de junho de 2021 e encerrou a 21 de outubro de 2021. Está fechada. O mercado da colaboração à distância e da realidade estendida amadureceu desde então, e a soberania digital europeia neste domínio continua a ser uma prioridade política.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A telepresença e a realidade estendida deixaram de ser promessa para se tornarem mercado concreto, com aplicações em formação, manutenção industrial, saúde e colaboração remota. A Europa parte em desvantagem face aos fornecedores externos, e instrumentos como este procuravam corrigir essa dependência.

Para empresas portuguesas de tecnologia, a leitura é dupla. Por um lado, há um caminho de produto em realidade estendida com procura real e crescente. Por outro, o modelo de apoio financeiro a terceiros mostra como equipas pequenas podem aceder a financiamento europeu indiretamente. Recomendamos acompanhar as cascatas de financiamento de projetos europeus ativos neste domínio, uma via frequentemente subaproveitada pelas PME.

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