O que é o tópico HUMAN-01-21
O tópico HORIZON-CL4-2021-HUMAN-01-21 financiou ações de investigação e inovação (RIA) do Horizonte Europa centradas na experimentação e no design conduzidos pela arte. A ideia é simples e pouco convencional: juntar práticas artísticas à competência tecnológica de um consórcio para conceber produtos e serviços alinhados com uma abordagem da inovação centrada no ser humano e com objetivos de sustentabilidade.
A ação dava continuidade às residências e aos projetos-farol S+T+ARTS, e abria a setores como manufatura verde, mobilidade e urbanismo, saúde, agricultura, energia e espaço. Embora abordasse todas as tecnologias digitais, dava ênfase particular à inteligência artificial.
Necessidades que este instrumento resolve
A arte entra aqui como método de investigação, não como ornamento. O tópico cruza desenvolvimento tecnológico com experimentação criativa, e responde por isso a duas necessidades.
- I&D e ciência: os projetos exploravam o design e a implementação de tecnologia em setores selecionados através de casos de uso entre engenheiros, programadores, utilizadores finais e artistas, começando ao nível de maturidade TRL 3 e procurando atingir o TRL 5.
- Digitalização e IA: a experimentação conduzida pela arte servia para estimular a adoção de tecnologias digitais, em particular a IA, e para aumentar a confiança e a aceitação dessas tecnologias na sociedade, reconhecendo de forma explícita os valores e as necessidades humanas.
Como funcionava o apoio a artistas
O consórcio dava suporte técnico e acesso a um leque de tecnologias digitais para experimentação conduzida pela arte, e canalizava apoio financeiro a terceiros para sustentar esse trabalho. O apoio a terceiros era concedido exclusivamente sob a forma de subvenções a dois tipos de destinatários.
- Tipo (a): artistas interessados em explorar e trabalhar com tecnologias para melhorar a sua usabilidade e adoção, com projetos tipicamente até 40 mil euros.
- Tipo (b): artistas e utilizadores ou fornecedores de novas tecnologias a colaborar em experiências conduzidas pela arte, com projetos tipicamente até 80 mil euros, dos quais 30% para artistas.
Quem se podia candidatar
A chamada estava aberta a instituições de investigação e tecnologia, empresas e PME dispostas a dar acesso a tecnologias digitais selecionadas e a ligá-las às artes. As condições de admissibilidade e os países elegíveis seguiam os anexos gerais do programa de trabalho do Horizonte Europa.
Para o ecossistema português que cruza tecnologia, indústria criativa e investigação, o tópico oferece um modelo claro de como integrar a prática artística no desenvolvimento de produto, sobretudo em torno da IA centrada no humano.
Uma chamada encerrada, um método que permanece
A chamada abriu a 22 de junho de 2021 e encerrou a 21 de outubro de 2021. Está fechada. A linha S+T+ARTS, que esteve na sua origem, continua ativa noutras iniciativas europeias, mantendo viva a ponte entre arte, ciência e tecnologia.
O que recomendamos
A colaboração entre arte e tecnologia parece, à primeira vista, um luxo afastado das prioridades de uma empresa. Não é. O design centrado no humano e a aceitação social das tecnologias digitais, em especial da IA, são fatores cada vez mais determinantes na adoção de produto. Empresas que ignoram esta dimensão constroem soluções tecnicamente sólidas que o mercado rejeita.
Recomendamos a empresas de tecnologia e a entidades das indústrias criativas que olhem para este modelo como referência metodológica, mesmo com a chamada encerrada. Para futuras candidaturas a instrumentos S+T+ARTS ou afins, a chave é demonstrar uma colaboração real entre artistas e equipas técnicas, não uma justaposição superficial.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]