Uma plataforma de serviços no espaço
O tópico HORIZON-CL4-2025-02-SPACE-22 financiou o desenho detalhado da plataforma HOST, o componente central da missão piloto europeia de operações e serviços no espaço, a missão ISOS. A sigla HOST designa um hub para serviços operacionais e testes em órbita. O seu papel é estrutural. Esta plataforma deverá alojar múltiplos satélites de serviço, experiências de demonstração e validação em órbita e módulos funcionais permutáveis, estando equipada com capacidades de manipulação robótica e de reabastecimento.
Se a missão ISOS quer criar as bases de uma nova economia no espaço, a plataforma HOST é a sua peça mais ambiciosa. Funciona como uma infraestrutura sustentável, altamente automatizada, flexível e economicamente viável, assente em conceitos de economia circular no espaço, com funcionalidade de satélites de ligar e usar e reutilização de módulos. É a diferença entre lançar objetos isolados e construir uma estação de serviço permanente em órbita.
Necessidades que este instrumento resolve
Sendo uma ação de investigação e inovação centrada numa capacidade espacial estratégica para a Europa, a necessidade que mobiliza é uma só, embora orientada desde o início para a sua futura exploração governamental e comercial.
- I&D e ciência: o tópico financiava a investigação para completar o desenho detalhado da missão e do sistema da plataforma HOST e para maturar as tecnologias críticas de uma plataforma modular, escalável e flexível, equipada com manipulação robótica, compatibilidade com módulos satAPPs e capacidade de reabastecimento. As atividades deviam atingir o TRL 6 no final do projeto.
O coração de uma missão coordenada
A plataforma HOST tem de funcionar em articulação com as restantes componentes da missão ISOS. O tópico definia com precisão o trabalho a desenvolver:
- Completar o desenho detalhado da missão e do sistema da componente plataforma, demonstrando que todas as tecnologias relevantes atingem o TRL necessário.
- Investigar tecnologias chave para uma plataforma escalável, modular e flexível, com manipulação robótica, compatibilidade satAPPs e reabastecimento, extensível e reconfigurável para diferentes necessidades governamentais e comerciais.
- Contribuir para o desenho global da missão piloto em cooperação estreita com as outras componentes, a ação de coordenação e o grupo consultivo da missão.
- Investigar funções e aplicações da plataforma e respetivos conceitos operacionais, considerando computação distribuída, arquiteturas multiagente e em rede, apoiadas por simulação.
As propostas deviam promover a cooperação entre indústria, PME e instituições de investigação e considerar a passagem rápida da inovação tecnológica para uso comercial no espaço. Esperava-se um contributo equilibrado das capacidades dos Estados-Membros e dos países associados elegíveis, bem como o recurso a tecnologias e blocos de construção europeus, contribuindo para a não dependência e a competitividade da União. O limite de páginas da candidatura era de 60 páginas e os custos elegíveis assumiam a forma de montante fixo.
Que perfil de organização servia
A dimensão e a complexidade da plataforma HOST exigiam um consórcio industrial de primeira linha do setor espacial europeu, com forte componente científica:
- Grandes integradores e empresas do setor espacial com competência em arquitetura de plataformas, robótica orbital e sistemas de reabastecimento.
- PME de tecnologia espacial com soluções em módulos, interfaces de serviço e operações em órbita.
- Centros de investigação e universidades com competência em sistemas espaciais, computação distribuída, arquiteturas multiagente e simulação.
O projeto selecionado tinha de colaborar com os projetos das componentes vizinhas da missão e com a ação de coordenação, formalizando essa cooperação num acordo de colaboração, para assegurar a interoperabilidade e a partilha de documentação e informação necessárias à implementação da missão piloto. A introdução bem-sucedida da capacidade de agir no espaço para a União e os seus Estados-Membros dependia desse trabalho conjunto.
O que recomendamos
A plataforma HOST é o tópico mais exigente da missão ISOS. Não é por acaso que prevê um único projeto com uma das maiores dotações do destino Espaço. É um tópico para os grandes integradores europeus e respetivos consórcios, onde a barreira de entrada é elevada e a competição se faz num círculo restrito. Para a maioria das empresas portuguesas, a via de participação não é liderar, mas integrar o consórcio vencedor com uma competência específica e bem demonstrada, seja em robótica, em módulos, em software de operações ou em simulação.
O essencial a reter é que a missão ISOS representa uma aposta europeia de longo prazo na economia em órbita e que tópicos como a plataforma HOST e os módulos satAPPs são apenas o primeiro passo de um programa que se vai prolongar por vários ciclos. Para o ecossistema espacial nacional, o valor está em entrar cedo nestas redes, ainda que com um papel modesto, porque é a participação na fase piloto que abre as portas às fases seguintes. A recomendação prática é mapear os consórcios europeus que lideram estas componentes e posicionar a competência portuguesa como peça necessária, antes de a missão avançar para a fase de implementação.
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