O que é

Da tecnologia de base à missão de demonstração

O tópico HORIZON-CL4-2025-02-SPACE-32 financiou ações de inovação para preparar missões de demonstração que combinam observação da Terra (EO) e comunicações por satélite (SatCom). Integra a linha de trabalho da digitalização das soluções espaciais comerciais e a Parceria Europeia cofinanciada para Sistemas Espaciais Globalmente Competitivos. Ao contrário dos tópicos de investigação de base, este foca-se nos níveis médios a altos de maturidade tecnológica, o ponto em que uma tecnologia deixa o laboratório e tem de provar que funciona numa demonstração próxima do uso real.

A digitalização é o grande motor de valor de um sistema espacial completo. O processamento de dados de múltiplos sensores aumenta a resolução final, a otimização digital do fluxo de dados melhora a rapidez de toda a cadeia de observação, do pedido à entrega. As técnicas digitais a bordo e em terra reforçam a resiliência e a integridade dos dados. É sobre estas alavancas que o tópico se debruça, com o objetivo de levar a Europa a manter uma quota relevante do mercado global de conectividade e de serviços de observação.

Concurso encerrado, ficha de referência
Este tópico do destino Espaço do Cluster 4, no programa de trabalho 2025, teve prazo único a 25 de setembro de 2025 e está encerrado. Recebeu 7 propostas e implementa a Parceria Europeia para Sistemas Espaciais Globalmente Competitivos, à qual os projetos reportam resultados.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Sendo uma ação de inovação centrada na demonstração de tecnologias digitais, o tópico cruza duas necessidades complementares: gerar conhecimento técnico e aplicá-lo na transformação digital dos sistemas espaciais.

  • I&D e ciência: o tópico financiava a maturação de tecnologias-chave de SatCom e EO até ao TRL 7 a 8, ou seja, até demonstração em ambiente relevante ou em órbita, o que exige investigação aplicada e validação rigorosa antes da entrada em pré-operação.
  • Digitalização e inteligência artificial: o eixo central é a digitalização das soluções espaciais, com processamento a bordo, inteligência artificial e aprendizagem automática, fusão de dados multissensor e otimização do fluxo de dados que aumenta a resolução e a rapidez dos serviços de observação e conectividade.
Âmbito

Três áreas de investigação e inovação

As propostas podiam contribuir para uma ou mais das áreas definidas, mas tinham de identificar de forma clara e inequívoca a área principal abordada:

  • Capacidades de missão SatCom de ponta a ponta, com interconexão de redes de satélites, integração nas redes terrestres, compatibilidade com 5G e 6G, comunicação ótica, ligações entre satélites, cargas úteis reconfiguráveis e bancos de ensaio flexíveis para topologias complexas.
  • Processamento a bordo para otimizar o desempenho e a rapidez das missões de observação, com estruturas de software para computação de proximidade, processamento de imagem para múltiplas bandas, padronização das interfaces e do fluxo de dados do segmento terrestre e fusão inteligente de informação de várias fontes.
  • Tecnologias e blocos de construção comuns a EO e SatCom, como maturação de soluções de segurança e identificação de ameaças, otimização do uso de recursos e cargas úteis de processamento de alto desempenho que demonstram flexibilidade de missão.
11M€
Dotação indicativa do tópico
3
Projetos previstos
7a 8
Maturidade tecnológica (TRL)

Para garantir um portefólio equilibrado pelas três áreas, os financiamentos seriam atribuídos não só por ordem de classificação, mas também à proposta mais bem classificada dentro de cada área, desde que atingisse todos os limiares. As propostas deviam promover a cooperação entre indústria, PME e instituições de investigação, recorrer a tecnologias e blocos de construção europeus que contribuíssem para a não dependência da União e explorar a complementaridade com projetos do Horizonte 2020, do Horizonte Europa e da Agência Espacial Europeia. O tópico contribui para a Plataforma de Tecnologias Estratégicas para a Europa, pelo que as propostas que ultrapassassem todos os limiares receberiam o Selo STEP.

Para quem

Que perfil de organização servia

O tópico dirigia-se a um ecossistema industrial e científico maduro, capaz de levar tecnologia até à demonstração:

  • Empresas de comunicações por satélite e de observação da Terra com competência em cargas úteis, processamento de dados e integração com redes terrestres.
  • PME de tecnologia espacial e digital capazes de transformar inovação tecnológica em uso comercial rápido, através de demonstrações em ambiente relevante ou em órbita.
  • Centros de investigação e universidades com competência em inteligência artificial, processamento de sinal e arquiteturas de computação de alto desempenho, incluindo alternativas de hardware aberto como o RISC-V.

Aplicavam-se critérios adicionais de elegibilidade, com restrições destinadas à proteção das redes de comunicação europeias. Os projetos que usassem dados de observação da Terra, posicionamento, navegação ou tempo tinham de recorrer ao Copernicus e ao Galileo ou EGNOS, podendo usar adicionalmente outros dados e serviços.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este tópico marca a transição do laboratório para a demonstração. Enquanto outros tópicos do destino Espaço amadurecem blocos de base ao TRL 4 a 5, o SPACE-32 pede demonstrações ao TRL 7 a 8, com cargas úteis e software prontos a equipar serviços comerciais. É um terreno exigente, que premeia consórcios com capacidade industrial real e uma demonstração credível, não apenas uma boa ideia de investigação.

Para empresas e centros portugueses que trabalham em processamento de dados de satélite, software para o espaço e inteligência artificial aplicada à observação da Terra, a leitura prática é que estes tópicos de demonstração valorizam contribuições digitais bem delimitadas dentro de um sistema maior. Raramente compensa liderar a totalidade de uma demonstração. Compensa identificar cedo onde uma competência específica faz a diferença e entrar no consórcio que dispõe da plataforma para a demonstrar. A obrigatoriedade de Copernicus e Galileo e o Selo STEP confirmam ainda a aposta da União na soberania tecnológica, o que favorece quem souber inscrever a sua tecnologia na lógica de não dependência europeia.

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