O que é

Digitalizar a cadeia de valor do espaço

O tópico HORIZON-CL4-2025-02-SPACE-31 financiou o desenvolvimento de blocos de construção tecnológicos de baixa a média maturidade para reforçar a competitividade europeia em dois domínios: as comunicações por satélite (SatCom) e a observação da Terra (EO). Insere-se numa linha de trabalho mais ampla, a digitalização das soluções espaciais comerciais e integra a Parceria Europeia cofinanciada para Sistemas Espaciais Globalmente Competitivos.

A digitalização é o grande motor de valor de um sistema espacial completo, do pedido à entrega de dados. O processamento aplicado a dados de múltiplos sensores pode melhorar de forma significativa a resolução final, a otimização digital do fluxo de dados melhora a rapidez de toda a cadeia de observação e as técnicas digitais a bordo e em terra reforçam a resiliência e a integridade dos dados. É sobre estas alavancas que o tópico se debruça.

Concurso encerrado, ficha de referência
Este tópico do destino Espaço do Cluster 4, no programa de trabalho 2025, teve prazo único a 25 de setembro de 2025 e está encerrado. Implementa a Parceria Europeia para Sistemas Espaciais Globalmente Competitivos, pelo que os projetos reportam resultados aos respetivos indicadores de desempenho.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Sendo uma ação de investigação e inovação centrada na maturação de tecnologias de base, a necessidade que mobiliza é clara, com um horizonte explícito de aplicação comercial.

  • I&D e ciência: o tópico financiava investigação para amadurecer blocos digitais de baixa a média maturidade, como algoritmos de inteligência artificial, arquiteturas em nuvem de alto desempenho, ótica ativa e adaptativa, novas antenas, cargas úteis definidas por software e instrumentos miniaturizados. As atividades deviam atingir o TRL 4 a 5 no final do projeto e podiam começar em qualquer nível de maturidade.
Âmbito

Três frentes de investigação

As propostas tinham de abordar pelo menos uma das áreas de investigação e inovação definidas no tópico:

  • Capacidades de missão SatCom de ponta a ponta, com interconexão de redes de satélites, integração nas redes terrestres, compatibilidade com 5G e 6G e tecnologias como comunicação ótica, ligações entre satélites e cargas úteis reconfiguráveis.
  • Harmonização e interoperabilidade entre missões de observação da Terra, com saltos digitais em algoritmos de inteligência artificial, arquiteturas em nuvem, ótica adaptativa e instrumentos miniaturizados para constelações acessíveis.
  • Blocos de construção e processos de baixa maturidade comuns a EO e SatCom, como tecnologias de segurança e identificação de ameaças, otimização do uso de recursos e maturação de cargas úteis de processamento de alto desempenho.
6M€
Dotação indicativa do tópico
3
Projetos previstos
4a 5
Maturidade tecnológica (TRL)

As propostas deviam promover a cooperação entre indústria, PME e instituições de investigação e explorar sinergias com ações já financiadas no desenvolvimento de tecnologia ao nível de componente, abrindo espaço a novos participantes e a novas abordagens. Esperava-se o recurso a tecnologias e blocos de construção europeus, contribuindo para a não dependência e a competitividade da União, bem como a complementaridade com projetos do Horizonte 2020, do Horizonte Europa, de programas nacionais e da Agência Espacial Europeia.

Para quem

Que perfil de organização servia

O tópico dirigia-se a um ecossistema industrial e científico especializado em tecnologias espaciais e digitais:

  • Empresas de comunicações por satélite e de observação da Terra com competência em cargas úteis, antenas, processamento de dados e integração com redes terrestres.
  • PME de tecnologia espacial e digital capazes de amadurecer blocos de base e de os preparar para uso comercial.
  • Centros de investigação e universidades com competência em inteligência artificial, processamento de sinal, ótica e arquiteturas de computação de alto desempenho.

Aplicavam-se critérios adicionais de elegibilidade, com restrições destinadas à proteção das redes de comunicação europeias. Os projetos que usassem dados de observação da Terra, posicionamento, navegação ou tempo tinham de recorrer ao Copernicus e ao Galileo ou EGNOS, podendo usar adicionalmente outros dados e serviços.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este tópico é menos vistoso do que as missões emblemáticas do destino Espaço, mas é onde se constrói a base. As comunicações por satélite e a observação da Terra são dois mercados onde a Europa quer manter uma quota global relevante. A digitalização é a alavanca que decide essa competição. Financiar blocos de base ao TRL 4 a 5 é apostar na camada de tecnologia que, anos depois, vai equipar constelações e serviços comerciais.

Para empresas e centros portugueses, em particular os que trabalham em inteligência artificial, processamento de dados de satélite e software para o espaço, estes tópicos de média maturidade são frequentemente mais acessíveis do que as grandes missões, porque valorizam blocos tecnológicos específicos e admitem novos participantes. A recomendação é mapear cedo as competências próprias face às três frentes do tópico e procurar consórcios onde uma contribuição digital bem delimitada faça a diferença, em vez de esperar por um tópico que cubra a totalidade de um sistema.

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