Lançadores que se diagnosticam a si próprios
O tópico HORIZON-CL4-2025-02-SPACE-13 financiou o desenvolvimento de tecnologias de média a alta maturidade para novas soluções de transporte espacial. É a continuação natural, na escala de maturidade tecnológica, do tópico de blocos digitais de base, mas aqui o objetivo é levar essas tecnologias à demonstração em terra ou em órbita. Integra a linha de digitalização das soluções espaciais comerciais e a Parceria Europeia para Sistemas Espaciais Globalmente Competitivos.
A redução de custos, o aumento de disponibilidade e a melhoria da fiabilidade devem ser alcançados aproveitando as vantagens da reutilização e da modularidade. O tópico foca-se em sistemas de monitorização da saúde do veículo que permitem identificar e localizar remotamente danos estruturais, como fissuras, corrosão, delaminação ou enfraquecimento, antes que conduzam a falhas graves, bem como em monitorização termomecânica autónoma que segue mudanças de temperatura, comportamento mecânico e cargas para prever e prevenir falhas.
Necessidades que este instrumento resolve
Sendo uma ação de inovação orientada para a demonstração de tecnologias maduras no transporte espacial, a necessidade que mobiliza é uma só, já muito próxima da aplicação.
- I&D e ciência: o tópico financiava investigação e inovação em aviónica inteligente com modularidade e reutilização, sistemas de monitorização da saúde, sensores inteligentes e monitorização estrutural, incluindo software de solo e de voo apoiado em algoritmos de inteligência artificial. As atividades deviam atingir o TRL 7 a 8 no final do projeto e visar a demonstração em terra ou em órbita.
Da deteção de danos à aviónica modular
As ações de investigação e inovação a desenvolver incluíam tecnologias avançadas e sensores digitais para o novo transporte espacial, sempre com vista a demonstração em terra ou em órbita centrada em software e ferramentas digitais:
- Aviónica inteligente com modularidade e reutilização como critérios principais, prevendo soluções modulares prontas a usar para todos os fabricantes de lançadores.
- Sistemas de monitorização da saúde e sensores inteligentes capazes de seguir o estado do veículo ao longo de todas as fases da missão.
- Monitorização estrutural com deteção de danos e acompanhamento termomecânico, prevendo e prevenindo falhas de forma autónoma.
- Software de solo e de voo para gestão de dados, incluindo recurso a algoritmos de inteligência artificial.
As propostas deviam promover a cooperação entre indústria, PME e instituições de investigação e considerar oportunidades de transformar rapidamente a inovação tecnológica em uso comercial no espaço. Esperava-se o recurso a tecnologias e blocos de construção europeus, contribuindo para a não dependência e a competitividade da União, bem como a complementaridade com projetos do Horizonte 2020, do Horizonte Europa, de programas nacionais e da Agência Espacial Europeia.
Que perfil de organização servia
Tratando-se de uma ação de inovação de maturidade elevada, o tópico exigia capacidade de demonstração e proximidade ao mercado:
- Fabricantes de lançadores e fornecedores de aviónica e sensores com capacidade de demonstrar soluções modulares e reutilizáveis em ambiente representativo.
- PME de sensores, software embarcado e monitorização estrutural capazes de levar a sua tecnologia ao TRL 7 a 8.
- Centros de investigação e universidades com competência em monitorização de saúde estrutural, inteligência artificial e gestão de dados de voo.
O que recomendamos
Este tópico está no extremo maduro do destino Espaço. Ao contrário da investigação de base, exige projetos prontos a demonstrar em condições reais, com tickets entre 4 e 7 milhões de euros e um TRL alvo de 7 a 8. É o tipo de tópico onde a Europa quer ver tecnologia a sair do laboratório e a entrar nos lançadores, com a reutilização e a modularidade como obsessão, porque é aí que se decide a competitividade do acesso ao espaço.
Para empresas portuguesas com produto já validado em monitorização estrutural, sensores ou software embarcado, este é o tópico mais próximo de uma venda real, mas também o mais exigente em maturidade e em capacidade de demonstração. A recomendação é avaliar com honestidade se a tecnologia está mesmo ao nível TRL exigido e, se estiver, garantir um lugar num consórcio que inclua um fabricante de lançadores com capacidade de demonstração, porque sem essa âncora industrial uma proposta de inovação dificilmente convence.
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