O que é

A camada digital do acesso ao espaço

O tópico HORIZON-CL4-2025-02-SPACE-12 financiou o desenvolvimento de blocos de construção tecnológicos de baixa a média maturidade para novas soluções de transporte espacial. Integra a linha de digitalização das soluções espaciais comerciais e a Parceria Europeia cofinanciada para Sistemas Espaciais Globalmente Competitivos, na área de acesso ao espaço.

O foco está na camada digital dos lançadores e dos sistemas de transporte. As áreas de melhoria do serviço de lançamento passam por sistemas de monitorização da saúde do veículo, redes de sensores de alta velocidade para dados em tempo real a bordo, aviónica inteligente, blocos funcionais para autonomia, comunicação de alta taxa de dados entre solo e veículo, computadores de bordo de alta velocidade e algoritmos de inteligência artificial para processar grandes volumes de dados. O objetivo último é reduzir custos e restrições operacionais e aumentar a sustentabilidade dos lançadores.

Concurso encerrado, ficha de referência
Este tópico do destino Espaço do Cluster 4, no programa de trabalho 2025, teve prazo único a 25 de setembro de 2025 e está encerrado. Implementa a Parceria Europeia para Sistemas Espaciais Globalmente Competitivos, pelo que os projetos reportam resultados aos respetivos indicadores de desempenho.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Sendo uma ação de investigação e inovação centrada na maturação de tecnologia digital de base para o transporte espacial, a necessidade que mobiliza é uma só.

  • I&D e ciência: o tópico financiava a maturação de ferramentas de software de eco-design que aumentam a reconfigurabilidade em órbita e de tecnologias disruptivas ligadas à digitalização, incluindo modelos para conceção, otimização e implementação de missões. As atividades deviam atingir o TRL 4 a 5 no final do projeto e podiam começar em qualquer nível de maturidade.
Âmbito

Eco-design e tecnologias disruptivas

As ações de investigação e inovação a desenvolver centravam-se em duas linhas principais:

  • A maturação de ferramentas de software de eco-design que aumentam a reconfigurabilidade em órbita, integrando análise de ciclo de vida e modelos de engenharia e ambientais para otimizar o desenvolvimento, a produção e a implementação de missões.
  • A maturação de tecnologias disruptivas e de mudança de jogo ligadas à digitalização dos sistemas de transporte espacial.
3M€
Dotação indicativa do tópico
2
Projetos previstos
4a 5
Maturidade tecnológica (TRL)

As propostas deviam promover a cooperação entre indústria, PME e instituições de investigação e explorar sinergias com ações já financiadas no desenvolvimento de tecnologia ao nível de componente. Esperava-se o recurso a tecnologias e blocos de construção europeus, contribuindo para a não dependência e a competitividade da União, bem como a complementaridade com projetos do Horizonte 2020, do Horizonte Europa, de programas nacionais e da Agência Espacial Europeia.

Para quem

Que perfil de organização servia

O tópico dirigia-se a um ecossistema especializado em transporte espacial e tecnologias digitais:

  • Fabricantes de lançadores e sistemas de transporte espacial com interesse em soluções modulares e reutilizáveis prontas a usar.
  • PME de software, aviónica e sensores capazes de levar tecnologias digitais ao TRL 4 a 5.
  • Centros de investigação e universidades com competência em modelação, eco-design, inteligência artificial e otimização de sistemas.
Elegibilidade restrita
Para salvaguardar os ativos estratégicos da União, a participação estava limitada a entidades estabelecidas nos Estados-Membros, na Noruega, na Islândia, no Canadá, na Nova Zelândia, na Suíça e no Reino Unido. Entidades de países fora deste âmbito tornavam a proposta inelegível. Os projetos que usassem dados de observação da Terra, posicionamento, navegação ou tempo tinham de recorrer ao Copernicus e ao Galileo ou EGNOS.

Os custos elegíveis assumiam a forma de montante fixo, em linha com a decisão do Horizonte Europa sobre contribuições por montante fixo.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O acesso ao espaço é o gargalo de toda a economia espacial. Quem lança mais barato, mais vezes e de forma mais sustentável domina a cadeia de valor a montante. A Europa sabe que está atrás neste capítulo e este tópico ataca o problema pela camada digital, que é onde os ganhos de custo e de flexibilidade são mais rápidos de obter sem reinventar o veículo inteiro.

A dotação é modesta, com dois projetos e tickets entre 1 e 3 milhões de euros, o que faz deste tópico uma porta de entrada interessante para PME e centros com competência específica em software, eco-design ou modelação. Para empresas portuguesas, a recomendação é não tentar competir no veículo completo, mas posicionar uma contribuição digital bem delimitada dentro de um consórcio liderado por um fabricante de lançadores. É nestes blocos de base que uma equipa pequena com tecnologia diferenciadora consegue um lugar à mesa.

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