A camada digital do acesso ao espaço
O tópico HORIZON-CL4-2025-02-SPACE-12 financiou o desenvolvimento de blocos de construção tecnológicos de baixa a média maturidade para novas soluções de transporte espacial. Integra a linha de digitalização das soluções espaciais comerciais e a Parceria Europeia cofinanciada para Sistemas Espaciais Globalmente Competitivos, na área de acesso ao espaço.
O foco está na camada digital dos lançadores e dos sistemas de transporte. As áreas de melhoria do serviço de lançamento passam por sistemas de monitorização da saúde do veículo, redes de sensores de alta velocidade para dados em tempo real a bordo, aviónica inteligente, blocos funcionais para autonomia, comunicação de alta taxa de dados entre solo e veículo, computadores de bordo de alta velocidade e algoritmos de inteligência artificial para processar grandes volumes de dados. O objetivo último é reduzir custos e restrições operacionais e aumentar a sustentabilidade dos lançadores.
Necessidades que este instrumento resolve
Sendo uma ação de investigação e inovação centrada na maturação de tecnologia digital de base para o transporte espacial, a necessidade que mobiliza é uma só.
- I&D e ciência: o tópico financiava a maturação de ferramentas de software de eco-design que aumentam a reconfigurabilidade em órbita e de tecnologias disruptivas ligadas à digitalização, incluindo modelos para conceção, otimização e implementação de missões. As atividades deviam atingir o TRL 4 a 5 no final do projeto e podiam começar em qualquer nível de maturidade.
Eco-design e tecnologias disruptivas
As ações de investigação e inovação a desenvolver centravam-se em duas linhas principais:
- A maturação de ferramentas de software de eco-design que aumentam a reconfigurabilidade em órbita, integrando análise de ciclo de vida e modelos de engenharia e ambientais para otimizar o desenvolvimento, a produção e a implementação de missões.
- A maturação de tecnologias disruptivas e de mudança de jogo ligadas à digitalização dos sistemas de transporte espacial.
As propostas deviam promover a cooperação entre indústria, PME e instituições de investigação e explorar sinergias com ações já financiadas no desenvolvimento de tecnologia ao nível de componente. Esperava-se o recurso a tecnologias e blocos de construção europeus, contribuindo para a não dependência e a competitividade da União, bem como a complementaridade com projetos do Horizonte 2020, do Horizonte Europa, de programas nacionais e da Agência Espacial Europeia.
Que perfil de organização servia
O tópico dirigia-se a um ecossistema especializado em transporte espacial e tecnologias digitais:
- Fabricantes de lançadores e sistemas de transporte espacial com interesse em soluções modulares e reutilizáveis prontas a usar.
- PME de software, aviónica e sensores capazes de levar tecnologias digitais ao TRL 4 a 5.
- Centros de investigação e universidades com competência em modelação, eco-design, inteligência artificial e otimização de sistemas.
Os custos elegíveis assumiam a forma de montante fixo, em linha com a decisão do Horizonte Europa sobre contribuições por montante fixo.
O que recomendamos
O acesso ao espaço é o gargalo de toda a economia espacial. Quem lança mais barato, mais vezes e de forma mais sustentável domina a cadeia de valor a montante. A Europa sabe que está atrás neste capítulo e este tópico ataca o problema pela camada digital, que é onde os ganhos de custo e de flexibilidade são mais rápidos de obter sem reinventar o veículo inteiro.
A dotação é modesta, com dois projetos e tickets entre 1 e 3 milhões de euros, o que faz deste tópico uma porta de entrada interessante para PME e centros com competência específica em software, eco-design ou modelação. Para empresas portuguesas, a recomendação é não tentar competir no veículo completo, mas posicionar uma contribuição digital bem delimitada dentro de um consórcio liderado por um fabricante de lançadores. É nestes blocos de base que uma equipa pequena com tecnologia diferenciadora consegue um lugar à mesa.
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