O problema da invisibilidade das infraestruturas tecnológicas
A Europa dispõe de uma rede vasta e diversificada de infraestruturas tecnológicas: linhas-piloto de fabrico, laboratórios de materiais avançados, plataformas de teste, instalações de prototipagem e centros de investigação de acesso aberto. Estas infraestruturas, financiadas ao longo de décadas por fundos públicos europeus e nacionais, representam um ativo estratégico considerável para a competitividade industrial europeia.
O problema é que esta riqueza permanece, na prática, invisível para quem mais precisa dela. PME, startups e scaleups que querem testar um novo material, validar um processo produtivo ou aceder a equipamento especializado raramente sabem que infraestruturas existem, onde estão, que serviços oferecem ou como aceder. A fragmentação geográfica e organizacional das infraestruturas tecnológicas europeias cria uma barreira de informação que penaliza sobretudo as empresas com menos recursos para navegar neste ecossistema.
Uma plataforma europeia de descoberta de serviços
O aviso HORIZON-CL4-2026-01-MAT-PROD-46 financia uma única ação de coordenação e apoio (CSA) com o objetivo de construir um portal interativo de acesso aberto que mapeie as infraestruturas tecnológicas europeias e facilite a descoberta dos seus serviços por PME, startups e scaleups.
A proposta financiada deverá desenvolver uma plataforma digital com as seguintes capacidades fundamentais:
- Mapeamento interativo: inventário abrangente e atualizado das infraestruturas tecnológicas em toda a UE, com geolocalização, descrição de capacidades e serviços disponíveis.
- Service finder: ferramenta de pesquisa orientada para empresas, permitindo filtrar infraestruturas por tecnologia, setor, localização e tipo de serviço.
- Sustentabilidade a longo prazo: mecanismos de auto-financiamento e governança que garantam a continuidade da plataforma além do período do projeto.
- Colaboração transnacional: redes de troca de conhecimento entre operadores de infraestruturas tecnológicas de diferentes países membros.
Para que tipo de consórcio
Dada a natureza da ação (construir e gerir uma plataforma europeia de longo prazo), o perfil esperado do candidato é específico: redes europeias de infraestruturas tecnológicas, associações industriais com implantação transnacional, ou consórcios liderados por organizações com experiência comprovada na gestão de plataformas digitais colaborativas a escala europeia.
A elegibilidade geográfica segue as regras padrão do Horizon Europe: Estados-membros da UE, países associados ao programa e membros da OCDE são elegíveis. Entidades controladas por países fora desta lista estão excluídas.
Para entidades portuguesas, a participação mais realista é como membro de um consórcio liderado por uma rede europeia já estabelecida, contribuindo com conhecimento local sobre as infraestruturas tecnológicas nacionais, como por exemplo centros tecnológicos sectoriais, unidades de interface empresa-universidade ou organismos de ligação ao ecossistema de investigação nacional.
O que recomendamos
O MAT-PROD-46 é um aviso altamente especializado com uma única oportunidade de financiamento. A combinação de um só grant disponível, uma dotação fixa e um âmbito técnico muito preciso (plataforma digital de mapeamento) significa que apenas uma proposta será financiada a nível europeu. A competição será intensa, com propostas a vir de redes europeias já organizadas neste domínio.
Para organizações portuguesas, o valor estratégico desta candidatura está menos no financiamento direto e mais na posição que a participação numa plataforma europeia deste tipo pode conferir: visibilidade das capacidades nacionais de investigação, integração em redes de colaboração transnacional e acesso preferencial a futuras oportunidades de utilização cruzada de infraestruturas.
O prazo de 21 de abril de 2026 está muito próximo. Candidatos que ainda não iniciaram a preparação da proposta têm margem muito reduzida para construir um consórcio sólido. O nosso conselho: identificar rapidamente se existe já um consórcio europeu em formação com espaço para parceiros portugueses e avaliar o custo-benefício de integração versus uma candidatura autónoma.
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