O que é

A CSA que sustenta a Parceria Europeia em Mundos Virtuais

O HORIZON-CL4-2027-04-HUMAN-02 financia, com 3 milhões de euros, uma única Coordination and Support Action que dá continuidade administrativa, técnica e estratégica à Parceria Europeia em Mundos Virtuais e Web 4.0. A parceria é uma das peças de uma estratégia europeia mais ampla: garantir que a próxima geração de internet imersiva (gémeos digitais, ambientes 3D persistentes, realidade aumentada e virtual, agentes IA contextualizados) é construída segundo valores europeus de abertura, privacidade, inclusão e interoperabilidade.

A CSA não desenvolve tecnologia. Sustenta o ecossistema. O consórcio vencedor coordena a comunidade, atualiza a Strategic Research and Innovation Agenda (SRIA), articula iniciativas europeias dispersas (Horizon Europe, Digital Europe Programme, fundos nacionais e regionais), conduz outreach industrial e cidadão e organiza a representação europeia em working groups internacionais de standards. Funciona como secretariado executivo de uma parceria co-programada que junta indústria, academia, RTOs e operadores públicos.

O âmbito temático é amplo. Mundos virtuais abrange jogos sérios, formação imersiva, gémeos digitais industriais, ambientes colaborativos remotos, simulação científica, comércio imersivo e patrimônio cultural digital. Web 4.0 é o vocabulário europeu para uma evolução da web baseada em IA, descentralização, interoperabilidade semântica e ativos digitais. A CSA cobre transversalmente todas estas frentes, com obrigação de envolver Ciências Sociais e Humanidades para garantir leitura societal das implicações.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A CSA cruza duas necessidades. Por um lado, atualiza e mantém viva a agenda científica e de inovação europeia em mundos virtuais, mapeando lacunas e identificando direções de I&D prioritárias. Por outro, dá projeção internacional ao ecossistema europeu mobilizando standards bodies, missões a feiras internacionais e ligação a iniciativas paralelas em EUA e Ásia.

  • I&D e ciência: a obrigação central é rever e atualizar a Strategic Research and Innovation Agenda da parceria, identificando topologias de problemas técnicos em aberto (interoperabilidade, fidelidade percetual, computação em edge, ergonomia, ética em ambientes imersivos). Esta análise alimenta os calls subsequentes de Horizon Europe.
  • Internacionalização: a ação inclui presença europeia em working groups internacionais de standards (W3C, MPEG, Khronos, IEEE Metaverse Standards Forum), articulação com iniciativas paralelas em Coreia, Japão e EUA e missões de divulgação que aumentem visibilidade global do ecossistema europeu em virtual worlds.
Atividades obrigatórias

Sete frentes que a proposta tem de cobrir

  • Atualização da SRIA: revisão da Strategic Research and Innovation Agenda assegurando utilidade prática, abertura, interoperabilidade, inclusão, sustentabilidade e confiabilidade, alinhada com valores europeus.
  • Reforço da Parceria: suporte contínuo à governança da Virtual Worlds Partnership, incluindo gestão de grupos de trabalho, eventos anuais, reporting à Comissão.
  • Competitividade do ecossistema: ações que reforcem empresas europeias na adoção e implementação de mundos virtuais, com particular atenção a setores industriais relevantes (manufatura, saúde, formação, mobilidade, cultura).
  • Ligação a programas paralelos: articulação ativa com Digital Europe Programme, outros clusters do Horizon Europe, programas nacionais e regionais, evitando duplicação de esforços e maximizando sinergias.
  • Outreach e adoção: programas de divulgação que aumentem compreensão e aceitação social de mundos virtuais, construindo confiança em soluções abertas, acessíveis e interdisciplinares.
  • Adoção em todos os Estados-Membros: distribuição geográfica explícita, com atenção a países e regiões com menor capacidade tecnológica, evitando concentração em hubs europeus dominantes.
  • Promoção de standards: mobilização de stakeholders europeus para working groups de normalização internacional, organizando representação coordenada que sustente o quadro regulatório europeu.
Estrutura financeira

CSA budget-based, 36 meses, beneficiária única

€3M
Dotação total da ação
1grant
Consórcio único selecionado
36meses
Duração indicativa

A ação é HORIZON-CSA com modelo Action Grant Budget-Based, o que significa reporte normal de custos por categoria (pessoal, subcontratação, equipamento, viagens, consumíveis, custos indiretos), em contraste com a HUMAN-07 que opera por lump sum. Para um consórcio de coordenação, esta estrutura tem vantagem: permite ajustes na composição da despesa ao longo do projeto, o que é útil em CSAs com atividades de outreach e standards onde os custos efetivos variam consoante a agenda das organizações internacionais.

A Comissão indica que propostas com cerca de 36 meses de duração são apropriadas, embora outras durações sejam elegíveis. Esta duração é coerente com o ciclo de programação Horizon Europe e permite cobrir dois work programmes consecutivos. O financiamento é a 100% para entidades não lucrativas e 100% para CSAs em geral.

Continuidade e articulação

Sucessão de HORIZON-CL4-2025-03-HUMAN-17

A proposta tem de prever alocação de tarefas para atividades de coesão com a CSA anterior, HORIZON-CL4-2025-03-HUMAN-17, que está em execução até 2027 ou 2028. Isto cria um requisito técnico relevante: a equipa vencedora terá de coordenar transição com o consórcio incumbente, evitar duplicações e garantir continuidade da SRIA, da plataforma de comunidade e dos dossiers em standards bodies. Na prática, isto favorece propostas que envolvam pelo menos um beneficiário do consórcio anterior, ou que demonstrem capacidade técnica equivalente.

A ação implementa formalmente a co-programmed European Partnership on Virtual Worlds, o que significa que a Comissão (via DG CNECT) e os parceiros privados da parceria têm voz formal no acompanhamento. A governança é mais densa do que numa CSA temática típica, com obrigações de reporting que vão para além das normais Annex G obligations.

Perfil do consórcio

Quem encaixa neste tipo de ação

O candidato natural é um consórcio europeu com três tipos de capacidade combinadas. Primeiro, capacidade de gestão de uma associação ou cluster pan-europeu, com governança formal e experiência prévia em coordenar partnerships co-programadas (XR4Europe, EuroXR, AIOTI são exemplos de organizações afins). Segundo, massa técnica e académica em áreas centrais (interoperabilidade, gráfica computacional, edge computing, IA aplicada, UX imersiva), tipicamente representada por institutos de investigação aplicada (CEA, Fraunhofer, INESC TEC, VTT) ou universidades técnicas. Terceiro, ligação industrial relevante, com peso de empresas europeias com produtos efetivos em mundos virtuais (jogos, simulação, gémeos digitais).

Tipo de parceiroFunção no consórcioExemplos europeus
Cluster pan-europeuCoordenador da CSA, gestão da comunidade, eventos, comunicaçãoAssociações setoriais de XR/3D, EuroXR, clusters industriais
Instituto de I&D aplicadaSRIA, gap analyses, ligação técnica a outros projetosFraunhofer, CEA, INESC TEC, VTT
IndústriaValidação industrial das prioridades, casos de usoFabricantes europeus de hardware/software XR, integradores
Ciências Sociais e HumanidadesAnálise societal, ética, impacto culturalUniversidades europeias com tradição em STS e digital humanities
Espaço para entidades portuguesas
O ecossistema português em mundos virtuais é pequeno mas com pontos fortes em conteúdo digital (animação, simulação, jogos), em centros de I&D (INESC TEC, Fraunhofer Portugal AICOS, ITI/LARSyS) e em algumas universidades (UPorto, IST, UMinho, UAlgarve). A entrada lógica é como work package leader em áreas específicas (acessibilidade, inclusão digital, casos de uso em património cultural ou turismo imersivo), não como coordenador.
Calendário e elegibilidade

Janela curta entre junho e setembro de 2027

A abertura está prevista para 17 de junho de 2027 com submissão única até 10 de setembro de 2027. São pouco menos de três meses entre abertura e deadline, o que é apertado para constituir consórcio com sete a doze parceiros europeus. Isto implica preparação substancial antes de junho de 2027.

A elegibilidade segue Annex B do Work Programme General Annexes: UE-27 e países associados Horizon Europe. A ação está sujeita a restrições de proteção de redes europeias de comunicação (relevante porque mundos virtuais têm forte componente de rede e streaming).

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Esta CSA é uma das menos óbvias do package CL4-2027-04 e exige leitura cuidadosa. A primeira reação típica de quem vê 3 milhões para uma CSA é descartar porque o valor parece pequeno e o trabalho parece administrativo. Recomendamos a leitura oposta: quem coordena a Parceria Europeia em Mundos Virtuais nos próximos três anos influencia diretamente o desenho dos calls Horizon Europe seguintes (provavelmente 60 a 100 milhões de euros de calls associadas), tem voz na atualização da SRIA que define linhas de investimento europeu e estabelece relacionamentos institucionais com a Comissão, com fabricantes europeus de XR e com clusters nacionais.

Para Portugal, a entrada estratégica não é tentar coordenar (a competição vem do consórcio incumbente da HUMAN-17 e de associações europeias com track-record). A entrada estratégica é integrar consórcio vencedor como work package leader numa frente onde Portugal tem ativos reais: património cultural digital, turismo imersivo, formação profissional em ambientes virtuais (CECOA, IEFP digital), ou ergonomia e UX em mundos virtuais. INESC TEC, ITI/LARSyS e algumas empresas de animação e jogos podem trazer perfil credível para este encaixe.

A janela útil para preparação é o segundo semestre de 2026 e o primeiro de 2027. Recomendamos identificar agora o consórcio incumbente da HUMAN-17 e iniciar conversação para encaixe português. Em paralelo, vale acompanhar reuniões da Virtual Worlds Partnership e contributos públicos para a próxima SRIA, sinal claro de presença europeia. Para PME portuguesas com produtos em XR ou metaverso industrial, esta CSA é o canal para que a próxima geração de calls Horizon inclua temas onde a empresa tem encaixe.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]