O que e

Uma CSA dedicada a observar a observação

O HORIZON-CL5-2026-01-D2-09 e uma Coordination and Support Action do Horizonte Europa CL5 que financia uma única entidade ou consórcio para uma tarefa de meta-avaliação: monitorizar e avaliar como dezoito projetos do Cluster 5 implementam a abordagem Societal Readiness piloto que a Comissão Europeia introduziu em oito tópicos do Work Programme 2025.

Societal Readiness e o complemento societal ao TRL. Mede o grau em que os resultados de I&I integram preocupações, valores e necessidades de diferentes grupos sociais, aumentando a probabilidade de adoção e impacto. A Comissão lançou um piloto em 2025 com tópicos sinalizados como SR. A presente CSA observa esses pilotos, identifica boas práticas, recolhe lições aprendidas e produz recomendações para escalar a abordagem.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este tópico está deliberadamente fora dos eixos clássicos de transferência tecnológica. E uma ação de avaliação metodológica institucional, não um projeto de pesquisa aplicada. Aplica-se a centros com competência em Social Sciences and Humanities, em política de I&I e em avaliação de programas europeus.

  • I&D e ciência: ainda que o foco seja meta-avaliação, exige produção de outputs académicos sólidos: análises comparativas dos relatórios de Societal Readiness, publicação sobre interdisciplinaridade STEM/SSH, recomendações metodológicas para a DG RTD.
  • Premios e visibilidade: o consórcio adjudicado e dotado de uma plataforma web pública e de papel central na conferência anual com os pilotos, posicionando-o como referência institucional na arquitetura SR para o pós-2027.
Contexto

Porque a Comissão lançou este piloto

Há mais de uma década que a UE introduziu a noção de Responsible Research and Innovation. Mas a sua aplicação prática, dentro do Horizonte Europa, tem sido fragmentada: alguns tópicos pedem ligações SSH, outros não e os critérios de avaliação variam. O piloto Societal Readiness procura sistematizar, num conjunto controlado de tópicos do Cluster 5, a integração SSH e o envolvimento de stakeholders societais desde a fase de proposta até à execução.

A questão a que esta CSA responde e simples na formulação e densa na execução: o piloto funcionou? Que combinações partner SSH/STEM produziram interação genuinamente interdisciplinar e que combinações ficaram em colaboração nominal? Que mecanismos de envolvimento societal acrescentaram valor e quais geraram custo sem retorno?

Confidencialidade obrigatória
O texto do tópico exige que o consórcio adjudicado assine declaração de confidencialidade: vai ter acesso aos Descriptions of the Action e a relatórios internos dos pilotos. Isto restringe o perfil dos parceiros candidatos, qualquer entidade com conflito de interesses com os pilotos não pode liderar.
Tarefas obrigatórias

O plano de trabalho mínimo

A proposta vencedora compromete-se com a totalidade das atividades seguintes:

  • Análise dos Descriptions of the Action: de cerca de 18 projetos pilotos selecionados em 8 tópicos do CL5 2025/2026, avaliando como Societal Readiness foi integrada em conteúdo, implementação e metodologia.
  • Análise dos First reports SR: avaliar a evolução da visão SR de cada consórcio entre proposta e primeiro relatório.
  • Análise dos Final reports SR: síntese das experiências de implementação, desafios e lições aprendidas.
  • Avaliação dos mecanismos interdisciplinares: identificar abordagens SSH/STEM bem sucedidas e menos sucedidas, com publicação de tips para futuros consórcios.
  • Workshops anuais presenciais: reunir representantes de todos os pilotos, com cobertura de custos de viagem incluída.
  • Plataforma web pública: servir como balcão único de apoio futuro para utilizadores SR, com casos práticos, dos and donts, exemplos.
  • Recomendações finais: à Comissão, propondo melhorias da abordagem mantendo um nível de complexidade razoável e replicabilidade entre tecnologias e domínios.
Forma do financiamento

CSA Lump Sum: orçamento fixo, entregáveis fixos

Como CSA, este tópico não cobre experimentação técnica. Cobre coordenação, análise, eventos e produção de relatórios e plataforma. O modelo lump sum significa que o orçamento e fechado a priori, com entregáveis pré-definidos. Não ha auditoria custo a custo, ha verificação técnica do entregável.

O perfil orçamental relevante: pessoal técnico SSH, pessoal de avaliação e gestão, viagens (workshops anuais com participantes de todos os pilotos), desenvolvimento e manutenção de plataforma web durante 42 meses, custos de publicação e disseminação.

Para que tipo de empresa ou entidade

Quem se candidata

Este tópico tem um perfil de candidato muito específico: centros académicos e de investigação com track record demonstrado em SSH aplicada a tecnologia, em RRI e em avaliação de programas de I&I europeus. Universidades com unidades de Science and Technology Studies, centros como o STIR ou o Centre for Science Technology and Society Studies, consultoras europeias especializadas em avaliação de Horizon (caso de Technopolis, Empirica, Fraunhofer ISI).

Para entidades portuguesas, há entrada possível para centros como o ISCTE, a Universidade de Coimbra (CES), ou unidades do Instituto Superior Técnico que combinem SSH e engenharia. Mas tipicamente como parceiros de consórcio liderado por entidade europeia maior, dado o requisito de neutralidade face aos pilotos e o nível de articulação com a DG RTD.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A janela deste tópico fechou em janeiro de 2026 e o adjudicatário e atualmente único e desconhecido em fase pública. O artigo serve como referência para preparar candidaturas futuras a tópicos de avaliação similares e para as próximas evoluções do quadro Societal Readiness no programa pós-Horizonte Europa.

Para entidades portuguesas, há duas leituras úteis. Primeira, se o vosso consórcio venceu um dos oito tópicos pilotos do CL5 2025, vão ser observados durante 42 meses pelo consórcio adjudicatário deste tópico e e bom preparar o relatório SR com cuidado: vai ser comparado com 17 outros e usado para definir o pós-piloto. Segunda, se planeiam liderar candidaturas SSH/STEM em ciclos futuros, acompanhar o output desta CSA (publicações, plataforma web) dará vantagem informativa significativa, porque a metodologia SR vai sair daqui parametrizada.

Quanto a armadilhas em CSAs de meta-avaliação: a confidencialidade tem de ser levada a sério. Qualquer leak ou publicação prematura sobre projetos individuais inviabiliza relações futuras com a Comissão. E a articulação com SSH não pode ser performativa, os avaliadores sabem distinguir SSH genuinamente integrada de window dressing.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]