O que é o tópico DRS-02
O tópico HORIZON-CL3-2027-01-DRS-02 financia investigação sobre resiliência societal através do envolvimento ativo das gerações mais novas na preparação, resposta e recuperação face a catástrofes, com recurso a inovação digital, educação e participação comunitária.
A dotação indicativa é de 6 milhões de euros para cerca de dois projetos, com contribuição europeia de 3 milhões cada. É uma Research and Innovation Action em fase única, com abertura a 5 de maio de 2027 e prazo a 4 de novembro de 2027. As atividades devem atingir TRL 5 no final do projeto.
O enquadramento etário está definido no próprio texto. No contexto da União, jovem é tipicamente quem tem entre 13 e 30 anos, alinhado com a Estratégia da União para a Juventude, ainda que alguns programas ajustem o intervalo consoante o contexto. Esta precisão importa porque delimita o público das intervenções que o projeto vai desenhar.
Necessidades que este instrumento resolve
A preparação para catástrofes tem sido tratada como matéria de autoridades e de equipas especializadas. Este tópico parte de outra premissa: a resposta europeia melhora quando a população participa, sendo que o segmento etário com maior capacidade de adotar novas práticas é também aquele que os canais tradicionais de comunicação de risco alcançam pior.
- Impacto social e inclusão: o foco recai sobre o comportamento de crianças, jovens e outros grupos em situação de vulnerabilidade antes, durante e depois de catástrofes ligadas ao clima e de emergências de saúde. O objetivo declarado é integrar as perspetivas dos jovens nos processos de decisão, com abordagem interseccional que reconheça a heterogeneidade crescente desta população.
- Digitalização e inteligência artificial: as soluções assentam em ferramentas digitais, gamificação e métodos de aprendizagem interativa, com recurso a inteligência artificial, realidade virtual e aumentada, análise de redes sociais e jogos sérios. A componente digital é o meio principal de envolvimento, não um complemento.
O que os projetos devem desenvolver
Os resultados esperados são cinco e as propostas devem contribuir para alguns ou todos: programas de educação adaptados às gerações mais novas com ferramentas digitais e gamificação; reforço da resiliência societal através do envolvimento de jovens, cidadãos e autoridades locais; investigação colaborativa que integre a perspetiva juvenil e a participação comunitária; melhoria da resiliência e do comportamento de crianças, jovens e grupos vulneráveis face a catástrofes climáticas e emergências de saúde; e ferramentas de formação e educação que envolvam jovens e outras populações vulneráveis na preparação e na gestão de crises.
- Abordagens participativas: devem ser priorizadas iniciativas lideradas por jovens, ciência cidadã e plataformas digitais de envolvimento, para reforçar a resiliência de base comunitária e assegurar que a perspetiva dos jovens entra nos processos de decisão.
- Comunicação e tecnologias emergentes: além das tecnologias já referidas, devem ser exploradas estratégias de comunicação inovadoras para aumentar a participação juvenil, em particular através de tecnologias digitais e redes sociais.
- Pilotos e casos reais: devem ser desenvolvidos exemplos práticos, incluindo pilotos e estudos de caso reais, para testar e refinar as abordagens. Este é o elemento que distingue uma proposta operacional de um exercício conceptual.
- Ligação aos sistemas de gestão de crise: as propostas devem explorar métodos para interligar os dados dos jovens com equipas de gestão de crises, profissionais e autoridades, assegurando que as suas contribuições são efetivamente integradas nos quadros de resposta a emergências.
- Roteiro de adoção: tal como no tópico de equipamento de proteção, os projetos devem conduzir uma análise de partes interessadas ou de mercado e um roteiro de adoção das metodologias, resultados e tecnologias pela indústria, pela comunidade de investigação ou pelas autoridades relevantes.
Elegibilidade, financiamento e calendário
| Parâmetro | Condição |
|---|---|
| Concurso | Segurança Civil para a Sociedade 2027, HORIZON-CL3-2027-01 |
| Tipo de ação | Research and Innovation Action |
| Contribuição por projeto | 3 milhões de euros |
| Dotação total do tópico | 6 milhões de euros |
| Projetos esperados | 2 |
| Maturidade tecnológica | TRL 5 no final do projeto |
| Consórcio obrigatório | Pelo menos 2 organizações da sociedade civil e 2 organizações não governamentais que representem jovens ou organizações de juventude, de 3 Estados-Membros ou países associados diferentes, na qualidade de beneficiárias |
| Dados de satélite | Uso obrigatório de Copernicus e Galileo ou EGNOS, se aplicável |
| Modelo de custos | Montante fixo (lump sum) |
| Modelo de candidatura | Fase única, abertura a 05/05/2027, prazo a 04/11/2027 |
A taxa de financiamento é de 100% dos custos elegíveis, aplicável a todos os beneficiários. Combinada com o modelo de montante fixo, esta condição torna o tópico particularmente acessível a organizações sem capacidade de tesouraria para adiantar comparticipação própria, o que é coerente com um consórcio que tem de incluir quatro entidades do terceiro setor.
A exigência de consórcio é a mais alargada dos cinco tópicos que analisamos: duas organizações da sociedade civil mais duas organizações não governamentais representativas de jovens, distribuídas por pelo menos três países. Aplicam-se ainda as restrições de proteção das redes de comunicação europeias e a possibilidade de tratamento de informação classificada ou sensível, ainda que num tópico com esta natureza essa hipótese seja pouco provável.
Para que tipo de organização faz sentido
Este é o tópico do concurso com maior abertura a organizações fora do setor tecnológico. Universidades das áreas da educação, da psicologia e das ciências sociais, associações juvenis, organizações de proteção civil de base voluntária e autarquias com programas de resiliência têm aqui encaixe direto.
Portugal tem uma característica que joga a favor. A rede associativa juvenil é densa e institucionalizada, com federações nacionais reconhecidas e experiência de participação em programas europeus através do Erasmus+ e do Corpo Europeu de Solidariedade, precisamente duas das iniciativas que o tópico manda articular. Essa experiência prévia é um ativo de proposta, não apenas uma credencial.
Há também espaço para empresas. O desenvolvimento de jogos sérios, de plataformas de envolvimento digital e de aplicações de realidade aumentada é trabalho técnico com fornecedor especializado. Portugal tem indústria de conteúdos digitais e de videojogos com dimensão europeia. O papel dessas empresas é de parceiro tecnológico num consórcio cuja liderança tende a ser académica ou associativa.
Do lado das autoridades, o tópico refere expressamente autoridades locais e equipas de gestão de crise. Municípios com planos municipais de emergência ativos e com programas de educação para o risco em escolas são parceiros credíveis para a componente de piloto e de estudo de caso real.
O que recomendamos
Tópicos de dimensão social são frequentemente subestimados por quem trabalha financiamento europeu, com o argumento de que são menos competitivos. A experiência mostra o contrário neste destino: com apenas dois projetos financiados e um universo alargado de candidatos elegíveis, a seleção é apertada e o fator diferenciador raramente é a ideia.
A primeira recomendação é sobre a autenticidade da participação juvenil. O tópico pede iniciativas lideradas por jovens e integração das suas perspetivas na decisão. Uma proposta em que os jovens aparecem como público-alvo de uma intervenção desenhada por adultos contradiz o próprio texto do concurso. Consórcios que incluam organizações efetivamente geridas por jovens, com poder de decisão sobre o plano de trabalho, respondem a este requisito de forma que uma carta de apoio nunca responderá.
A segunda é sobre a ligação aos sistemas de crise. O requisito de interligar os dados dos jovens com equipas de gestão de crises, profissionais e autoridades é o elemento tecnicamente mais exigente do tópico e o mais fácil de tratar de forma vaga. Uma proposta que descreva com precisão que dados, por que canal, com que garantias de proteção e com que integração nos protocolos existentes das autoridades distingue-se imediatamente.
A terceira é sobre a ética e a proteção de menores. Um projeto que trabalhe com crianças e jovens em contexto digital vai enfrentar avaliação ética exigente, com implicações no consentimento, no tratamento de dados de menores e na moderação de plataformas. Antecipar esse pacote na proposta, com procedimentos concretos, evita reformulações demoradas na negociação da subvenção.
A quarta é sobre o TRL 5. O tópico fecha em validação em ambiente relevante, portanto os pilotos são parte do trabalho. Consórcios que já tenham comunidades escolares, municípios ou redes juvenis disponíveis para testar têm meio caminho feito. Identificar e comprometer esses locais de piloto é o trabalho que faz sentido iniciar agora, com dois anos de antecedência sobre a abertura do concurso.
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