Da ameaca singular ao risco sistemico integrado
A chamada HORIZON-CL3-2026-01-DRS-02 financia Innovation Actions (IA) focadas no avanco da avaliação de riscos multi-ameaca. O problema central e bem conhecido pelos especialistas em gestão de emergencias: os sistemas atuais avaliam cada tipo de ameaca isoladamente, mas as catastrofes reais raramente obedecem a esta logica. Uma onda de calor que deteriora a rede eletrica, que por sua vez compromete o abastecimento de água e que depois agrava um incendio florestal - este encadeamento sistemico e o que este topico quer compreender e prever.
O financiamento e de 8 milhoes de euros em Lump Sum Grant, com montantes por projeto entre 1,5 e 6 milhoes de euros. Esperam-se varios projetos financiados. O tipo de acao e HORIZON-IA (Innovation Action), exigindo solucos com TRL 6 no final do projeto - ou seja, demonstracao em ambiente relevante.
O prazo de candidatura e 1 de abril de 2027, integrando o segundo grupo de prazos desta call (juntamente com DRS-01). Este prazo mais longo permite o desenvolvimento de modelos computacionais robustos, a recolha de dados de campo e a validacao em cenarios reais europeus.
Oito resultados que o projeto deve abordar
O regulamento define oito objetivos de investigação e inovação para os projetos financiados neste topico:
- Modelos preditivos multi-ameaca integrados: modelos que avaliem efeitos em cascata entre ameacas meteorologicas (inundacoes, ondas de calor, tempestades), geofisicas (sismos, deslizamentos) e tecnologicas (falhas de infraestrutura critica).
- Previsão e interoperabilidade: integração de modelos de ameaca única em sistemas de proxima geracao, com partilha de dados e interoperabilidade de plataformas entre sistemas de monitorizacao locais, nacionais e globais.
- Metricas holisticas de risco e resiliencia: indicadores que integrem dimensoes fisicas, economicas e sociais do risco, incluindo estimativa de perdas com danos em cascata e impactos na cadeia de abastecimento.
- Análise de vulnerabilidade com IA: simulacoes, testes de stress e ferramentas de IA para análise de interdependencias em infraestruturas criticas (eletricidade, água, telecomunicacoes, transportes).
- Dados confiaveis e padronizados: mecanismos de partilha eficazes com conformidade FAIR, apoiados nos European Research Infrastructures and Data Spaces.
- Intercambio de conhecimentos: reforco da troca de experiencias sobre gestão de emergencias multi-risco entre autoridades de diferentes Estados-Membros.
- Gestão abrangente e sistemica: abordagem que incorpore tendencias climáticas, degradacao ambiental e vulnerabilidades sociais como fatores agravantes do risco composto.
- Avaliação a nível europeu: modelos capazes de avaliar riscos e ameacas a escala europeia, nao apenas local ou nacional.
Autoridades de gestão de risco com mandato legal obrigatorio
Os requisitos de consorcio sao especificos e exigentes. As organizações principais devem incluir:
- Pelo menos 2 autoridades de gestão de risco de catastrofes ou de comunicação de crises ao nível nacional, com mandato legal formalmente estabelecido, provenientes de mínimo 3 diferentes Estados-Membros ou Paises Associados.
- Pelo menos 2 representantes de autoridades locais ou regionais de resposta a catastrofes.
- Todos os participantes devem preencher a tabela "Informacao sobre profissionais de seguranca" no formulario de candidatura - um requisito administrativo que nao deve ser descurado na preparacao da proposta.
| Parametro | Requisito |
|---|---|
| Tipo de acao | HORIZON-IA (Innovation Action) |
| TRL no final do projeto | Nível 6 (demonstracao em ambiente relevante) |
| Financiamento | Lump Sum Grant (montante fixo) |
| Gestão de dados | FAIR data compliance obrigatoria |
| Alinhamento estratégico | Estrategia da Uniao de Preparacao da UE obrigatoria |
| Dados satelitais | Se utilizados: obrigatorio Copernicus e/ou Galileo/EGNOS |
| Prazo | 1 de abril de 2027 |
Onde Portugal pode contribuir
Portugal tem varios cenarios de risco multi-ameaca com dados historicos extensos e relevantes a escala europeia. Os incendios florestais que afetam simultaneamente redes eletricas e sistemas de abastecimento de água, as cheias urbanas na Regiao Metropolitana de Lisboa ou as combinacoes de sismo e tsunamis no contexto atlantico sao exemplos de multi-riscos com documentacao robusta e experiencia operacional acumulada.
O LNEC (Laboratorio Nacional de Engenharia Civil), o IPMA (Instituto Portugues do Mar e da Atmosfera), a ANEPC e o INSA sao entidades que podem contribuir para o requisito de autoridade nacional de gestão de risco, conforme o tipo de ameaca central do projeto. Para o componente de IA e modelacao, universidades com grupos de investigação em engenharia de sistemas, ciencia de dados e resiliencia de infraestruturas - como o IST, a Universidade do Porto ou o NOVA - sao parceiros naturais.
O diferencial competitivo numa proposta DRS-02 esta na qualidade dos dados historicos de eventos multi-risco disponibilizados pelo consorcio, na robustez dos modelos computacionais propostos e na capacidade de demonstrar interoperabilidade real entre sistemas de monitorizacao de diferentes paises.
Estrutura ideal para uma proposta vencedora
Para uma proposta DRS-02 competitiva, a Open Capital recomenda uma estrutura de consorcio que combine tres perfis distintos: uma ou duas autoridades nacionais de gestão de risco (que cumprindo o requisito obrigatorio tambem validam operacionalmente o trabalho), um ou dois centros de investigação ou empresas de tecnologia com capacidade em modelacao computacional e IA e parceiros de autoridades locais que fornecam casos de uso concretos e dados de campo.
A proposta deve articular claramente os cenarios multi-risco que vai estudar, os dados historicos disponiveis, a abordagem metodologica de integração de modelos e os mecanismos de validacao em contexto operacional real. Propostas com demonstracoes em multiplos paises europeus e com plano concreto de transferencia para sistemas operacionais de emergencia obterao pontuacoes mais altas no criterio de impacto.