Alteracoes climáticas como desafio de seguranca global
O topico DRS-05 do Horizonte Europa CL3 2026 parte de uma premissa cada vez mais aceite nos circulos de seguranca europeus: as alteracoes climáticas nao sao apenas uma questao ambiental. Sao um multiplicador de ameacas com impacto direto na agricultura, biodiversidade, saúde pública, seguranca das fronteiras e estabilidade economica. Inundacoes, incendios florestais, deslizamentos de terra e fenomenos extremos em cascata atingem infraestruturas criticas e populacoes vulneraveis com frequencia e intensidade crescentes.
A resposta europeia a este cenario passa por dois eixos complementares. O primeiro e a capacidade de antecipar: desenvolver cenarios de risco climático detalhados, com ferramentas de previsão capazes de identificar as populacoes e sistemas mais expostos antes que a crise ocorra. O segundo e a capacidade de reagir com informacao: assegurar que, apos um evento catastrofico, existe consciencia situacional suficiente para dirigir recursos com precisao e acelerar a recuperacao.
O DRS-05 financia projetos que avancem nestas duas frentes em simultâneo, partindo de tecnologias ja maduras (TRL 7-8) e aplicando-as em contextos reais com envolvimento direto de autoridades de proteção civil e utilizadores finais.
O que os projetos devem demonstrar
O topico DRS-05 define um conjunto de resultados esperados que os consorciums deverao demonstrar de forma concreta e mensuravel. A orientacao e clara: nao se trata de investigação exploratoria, mas de validar e implementar solucoes capazes de ser adotadas por autoridades de gestão de risco.
- Cenarios de seguranca climática priorizados: identificar e ordenar os riscos climaticos mais relevantes para a UE, com avaliação de eventos compostos e em cascata que amplificam o impacto de catastrofes singulares.
- Ferramentas de previsão avancadas: desenvolver e validar solucoes baseadas em dados para antecipacao de catastrofes induzidas pelo clima, com integração nos sistemas de alerta precoce existentes.
- Tecnologias de avaliação e monitorizacao: instrumentos operacionais para avaliação do impacto durante e apos catastrofes, capazes de informar decisoes em tempo real.
- Envolvimento reforçado de utilizadores finais: incluir proteção civil, autoridades locais e comunidades em fases de teste e validacao, garantindo que as solucoes respondem a necessidades operacionais concretas.
- Cooperação internacional melhorada: estabelecer mecanismos de partilha de dados e boas práticas entre autoridades de diferentes Estados-Membros, com alinhamento aos quadros politicos europeus.
- Capacidades pre e pos-crise: solucoes que cubram tanto o período anterior a catastrofes (consciencia situacional de risco) como o período seguinte (avaliação de danos, apoio a recuperacao).
- Sensibilizacao pública para resiliencia climática: desenvolver abordagens comunicacionais que traduzam resultados técnicos em orientacoes práticas para cidadaos e decisores.
Quem pode candidatar-se
O DRS-05 impoe requisitos de consorcio especificos, desenhados para garantir que as solucoes desenvolvidas tenham ancoragem direta nas estruturas operacionais de gestão de emergencias:
- Mínimo 3 autoridades de gestão do risco de catastrofes como beneficiarios, provenientes de mínimo 3 diferentes Estados-Membros da UE ou Paises Associados ao Horizonte Europa.
- Tabela de profissionais de seguranca obrigatoria: todos os candidatos devem preencher a secao especifica sobre profissionais de seguranca no formulario de candidatura - um requisito formal que deve ser verificado antes da submissão.
- Joint Research Centre (JRC): pode participar no consorcio sem custo financeiro (financiamento zero) ou como parceiro associado, trazendo capacidade de análise e acesso a dados europeus.
| Parametro | Requisito |
|---|---|
| Tipo de acao | Innovation Action (IA) - Lump Sum Grant |
| Dotacao | 4.500.000 EUR (1 grant) |
| TRL obrigatorio | TRL 7-8 no final do projeto |
| Consorcio mínimo | 3 autoridades nacionais de gestão de risco, 3+ paises |
| Dados espaciais | Copernicus e/ou Galileo/EGNOS (se aplicavel) |
| Principios de dados | FAIR (Findable, Accessible, Interoperable, Reusable) |
| Prazo de candidatura | 17 de setembro de 2025 (encerrado) |
Alinhamento estratégico exigido
O DRS-05 nao e um topico técnico isolado. Insere-se num conjunto de iniciativas politicas europeias cuja coerencia e parte da avaliação. Os projetos devem demonstrar alinhamento explicito com:
O contexto portugues neste topico
Portugal ocupa uma posicao de destaque neste topico por duas razoes. A primeira e a vulnerabilidade geografica: incendios florestais, cheias nos grandes rios, deslizamentos em zonas serranas e eventos extremos no litoral sao riscos documentados com crescente frequencia e severidade. A segunda e a capacidade instalada: Portugal tem entidades com experiencia solida e reconhecida em gestão de emergencias e investigação aplicada.
Entidades bem posicionadas para integração em consorcios DRS-05 incluem a ANEPC (Autoridade Nacional de Emergencia e Proteção Civil), o IPMA (Instituto Portugues do Mar e da Atmosfera), o LNEC (Laboratorio Nacional de Engenharia Civil), o IST, a Universidade do Porto e instituicoes com experiencia em dados Copernicus e sistemas de alerta precoce. A participacao de proteção civil municipal e de juntas de freguesia em areas de risco elevado reforça a componente de utilizadores finais que o topico exige.
O que recomendamos
O DRS-05 e um dos topicos mais exigentes do CL3 2026-01 em termos de maturidade tecnologica. O TRL 7-8 obrigatorio significa que nao ha espaco para investigação fundamental nem para primeiras demonstracoes em laboratorio. As solucoes devem estar validadas em ambiente operacional real, o que eleva a fasquia mas tambem a relevancia dos resultados esperados.
Para organizações que chegaram tarde a este concurso, a mensagem e clara: a janela DRS-05/2026 fechou, mas o tema de seguranca climática continua prioritario. O Horizonte Europa reserva financiamento crescente para catastrofes induidas pelo clima em cada Work Programme. A preparacao antecipada de um consorcio com autoridades de proteção civil de tres ou mais paises, combinada com experiencia em dados Copernicus, cria uma vantagem competitiva sustentavel para os proximos concursos.
Organizações com projetos em curso nesta area devem tambem considerar a articulacao com financiamento complementar nacional (fundos PT2030 para gestão de riscos) e europeu (LIFE, Mecanismo de Proteção Civil da UE, InvestEU), que permitem amadurecer tecnologias para níveis TRL mais elevados antes de submeter ao Horizonte Europa.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]